Eu confesso que cheguei ao fim da linha. Faz mais de um ano que estou aqui, estacionado no fim. No final de 2012, quando eu tinha 19 anos, conheci a garota que veio a se tornar minha namorada poucas semanas depois. Até então, eu nunca havia tido uma experiencia do tipo. Nunca havia beijado ninguém, nem nada do tipo. Sempre fui um cara considerado estranho. Poucas palavras, cara amarrada. Não sou assim por opção. Simplesmente não consigo ser diferente. Mas quando ela apareceu na minha vida, tudo mudou. Eu me entreguei de corpo e alma para ela. Apenas ela viu esse meu lado até hoje. Aos poucos fui me distanciando dos poucos amigos que eu tinha, porque me dedicava apenas a ela. Passamos por muita coisa juntos. Coisas demais para descrever aqui. Fomos felizes. Mas o que acontece é que tivemos algumas brigas por conta de ciumes meu e falta de noção dela. Nessas ocasiões eu fui muito grosso com ela, chegando a xingar com palavrões e coisas do tipo. Mas isso passou. Nos resolvemos e tudo ficou pra trás. Ou pelo menos eu achava. Em setembro de 2014 ela terminou comigo. Alegando que eu havia tratado ela muito mal naquelas brigas de mais de um ano antes, e que ela não estava suportando ficar com a pessoa que fez aquilo. Disse também que não aguentava mais a nossa rotina. Que eu não fazia nada para mudar. Que só esperava por ela. Etc, etc. Depois de quase um mês de luta, onde eu implorava por mais uma chance, que eu seria diferente, que me esforçaria, ela recusou tudo. Então eu me tomei uma grande quantidade de remédios tarja preta. Fui parar no hospital. No dia seguinte, me joguei do prédio daqui. De alguma forma, eu sobrevivi. Mas quebrei os dois pés. Depois disso, eu passei meses de cama, aleijado. Nesse período ela vinha me visitar, visivelmente abatida. Em uma dessas ocasiões ela disse que ainda gostava de mim e chegou até a me beijar. Eu fiquei feliz. Mas foi temporário. No dia seguinte ela se arrependeu. Nesse período, brigamos mais do que nunca. Sempre que ela vinha aqui, acabamos discutindo. Até que um dia ela falei demais e ela foi embora de vez, prometendo que nunca mais pisaria aqui em casa de novo. E cumpriu a promessa. Em janeiro desse ano, na véspera do meu aniversario, ela foi embora pra outra cidade. Nos falamos por um tempo no facebook, mas um dia, depois de uma briga, ela excluiu o perfil. Fiquei 4 meses sem ter noticias dela. Não fiz nada durante esse período. Só ficava em casa, pensando onde ela estaria, como estaria, com quem estaria, etc. Em abril, começou a rolar um clima entre eu e uma garota daqui, mas a gente só conversava pelo whatsapp. Eu começava a pensar na possibilidade de talvez dar a mim mesmo uma chance de viver. Mas em uma noite, de forma inesperada, ela – minha ex – me mandou um e-mail. Nele ela perguntava se podia confiar em mim. Se sim, falaria comigo no momento certo. Aquilo me pegou totalmente desprevenido e, todo aquele sentimento quase obsessivo que eu tinha e estava esvaindo, volto com tudo. Demorou dois meses até eu conseguir falar com ela novamente. Passamos a trocar e-mails em segredo, pois não seria bom se os familiares dela soubessem desse contato. Porém, nesses e-mail, ela não parecia ser mais a garota por quem me apaixonei. Suas respostas eram secas e breves. Vocês devem saber do que estou falando. Dá pra perceber quando alguém não falar com você. Essa situação causou outra discussão e ela foi embora de novo. Um mês depois ela apareceu no whatsapp. Conversamos/discutimos por um pouco mais de um mês. Até três semanas atrás, quando nos encontramos pela última vez. Aparentemente ela está saindo com uma garota. Ela me disse que não existe nenhuma possibilidade de ficarmos juntos novamente. Deixou bem claro. Depois de outra discussão, onde ela achou que havia me suicidado, ela bloqueou meu número. Agora estou aqui, sem nenhuma possibilidade de contato com ela. Sozinho. Sofrendo há mais de um ano. Mais de um ano lutando por uma chance que ela nunca me deu. Deu a uma garota. Eu não tenho mais nada. Não faço nada. Só fico em casa, na cama, esperando e esperando. Vendo a vida passar, enquanto ela tá la fora, nos braços de outra pessoa. No momento, estou escrevendo uma especia de carta de despedida para ela. Quando terminar, vou dar um jeito de entregar e depois vou acabar com meu sofrimento.

