Eu confesso que Bem, amigos… não sei direito o que houve… sei que há 13 anos atrás uma grande bola de neve começou a ser criada na minha vida. Conheci uma moça (muito bela, diga-se de passagem)… Ela era uma moça interiorana, morava longe da minha cidade que era na capital, dessa forma o contato inicial era principalmente por telefone.
A questão é que eu, além de muito inexperiente, bem… na época, eu não era, exatamente, o tipo mais belo, sabe? Muito magro, feinho… (risos). Mas o fato foi que gamei na moça. E, creio eu que por causa da minha aparência simples, meus outros dotes não foram suficientes para cativá-la e não obtive o mesmo retorno emocional por parte dela. Na dificuldade de lidar com a rejeição (creio eu em função da minha pouca experiência relacional na época), adotei a nada convencional (e nada recomendável também) estratégia da insistência e das lágrimas… Mas essa foi a pior besteira que já podia ter feito na vida… Embora tenha sido parcialmente funcional, pois consegui chamar sua atenção e, algumas vezes comovê-la, chegando a firmar uma espécie de “compromisso” com a guria (até por que de todos os trastes que lhe apareceram na vida, eu fui o único homem que fugiu a este padrão, o que me gerou grande afetividade e simpatia por parte de seus pais).
No entanto, as ligações interurbanas eram caras por demais e um estagiário não ganha muito, sabe? Assim, ganhando um salariozinho, na época de 400 pilas, não dava para manter um padrão de vida que envolvia contas de telefone de R$ 500,00 a R$ 650,00 por mês, presentinhos, viagens para o interior, cartões de crédito, e dinheiros e mais dinheiros gastos com academia e suplementos afim de começar a agradá-la, também, no aspecto físico… Bom, a matemática não mente e é auto explicativa: O barco começou a afundar… Paralelamente a isso, traços de seu (mau) caráter começaram a revelar-se: Mentiras, destratos, abusos, injustiças etc. Não precisa ser gênio para deduzir que minhas prioridades, que deveriam ser o crescimento, o aproveitamento das boas oportunidades que Deus me tinha dado, foram malogrados e já não era o “bom menino” do engenheiro, nem o jovem promissor profissional e inteligente da grande empresa. Não fui efetivado no fim do estágio e, não obstante, era possuidor de um saldo devedor de mais de R$ 3.500,00 (há 13 anos, essa era uma quantia considerável).
Após perceber que tinha dividas, mas não emprego, notei que voltar a faculdade não seria uma opção viável e, como já havia me formado no curso técnico, optei por me aventurar na área até (dizia eu), quitar minhas pendências… Ora, isso, obviamente não foi possível (meu burro, cego, demente, aleijado e claudicante coração não o permitiu). A minha insistência continuou e minhas dividas também… É óbvio que a essa altura já havia contraído meus primeiros empréstimos (à época junto ao Banco do Brasil que, diga-se de passagem, hoje não me aceita nem como visitante de agência)… Pulei de empresa em empresa (bem menores, claro) exercendo meu ofício técnico em sua maioria com vínculos temporários…
Cagadas a parte, Deus foi muito bom comigo. Quando o meu seguro desemprego já estava nas últimas e minhas dívidas na posição diametralmente opostas, fui convocado para um concurso publico municipal para o qual havia prestado um certame meses antes. Com esse vínculo e condição de funcionário público municipal, embora mal remunerado, tive condições de quitar minhas dívidas contraindo outra através de um empréstimo consignado que comia 1/3 do meu já minguado salário. Mas tudo bem, pelo menos estamos com o nome limpo (pensava eu)!! O problema é que minha insistência era mais demente do que pensava… vivia no limiar financeiro, num emprego publico, mau remunerado que eu odiava. O lado positivo foi que pude retomar algumas matérias da minha faculdade que, ainda, não havia me jubilado.
A crise emocional e o caos financeiro dominaram meu ânimo, não tinha muita vontade de estudar nem forças para retomar meu curso superior com o mesmo ânimo inicial.
