Olá, meu nome é Júlia, eu moro no interior de São paulo, e eu quero desabafar um pouco sobre o modo em que eu não sou aceita socialmente e não me encaixo em nenhum colégio a pelo menos uns 5 anos. Eu lembro que eu tinha 11 anos, era 5° série, e eu sai por do meu colégio por que muitas meninas lá da minha sala era ignorantes comigo, um colégio que eu havia passado praticamente a minha vida toda. Ai então minhas notas começaram a baixar a partir do momento em que começaram o surgimento desses problemas, e então eu sai. Fui pra um colégio que era relativamente ”mais fácil”, e eu cheguei lá no meio do ano, e eu lembro que no primeiro dia de aula eu estava atrasada, e então a coordenadora me levou até a minha futura sala de aula, e quando eu cheguei lá, absolutamente ninguém me recebeu, ninguém mesmo. Fiquei sentada sozinha, sem nem um ”seja bem vinda”, ou um simples ”bom dia”. Eu tinha 12 anos, e eu já começava a ver como tudo seria na minha vida sempre. E então passou o tempo, fiz algumas amizades, e eu lembro que tinha aquele grupinho, que se achava melhor que todos, mas afinal, toda sala/escola tem não é? E então eu lembro que havia uma menina, que era considerada a representante, e ninguém, absolutamente ninguém, poderia falar algo perante a ela, que ela humilhava/gritava com as pessoas, e comigo sempre foi assim, eu tentava me afastar de tudo e de todos, ficava só com uma ou duas meninas, e sempre tinha alguém da sala pra vir falar coisas a meu respeito, sempre, sempre… Alguém que não ”ia com a minha cara”, que me acha metida, patricinha, coisa que eu não consigo entender o por que, pois eu jamais me achei melhor que alguém, humilhei alguém, ou algo do tipo. Mas tudo bem, eu ignorava, eu sempre ignorei, e sempre veio uma frase em minha cabeça tipo ”calma, as coisas vão melhorar” ”permaneça com um sorriso no rosto”. E então tudo bem, passou o tempo, e no começo de 2014, eu havia 13 anos, eu me mudei novamente de colégio, para um que era considerado um dos melhores da minha cidade.Me animei muito, pois coloquei na minha cabeça que minha vida ia melhorar e que as coisas iriam finalmente mudar, que eu teria amigos de verdade, que não teriam uma visão errada de mim, que as pessoas iriam gostar de mim, eu só não sabia que esse seria o pior ano da minha vida, e o pior, eu não tive nem tempo pra me preparar pra tudo que eu iria passar. Cheguei lá, e no primeiro dia de aula encontrei uma menina do meu antigo colégio, que fazia parte das pessoas que não eram com a minha cara. Mas também nunca havia falado comigo, e acho que como ela estava sozinha, e eu era a única pessoa que ela sabia quem era e tudo mais, ela veio falar comigo então, se aproximou de mim. E começou a contar segredos das meninas, amigas delas, do nosso antigo colégio, foi então que eu sinceramente vi que não havia perdido nada não sendo amiga daquele pessoal. E ela me contou algumas coisas dela também, mas eu sentia que não deveria falar algo meu. E então passou-se um mês e pouco, e haviam 3 salas no 9° ano, eu era do 9A, que era a sala dos estudiosos, consequentemente as pessoas mais amigáveis, e eu gostava deles. Mas então eu conheci no intervalo um pessoal do 9C, que me viram e gostaram muito de mim, me trataram muito bem, e pediram pra eu ir para a sala deles, e como eu não conhecia ninguém, eu fui. A sala era divida em ”grupinhos”, o das meninas estudiosas, os das meninas que fizeram amizade comigo, e o resto era os meninos, haviam apenas uns 38 alunos. Então o tempo foi passando, e eu era amiga delas, e então eu fiquei super próxima a Carol, carol me tratava bem, bem até demais, ela que me enturmou ao grupo das meninas, e com o tempo começou a me contar os segredos dela, e começamos a ter amizade eu, ela, e a vitória. Eu conhecia elas a apenas uns dois meses, e já havia criado uma afinidade enorme, mas eu sempre gostei e contei mais os meus segredos a Carol do que Vitória. Vitória era visto como uma menina ”rodada” no colégio e falsa.Então com o tempo eu contei todos os meu segredos a Carol. E então teve um dia que Carol, Vitória, e as outras meninas da minha sala em que eu era ”amiga”, me mandaram uma mensagem, falando que eu havia falado mal a respeito de uma delas. Havia dito que eu tinha falado que uma das meninas lá da sala havia