Eu confesso que
Otimismo é normal, mas alguns felizardos são mais otimistas que o restante de nós. Se você de
um modo geral foi abençoado com uma tendência ao otimismo, dificilmente precisa que
alguém lhe diga que é uma pessoa de sorte — já se sente como alguém afortunado1. Uma
atitude otimista é em grade parte herdada, e é parte de uma disposição geral para o bem-estar,
que também pode incluir uma preferência por enxergar o lado bom de tudo2. Se lhe fosse
concedido um único desejo para seu filho, considere seriamente desejar que ele ou ela seja
uma pessoa otimista. Otimistas são normalmente pessoas alegres e felizes, e portanto
populares; são pessoas resilientes e adaptáveis aos fracassos e dificuldades, suas chances de
depressão clínica são reduzidas, seu sistema imune é mais forte, elas cuidam melhor da saúde,
sentem-se mais saudáveis do que os demais e de fato têm probabilidade de viver mais. Um
estudo sobre pessoas que ampliam sua expectativa de vida para além das previsões atuariais
revelou que elas trabalham mais horas, são mais otimistas sobre sua renda futura, têm maior
probabilidade de voltar para casar após o divórcio (o clássico “triunfo da esperança sobre a
experiência”3) e são mais propensas a apostar na compra de ações individuais. Claro que as
bênçãos do otimismo se oferecem unicamente a indivíduos que são apenas medianamente
propensos e que são capazes de “acentuar o positivo” sem perder o pé na realidade.
Indivíduos otimistas desempenham um papel desproporcional em moldar nossas vidas.
Suas decisões fazem diferença; eles são os inventores, os empresários, os líderes políticos e
militares — não pessoas medianas. Chegaram aonde chegaram procurando desafios e
assumindo riscos. São talentosos e tiveram sorte, quase certamente mais sorte do que admitem.
São provavelmente otimistas por temperamento; um estudo entre fundadores de pequenos
negócios concluiu que empresários são mais otimistas sobre a vida4, de forma geral, do que os
gerentes de nível intermediário. Suas experiências de sucesso confirmaram a fé deles em seu
próprio juízo e em sua capacidade de controlar eventos. Sua autoconfiança é reforçada pela
admiração dos outros5. Esse raciocínio leva a uma hipótese: as pessoas que exercem mais
influência na vida dos outros6 têm maior probabilidade de serem otimistas e superconfiantes, e
a assumir mais riscos do que se dão conta.
A evidência sugere que um viés otimista desempenha um papel — às vezes, um papel
dominante — sempre que os indivíduos ou as instituições voluntariamente assumem riscos
significativos. Com grande frequência, pessoas que se arriscam subestimam as chances que
enfrentam, e investem bastante esforço em descobrir quais são essas chances. Como
interpretam errado os riscos, os empresários otimistas muitas vezes acreditam que são
prudentes, mesmo quando não o são. Sua confiança no sucesso futuro sustenta um estado de
espírito positivo que os ajuda a obter recursos junto a outras pessoas, eleva o moral de seus
empregados e acentua suas perspectivas de triunfo. Quando agir é necessário, otimismo,
mesmo da variedade moderadamente delirante, pode ser algo bom.

