Hoje eu estava pesquisando coisas na internet, e localizei este site. Vi outras pessoas falarem de seus problemas, até parecidos com o meu.Queria fazer, não uma confissão, mas um desabafo.
Eu tenho 30 anos, e sou totalmente infeliz, gay, mal-sucedido financeiramente, parentes que me odeiam, amigos falsos, e só isso. Estas coisas causam meu sofrimento.
Para iniciar, fui criado por minha madrasta. A minha mãe morreu com uma infecção quando eu tinha 3 meses de idade. Aí meu pai um ano depois se casou. A família dele não gostava de mim, pois como ele era mais bem financeiramente que minha mãe, diziam que ela era uma interesseira, já a família dela me culpa até hoje pela morte dela.Nós dois sempre tivemos uma ótima relação, mas essa má drasta sempre criou histórias para abalá-la. A gente brigava frequentemente, para completar, ainda sofria bullying na escola, e quando eu falava em casa, para meu pai, ela falava que era eu que começava a insultar. Meu pai cego sempre acreditou nela. Não tinha amigos na escola, era insultado por ser baixo, magro e usar aparelho e óculos. Na hora do recreio, eu ficava dentro da sala, trancado, lendo um livro, fazendo alguma coisa para ocupar a minha mente e esquecer meus problemas.
No ensino médio, a gente foi morar em outra cidade devido a firma do me pai ter transferido ele. Era uma cidade grande, e eu comecei a estudar numa escola. Eu consegui fazer amigos, pois eu decidi que não iria me lamentar e fui falar com todo mundo, ajudava em deveres, ia para as festas, apesar de não ser convidado e ter de ir sozinho. Mas não adiantou, até tinha alguém que falava comigo, mas superficialmente, quando havia trabalho em grupo, era o último a ser escolhido, ou quando era escolhido pelos populares, eu era responsável sozinho pelo trabalho do começo ao fim. Aí eu não fiz faculdade assim que terminei o ensino médio, fui trabalhar, juntar um dinheiro e sair de casa, mesmo com um pé atrás do meu pai. Minha relação com ele até melhorou depois disso, ele passou a olhar meu ponto de vista, sem opiniões da entrometida.
Com um ano, eu trabalhava, fazia um curso de inglês, tinha amigos, quer dizer, pessoas que falavam comigo, diziam oi, olá perguntavam como é que eu estava, mas se eu estivesse bem ou mal pouco se importavam.
Aí eu decidi radicalizar no meu visual, comecei a fazer academia, fui usar lente de contato, fiz um tratamento dentário caro, joguei minhas roupas velhas no lixo, e comprei outras que estavam na moda e até que fiquei mais bonito.
Meu pai sempre estranhava pois não aparecia com namorada, sendo sincero, até uns 18 anos nunca me interessei por ninguém, sério mesmo, não sabia se era gay ou hétero. Aí depois, comecei a sentir que eram os homens que me atraiam, no começo eu queria me renegar, pois eu iria me casar com uma mulher. Aí eu peguei e fui numa boate gay, para saber se era realmente o que eu gostava. Eu dormi com um cara, mas depois me arrependi, pois não foi por amor, me senti violentado. Acontece que uma das amigas da minha madrasta viram eu saindo de lá, e correram foram dizer para a maldita. Resultado, meu pai ficou sabendo e ficou com ódio de mim, deu um soco nas minhas costas, e ficou uns cinco anos sem falar comigo. Com uns 23 anos,Decidi que iria fazer um intercâmbio, era meu sonho, mas não tinha muito dinheiro, e então peguei um empréstimo no banco. Passei seis meses em Londres. Não era para aprender línguas, mas para tentar dar folga para minha sofrida vida. Conheci pessoas legais, algumas tenho contato até hoje. Lá, eu conheci uma pessoa, ele era iraniano. A gente se identificou muito, ele morava lá mesmo, mas a família dele residia no Irã, e, era conservadora e não sabia que ele era gay, a gente chegou a namorar, mas chegou a hora de eu voltar, pois eu não queria ficar ilegal lá, ele ficou magoado, mas eu vim, não sei se foi uma atitude certa, até hoje me pergunto. Aí eu comecei a estudar para um vestibular, tentei três anos e passei, ingressei em Enfermagem, queria ser médico, mas já era muito velho e não tinha cabeça para estudar tanto. Na faculdade, pensei que ia ser mais fácil se dar com as pessoas, mas na primeira semana, houve um boato na faculdade que eu era ator pornô e tomava anabolizante. Aí uma amiga minha disse que eu era muito parecido com um homem de um vídeo pornográfico que circulava na internet, da cidade…Ficavam fazendo piada com a minha cara, foi quando ameacei processar todos de lá…Pararam, pois descobriram que era um bêbado da rua que estava no vídeo. Essa amiga minha, virou uma decepção, eu estava feliz, pois achava que havia encontrado alguém que se importava comigo, mas dois anos depois, em 2014, eu contei para ela que era gay, e ela saiu espalhando para todo mundo, eu me senti traído, pois até um professor, que até então considerava uma ótima pessoa, tirou sarro da minha cara. Eu então não aguentei a pressão, e tranquei a matrícula, fiquei só no trabalho. Decidi que não iria querer ter mais amigos e nem ninguém para amar. Descobri por terceiros, que minha madrasta traiu meu pai e saiu de casa, pois descobriu que ele estava com um tumor no testículo, eu fui correndo para casa e pedi perdão a ele, e ele aceitou, não foi fácil, mas chegamos num acordo.
Eu comecei a cuidar dele, e tentar a voltar ser amigo. Pelo menos a pessoa que mais gostava voltou a falar comigo. Eu estava feliz, mas infeliz ao mesmo tempo, pois sabia que nunca mais poderia confiar em ninguém. Praticamente, de amigo, só tenho meu pai, mas uma amizade mais diferente, relação de pai e filho. Eu nunca vou ter ninguém que me ame, e nenhuma pessoa que se importe comigo, enfim, parece que nunca vou ter nada de bom na minha vida. Um emprego medíocre, eu não posso voltar a fazer faculdade, ir casamentos, aniversários, ver amigos felizes, casais felizes, amigos felizes, e eu sem poder sentir aquilo, nunca poder ser feliz na minha vida. Este foi meu desabafo.