traído o namorado, só que eu simplesmente nem sabia que uma daquelas meninas namoravam. E então elas me mandaram essa mensagem, isso havia sido no final de semana, e eu simplesmente não sabia o que fazer. O que seria de mim agora sem essas meninas que eu gostava tanto?! Quando chegou a segunda-feira, nenhuma delas olharam para mim, e eu também não falei com nenhuma delas. E ai fiquei a aula toda com uma cara de choro, e sozinha. E nem quem não falava comigo veio me perguntar o motivo de eu estar assim, nem por mera educação. Eu pensava que aquele dia havia sido apenas um dia ruim na minha vida, que tudo iria passar, eu só não imaginava que aquilo seria a mina rotina daqui pra frente, e estava apenas começando. Durante todos os dias do ano eu me senti só, eu sentei no fundo da sala. Mas eu tinha a amizade de Vitória, mesmo ela sendo amigas das meninas que então não gostavam mais de mim de modo algum. E ela era o tipo de menina ”errada” lá na sala, a que ficava com muitos meninos, a que tirava notas baixas, a que matava aulas, e eu tinha apenas ela na sala, que gostava de mim. Mesmo ela tendo feito aquilo comigo, de falar algo com as outras de que eu não fiz, eu simplesmente a desculpei. Desculpei por ter me julgado por algo que eu nunca fiz e falei, assim como desculpei as outras. A unica observação é que nenhuma delas jamais me pediu desculpa. E com o tempo eu percebi era que essa história era apenas um plano que Carol fez pra que ninguém gostasse de mim. Eu descobri que ela que havia falado que eu tinha dito algo a respeito da menina, e eu vi que a pessoa que eu tanto achei que iria ser muita amiga minha, serio a minha maior inimiga. A pessoa que iria fazer com que eu me sentisse mais só impossivel. Mas eu desculpei, e desculpava ela e as outras pessoas todos os dias, a cada comentário ofensivo que elas faziam a mim, tanto nas costas, quanto na minha frente. Quando eu passava, e falavam coisas. Coisas que na visão da pessoa é algo normal, algo que jamais vai machucar alguém.Que ninguém imaginava que simples palavras e brincadeiras podem mexer tanto com alguém. E então na sala ficou assim, haviam o grupo de meninas que me judiavam e anteriormente eram as minhas amigas, e o grupinho que não ligava pra mim, que a minha existência era inútil. E eu era apenas amiga de Vitória, apesar dos apesares. Eu me sentia menos só. Mas eu pelo menos fui consciente de que não podia contar qualquer segredo meu. Ou seja, uma amizade apenas para eu me sentir menos só. O que foi quase inevitável, pois na hora do intervalo eu me trancava no banheiro todos os dias, e esperava passar o tempo, pois Vitória ficava com as meninas. A hora do intervalo era tipo uma tortura pra mim. A minha diversão era mexer no celular todos os dias sentada no banheiro. E quando a gente voltava pra a sala eu queria muito ver Vitória logo, e o único tempo que ela havia para mim era na sala de aula, onde então eu conversava com ela, e eu não prestava atenção nas aulas, eu gazeava aula com ela, quando ela tinha tempo pra mim, eu fazia de tudo para ficar perto dela. E então minhas notas caíram totalmente. Eu era excluída, eu comecei a ter um comportamento agressivo em casa, eu via minha mãe se esforçando para pagar um colégio caro pra mim todos os dias, e ela simplesmente chegava em casa e não me via pegar em um livro se quer. Eu não conseguia acompanhar o assunto no colégio, eu não sentia vontade de ir pra o colégio, eu sabia que todos os dias eu iria ser esquecida, até mesmo pelos professores, trabalhos em grupo, ah trabalhos em grupo era um terror para mim, eu era daquelas que tinha que perguntar a opção de :”pode fazer individual professor?” Eu me sentia um lixo em pessoa, eu não tinha amigos, as pessoas me chamavam de puta, diziam que eu era isso, era aquilo, pois a única amiga que eu tinha era a menina que havia fama no colégio, então sim. Eu me humilhava todo dia pela amizade dela, e sofria sempre com os comentários que cada pessoa fazia para mim. E simplesmente não entendia por que as pessoas me julgavam tanto, me criticavam, não me aceitavam, eu nunca havia feito mal algum pra essa gente. Eu chorava todos os dias quando chegava em casa, eu não tinha amigos, eu não tinha notas boas, eu não tinha nada. Eu tentei fazer amizade com as pessoas