Pegava matérias e reprovava por falta, meu coeficiente caía e isso tornava mais difícil pegar matérias no semestre seguinte. Optei pelas (poucas) matérias noturnas que o curso oferecia. Cursava uma, no máximo duas por semestre o que não me ajudou muito. Com uma segunda pessoa na minha vida (dessa vez de bom caráter e dentro do meu bairro) consegui um ânimo um pouco maior. Todavia, as sequelas do meu passado haviam causado estragos comportamentais muito ruins em mim… Não fui um bom namorado embora ate me esforçasse para tanto… Nesse período passei num concurso melhor: Era, agora, um bancário. Funcionário de um Banco Estadual (meu atual emprego há mais de 5 anos). Bom salário, carga horária pequena… Talvez conseguisse me reerguer dessa vez!
Alguns anos depois (vários quilos depois, também), quando as coisas começaram a se equilibrar e minha divida com o Banco girava apenas em torno de R$ 2.000,00 no ano de 2009, pensei: Acho que posso comprar um carro! Que anta…
Na verdade até podia. Mas não daquele jeito. Ao invés de financiar um, dando uma pequena entrada. Este jumento que vos fala, resolveu pegar um outro consignado para, segundo meu estúpido entendimento, não ter um gravame de carro alienado no meu nome… Bom, passei a dever R$ 16.000,00 ao meu banco… Mas, pelo menos, tinha um carro quitado: um Fiat Pálio fabricado em 97 (não riam, por favor)… Ora, motorista pouco experiente, carteira recente… Sabe como é né?? Acidentes acontecem… Mas como no meu caso não basta acontecer acidentes, eles devem acontecer quando você está com documento atrasado, sem seguro e precisa, além de pagar pelos danos no seu carro, pagar pelos danos no carro do outro… Novos empréstimos, por favor!!!
Esse Carro me acompanhou durante alguns anos e finalmente consegui vende-lo. É lógico que a desvalorização do carro era maior do que a amortização das parcelas do empréstimo, portanto não deu para quitar a pendência com a Instituição financeira.
Logo em seguida veio a onda do MMN: Telexfree, BBOM etc. Aproveitei que um amigo meu também precisava de grana para reerguer a empresa dele e refinanciamos o carro dele no meu nome: R$22.000, (11 mil para cada). Entrei com tudo nas empresas citadas. Até ganhei um bom dinheiro durante algum tempo. Me foi muito útil. Respirei. Até o maldito poder judiciário bloquear os valores… Agora, além de tudo que já devia, tinha uma divida nominal de mais R$ 22.000,00 (além do que já devia)…
As coisas deram uma aliviada legal quando saiu meu dinheiro das férias e a Participação dos lucros da empresa… Estava na linha do pênalti, mas ainda levando… até pude adquirir um veículo seminovo por um bom preço…
Ótimo,parou aí!! Que nada… o motor do carro quebrou… Isso mesmo! Precisei fazer o motor do carro (que no meu caso não é um luxo, realmente preciso dele). Para piorar, era um motor da Renault… Quase R$ 4.000,00 para consertar.
É nesse ponto que surgem os agiotas… que me salvaram algumas vezes, mas no momento estão me ferrando, pois pegava de um para pagar o outro… Abrindo e fechando buracos para não ficar com nome sujo. Afinal, sou um bancário… não posso ficar negativado.
Minha Dívida atual é de mais de R$40.000,00 incluindo os agiotas, o banco os valores do carro e tudo, tudo mais que sadicamente foi me lascando… Hoje sou um balzaquiano, recém jubilado de uma universidade Federal, portanto sem curso superior, devendo a banco, financeiras e agiotas. Sem margem consignável para unificar as dividas de quatro dezenas de milhares de reais, com uma crise depressiva flageladora e que, a única coisa que impediu, muitas vezes, de me atirar a morte, foi minha fé cristã…
Mas francamente??? Tá difícil viu??? eu só precisava de uma chance para reconstruir minha vida… Mas não tenho ferramentas para fazê-lo.

