Eu confesso que me perguntava o que eu havia feito de tão ruim para ter adquirido depressão, o que havia feito para implorar a Deus para me tirar disso e ele não fazer nada. E então eu me lembrei: Quando eu era criança e deixei meus pais abandonarem três gatinhos na rua, quando eu era criança e zoava uma garota na escola (tenho problemas de memória então não sei se ela havia feito algo para mim, mas mesmo assim…), as vezes que eu magoei as pessoas.
Essa memória dos gatos é o que mais me perturba. Vocês podem achar besteira mas, para mim que prego que os seres humanos e animais são iguais e que os amo profundamente (os animais), isso é como uma facada. Faria de tudo para reverter isso, para esquecer essa terrível lembrança. Pior que eu deixei isso acontecer duas vezes! Na época eu fiquei triste mas pensei que alguém os adotaria mas hoje sei que o mundo não é bonzinho, o mundo é cruel. Eu os tirei do lar deles, prometi cuidar deles e amá-los para minha mãe e meu pai jogá-los fora. E se alguém os matou? E se eles vivem até hoje sofrendo tentando achar comida e fugindo de humanos cruéis? E se eles foram atropelados? É tudo minha culpa, sempre fui birrenta para tudo e deixei isso acontecer. Eu me lembro a violência que aquele demônio que é meu pai jogou o gatinho pro alto na rua de madrugada e ele saiu correndo em disparada para a direção da avenida. Eu sou um monstro. Mereço ter perdido o bem mais valioso que eu tinha e que fazia eu me dar bem (minha personalidade), mereço ser julgada, ofendida, mereço ser usada, mereço os abandonos e traições que eu passei. Ao mesmo tempo em que eu me odeio também odeio essa estupida humanidade que me julga (por nenhum motivo além da minha personalidade) como se eles fossem exemplos, odeio essa raça nojenta de pessoas preconceituosas, intolerantes, violentas, que usam as pessoas, traidoras, que estupram, que causam essas estupidas guerrinhas de classe hipócritas, que acham que são melhores que animais, mal educados, nojentos entre outros. Se eu pudesse matava todo esse povinho inútil que deixa o Brasil – e o mundo – ainda pior.