que não iam com a minha cara pra elas verem que eu não sou isso que elas pensam, e ninguém ao menos me deu uma chance. Eu vi um menino chegar em mim e gritar na frente da roda dos amigos ”ESSA MENINA É UMA PUTA.” E e perguntavam ”por que?” e ele respondia ” sei lá, só sei que eu não gosto dessa puta.” Ninguém tinha um motivo específico pra me chamar dessas coisas horríveis, eles apenas me viam de longe e falavam ela é uma puta, ela é metida, ela é isso e outros adjetivos ruins… Minha mãe foi no colégio pra falar tudo o que estava acontecendo comigo, mas eu não queria, e nada iria adiantar.Então chegou no final do ano, e Vitória saiu do colégio por ter tido uma briga, e eu só conseguia chorar, chorar muito, não sei por que, ela não dava a mínima pra mim. Ela não sabe que eu fiquei mal pela saída dela. Então eu me aproximei de uma menina chamada Isabella da minha sala, ela é minha amiga até hoje. E ela sempre me diz que não entende o por que desses pensamentos ruins que as pessoas tem comigo, ela tentou me ajudar nos estudos, ela me tirou da solidão, mas estávamos no final do ano, eu não consegui passar de ano. Eu já esperava isso, eu não me abalei tanto. Então Isabella viajou e foi morar em São Paulo, e eu fui pra outro colégio novamente. E eu não coloquei nenhuma esperança nesse colégio, nenhuma, na verdade eu não colocava esperança nem em mim, em nada. E quando eu cheguei lá, no primeiro dia de aula eu entrei no banheiro e só conseguia chorar. As pessoas que me olharam acho que só conseguiram me achar uma louca. Eu chorei pelo simples fato, de ser mais um ano, mais um ano que eu provavelmente iria ser excluída, eu provavelmente iria passar algo semelhante ao ano passado ou pior, quem sabe?! Eu fui embora na 3° aula daquele dia, e no outro dia eu faltei. E disse a minha mãe que eu não queria ir pra o colégio, que eu não queria ficar naquele colégio. Então ela conversou comigo, eu continuei lá, pois minha mãe não merece passar dificuldades, por conta dos meus problemas. E com o tempo algumas meninas vieram falar comigo, e eu não quis amizade com nenhuma delas. Sim, eu tinha um certo trauma de amizades assim do nada, de confiar, eu sempre sou decepcionada com algo, sempre. E então chegou no meio do ano, e as coisas estavam melhor do que eu imaginava, eu falava com as meninas, só não contava meus segredos, eu tinha finalmente colegas de classe. E então quando foi nesses tempos, um certo grupo começou a olhar para mim com a cara feia, e então eu perguntei para as meninas se alguma delas tinha algo contra mim, o que eu não acharia anormal se tivessem. Tinha uma menina que começava a gritar na sala, falando ”olha o galeto”, e tempos depois eu descobri que era pra mim. Eu tive uma certa discussão com ela, perguntei o motivo de ela não gostar de mim, e ela simplesmente não ia com a minha cara, ela disse que eu tenho atitudes que ela não gostava, e eu disse que ela não era obrigada a gostar de mim mas sim a respeitar. E então nessa briga ela me disse tudo. Ela me disse que 90% da sala não gostava de mim, que eu era a odiada, e eu não entendi o motivo disso. Pois sinceramente, eu não sou amiga de ninguém da minha sala, eu tenho colegas. Nenhuma dessas pessoas me conhecem. Só considero na minha sala minhas amigas no máximo duas pessoas. E não, elas não sabem de nada que eu passei esses anos todos. Mas elas me ajudaram muitas vezes com problemas mais leves. Então eu descobri que as pessoas novamente não gostavam de mim, e se eu me abalei? Nem um pouco. Eu simplesmente sabia desde o começo que eu futuramente teria problemas sociais, por que já é tipo uma rotina sabe? É algo inevitável, chega a ser raro eu chegar em um lugar e ser bem aceita e bem recebida. Então tudo isso me ensinou apenas a ser forte, se eu estou mal, eu vou ao banheiro, eu choro escondido, eu não falo pra ninguém, eu chego em casa depois de um dia todo onde eu estive rodiada de pessoas que pelo menos 90% delas não gostam de mim por motivos fúteis ou nenhum, e desabafo apenas comigo mesma. E eu não consigo entender o por que já cheguei a pensar que as coisas iriam melhorar, as coisas nunca melhoraram, cheguei a conclusão que eu sempre serei tratada assim, e ninguém nunca vai me entender até passar pelo mesmo que eu passo todos os dias. E é isso.

