Eu confesso que
O “fato” de
que os jogadores ocasionalmente ficam com uma hot hand (“mão quente”, isto é, sortuda,
certeira) é algo de modo geral aceito por jogadores, treinadores e torcedores. A inferência é
irresistível: um jogador faz três ou quatro cestas numa sequência e você não consegue deixar
de formar o julgamento causal de que esse jogador agora está com a mão quente, uma
propensão temporariamente aumentada de fazer pontos. Jogadores de ambos os times
adaptam-se a esse julgamento — os colegas de equipe ficam mais inclinados a passar para o
atacante e a defesa tende a dobrar sua cobertura. Análises de milhares de sequências de
arremessos levaram a uma conclusão decepcionante: não existe esse negócio de mão quente no
basquete profissional, seja durante o andamento do jogo, seja no arremesso livre. Claro que
alguns jogadores são mais precisos do que outros, mas a sequência de sucessos e arremessos
perdidos satisfaz todos os testes de aleatoriedade. A mão quente está inteiramente nos olhos
de quem vê, que é invariavelmente muito rápido em perceber ordem e causalidade no
aleatório. A mão quente é uma ilusão cognitiva maciça e popular.

