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Não aguento mais minha vida

Eu confesso que minha vida está uma bagunça e eu não sei mais o que fazer. Eu sofri tanto na minha vida e eu só tenho 14 anos. Nem sei por onde começar, acho que pela minha infância, meus pais nunca foram ricos e problemas financeiros sempre estavam aparecendo. Eles trabalhavam o dia inteiro e deixa eu e meus dois irmãos com babás. Eu tenho uma irmã mais nova e um irmão mais velho. Não lembro quantos anos eu tinha quando eu vi o quão nojento um ser humano pode ser. Tinha esse vizinho, de 18 anos eu acho, que me oferecia doces ou adesivos se eu deixasse ele me tocar, eu era tão pequena e tão inocente. Mas eu sabia que algo não estava certo, eu tentava me afastar mas ele ameaçava oferecer essas coisas pra minha irmãzinha e eu não podia deixar ela sofrer também, ele ia na minha casa e era amigo do meu irmão. Ele me beijava. Eu nunca beijei ninguém até hoje porque finjo que isso nunca aconteceu. Ele me pedia em namoro e dizia que ia falar com meus pais e eu tinha tanto medo, eu tinha 4/5 anos! Acho que meu cérebro apagou o que aconteceu porque tudo que eu lembro são pequenos pedaços desse sofrimento. Mas não é só isso. Eu lembro que eu era uma criança perturbada, com raiva de tudo, batia nas babás e brigava com meus pais e apanhava muito. Meus pais nunca foram bons pais, eles batalhavam por mim, mas nunca se importaram de cuidar de mim. Eu precisava tanto de alguém depois de que aconteceu, porque nós nos mudamos e eu me livrei daquele predador, ainda lembro o nome dele, e tenho nojo só de pensar. Quando eu tinha 8/9 anos eu fiz minha carteira de identidade, para poder viajar com minha família para Pernambuco onde a minha família por parte de mãe mora, eu lembro da confusão, eu lembro de vasculhar pela casa e achar agendas escolares antigas minhas e achar um nome estranho na caixa de "pai". Eu nunca tive o mesmo sobrenome que minha irmã, mas era pequena então não entendia. Até que um dia, sem nenhuma delicadeza minha mãe me acordou dizendo "na sua identidade ta dizendo um nome de outro pai porque seu pai não é seu pai." E assim foi, eu tenho raiva dela até hoje, isso era/é um assunto tão delicado pra mim, eu me sinto indefesa, perdida. Toda vez que eu fazia algo de errado ela dizia que ia ligar pra ele me buscar e nunca mais voltar, eu tinha tanto medo, ainda tenho, principalmente quando a família dele tenta entrar em contato, eu não quero e ninguém entende, minha mãe é uma cavala, pra ela nada importa, ela não vê como isso machuca. Na escola eu fui zoada por ser gordinha, e eu nunca tive muitos amigos, era sempre deslocada. Cresci com raiva de tudo, e é muito fácil me magoarem, mas achei uma paz na música e eu logo me apaixonei com os artistas a maioria das meninas de 12/13 anos. Eu lia fanfics, que são histórias criadas por fãs e queria escrever uma, então comecei a pensar na história, nos personagens. Eu lembro compartilhar com umas pessoas a história, porque me sentia orgulhosa de ter ido tão longe e com tantos detalhes. Eu pulava e corria pra ter inspiração, mas nunca cheguei a escrever. Preferia só imaginar mesmo, era tão bom poder viajar pra outro lugar, sendo tudo tão real, mas depois começou a se apoderar da minha vida e eu não falava mais disso pra ninguém, era como se eu vivesse na história e eu não entendia, mas estava viciada, não conseguia parar. Não consigo parar. Descobri o nome a alguns meses atrás, Maladaptive Daydreaming, que não é reconhecido como um transtorno mental e são poucos estudos realizados sobre ele, o que é frustrante porque estou cansada desses devaneios, não consigo me concentrar nem viver minha vida. A depressão também me atingi mas o Maladaptive Daydreaming me faz entrar no meu próprio mundo e esquecer a dor, e eu odeio porque quando eu volto eu noto que a vida real é uma droga. Estou cansada. E sem vontade de viver.

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Escrito por Anônimo

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