Eu confesso que estou de saco cheio. Trabalho como caixa em uma grande empresa e mesmo que eu não queira, me estresso todo santo dia. Eu não me acho um fenômeno de inteligência. Sou um cara normal, mas parece que em nosso país, o normal é ser tapado. Vou me explicar. Às vezes, fico no caixa do estacionamento. Nesta empresa, pessoas que são, digamos, associadas, têm desconto no estacionamento. Só que eu não tenho como saber quem é associado ou não. O cliente tem que mostrar sua carteira de associado. Isso não está escrito em lugar algum, mas nem precisa, é algo que se subentende. Pelo menos do meu ponto de vista. E quem disse que os clientes pensam assim? A maioria chega no caixa e não mostra a bendita. Tem sempre que perguntar: Tem carteirinha? Acho que eles pensam que nós temos como adivinhar quem é sócio ou não. Fala sério. Teve época que cheguei a ficar sem voz de tanto perguntar isso. Fora isso tem mais 4 coisas que todo caixa odeia: Quando o cliente fura a fila, quando o cliente pega o caixa preferencial sem ser preferencial, quando coloca o cartão na leitora e não informa se é débito ou crédito e quando recebemos uma cédula e temos que conferir sua autenticidade e o cliente diz – "acabei de fazer, essa aí está boazinha".
Gente me desculpa, mas vão tomar no cu. Bola de cristal não faz parte do equipamento padrão nos balcões de caixa. Quer desconto? Beleza. Não temos como adivinhar se você é sócio ou não. O interesse em ter desconto é seu – mostre o cartão do clube. O cartão bancário é seu, você tem que saber se vai pagar no crédito ou no debito, não os caixas.
Respeito é bom e todos gostam. Se você não é idoso, não está gestante, não está com criança DE colo (e não no colo) e não é deficiente físico (ou mental) não pode usar o caixa preferencial. Tem neguinho que vem com a família toda, inclusive os avós e quer passar no caixa preferencial. Tem gente que pega o seu filho pequeno que anda muito bem sozinho, às vezes, o moleque até corre, pega o garoto e põe no colo e quer passar na fila do caixa prioritário. Fora aqueles que estão com carrinho e também querem passar lá. É lógico que temos que ter bom senso. Se uma pessoa está passando mal ou se a gestante está acompanhada por alguém, não tem problema nenhum em passar no caixa preferencial, mas não confunda bom senso com abuso. É um acompanhante, e não a família toda. Por falar em bom senso, tem também o outro lado da moeda. Certa vez, fui às Lojas Americanas e tava a maior fila. Somente dois caixas para atender a fila normal e a preferencial. Na minha frente tinha uma idosa. A fila do caixa do idoso só tinha duas senhoras. Então alertei a idosa para que fosse para lá. Sabem o que ela me disse? Não estou com pressa, prefiro ficar aqui na fila comum mesmo. Fala sério. As pessoas com pressa para ir trabalhar, eu atrasado, e aquela folgada mesmo podendo ficar na fila do caixa especial, prefere atazanar a vida dos outros. Fala a verdade. Para que bom senso? O que importa é apenas eu mesmo. Não é?
Faz parte da rotina de todo caixa, seja ele de banco ou de que empresa for, conferir se a cédula apresentada para pagamento é verdadeira ou não. Se o caixa pegar uma cédula falsa é ele quem paga do próprio bolso. Não tem moleza não. Errou pagou. Caixas de banco ganham quebra de caixa e em algumas outras poucas empresas também se paga esse adicional, mas na maioria ele não existe. Então não se ofenda quando nós caixas viramos a sua nota de 50 ou de 100 do avesso para averiguar a sua autenticidade, e acima de tudo, não faça aquela piadinha infame – acabei de fabricar essa aí – isso só demonstra que você é um babaca filho da puta e egoísta. Hoje você sacaneia uma pessoa que está fazendo nada mais que o trabalho dela, amanhã você mesmo pode pegar uma nota falsa.

