Sempre fui uma boa filha, estudava, ajudava em casa, fazia de tudo para meus pais se orgulharem de mim, mas chegou um certo dia (quando eu tinha uns 10 anos) notei que minha mãe gostava mais do meu irmão mais velho. Não é ciúmes de irmãos e tal, qualquer um que olha consegue perceber que ela o ama mais e isso acabou comigo. Tentava de todas as formas chamar a atenção dela tirando notas baixas e já cheguei a brigar na escola com uma garota (eu venci e fui pra diretoria). Ela ainda tratava meu irmão melhor e sempre dava tudo o que ele quer.
Quando fiz 14 anos, repeti de ano e minha mãe ficou decepcionada comigo, admito que amei aquilo. Ver a decepção dela… parecia ser a única coisa que ela já sentiu por mim, então tirava notas baixas o suficiente para "passar raspando", não ajudar nas tarefas domesticas e apertei meu botão de "foda-se o mundo".
Minha mãe é religiosa e sempre falava "Coloca nas mãos de Deus" e isso me irritava, era a desculpa dela para tudo. Sinto muito escrever e admitir, mas eu tenho um certo ódio de Deus por isso. Quando estava triste ela me disse aquilo e eu perdi o controle, fiquei com tanta raiva porque queria um abraço dela e comentários do tipo "Sou sua mãe e sempre vou estar do seu lado". Era frustrante, é frustrante.
Amo meu pai, pra caramba. Ele sempre trabalha duro para sustentar a família, mas sinto que ele ficaria melhor sem minha mãe, assim como todos da casa. Hipocrisia? Pode ser, mas ninguém nessa casa consegue ter um segundo de paz quando ela está em casa. Quando ela saí pra faculdade, é como se fossemos "uma família feliz", nem mesmo o queridinho mimado dela, o meu irmão, aguenta ela.
Minha mãe, se é que posso chama-la assim, me causa muito mal, chegando a me fazer ter problemas de saúde e psicológicos que ninguém sabe que existe. Guardo tudo para mim.
Vocês leitores não sabem quantas vezes eu já pensei em me matar ou matar ela e me sentia bem com isso. Sempre pensei "Uma de nós duas terá que partir antes", eu admito que posso ser uma sociopata assumida e a maior parte de meus pensamentos são homicídios com pessoas criadas pela minha cabeça e muitas das minhas musicas chegam a ser "depressivas" como disse um colega meu.
Os problemas de saúde? Bem, eu sempre tive o sonho de sair de casa, abandonar quem me faz mal e viver uma vida com meu marido e meus dois filhos e minha filha futurísticos… mas por conta da minha mãe, eu nunca consegui amar ou me importar com alguém, e durante vários testes e pesquisas, descobri que tenho sintomas de diabetes 2 e a Síndrome do ovário policístico, que reduz a chance de ter filhos, ou seja, infertilidade. Por conta do stress e pressão que minha mãe faz comigo, acabei perdendo um dos maiores sonhos da minha vida, ter um filho.
Nunca poderei olhar para meus filhos dizendo "Você tem a minha cara", "Você se parece tanto com seu pai", "Você os olhos de seu pai, mas os cabelos são meus"… isso acabou comigo. Fiquei mais depressiva que o normal a ponto de pensar em suicídio com remédios, faca ou qualquer coisa. Não tenho amigos pois todos me abandonam certa hora, então mesmo que eu morrer ninguém vai sentir minha falta, tanto que não tenho aproximação com minha família inteira por causa da minha mãe que nunca me leva ou me da dinheiro para ir visitar meus parentes.
Tenho 16 anos agora e farei 17 próximo mês e nunca consegui gostar de ninguém além do meu pai, que foi o único que me deu amor e atenção nessa casa mesmo quando passava o dia todo trabalhando.
Meu irmão é um vagabundo que não quer nada da vida, desiste de tudo e meus pais já gastaram fortunas com ele, o garoto tem 19 anos e não quer nada da vida, apenas jogar no computador e coçar o saco o dia todo e eu, uma garota prestes a fazer 17 anos e com um Q.I. acima de 130 desejando atenção e investimento assim como ele pois eu tenho muitas chances de me dar bem no futuro.
Eu quero muito sair de casa, pois hoje (escrevi isso dia 24 de junho de 2016) minha mãe disse que eu não tinha lavado a louça do almoço, que é alternada um dia eu e outro dia meu irmão, e falei:
"Desculpa, estou indo lavar"
Falei em um tom normal, mas ela cismou que eu estava sendo grossa e fazia de tudo para me agradar como ir no Guanabara comprar o biscoito que eu queria (há uma semana atrás) pra mim não dar valor a ela e ainda por cima me chamou de estupida. Cheguei no meu limite, mas continuei calada como sempre fiz pois não importa o quanto eu fale, ela nem ninguém vai me escutar.
Uma das minhas musicas favoritas é Last Night do Skillet. O vocalista escreveu essa musica para uma amiga dele que queria se matar e uma das partes que mais me emocionam e que me fazem chegar perto de chorar é da segunda parte da música quando o cara diz:
" Your parents say everything is your fault
But they don’t know you like I know you
They don’t know you at all"
(Seus pais dizem que tudo é sua culpa
Mas eles não te conhecem como Eu conheço
Eles não te conhecem totalmente)
E a garota responde:
"I’m so sick of when they say
It’s just a phase, you’ll be o.k. you’re fine"
(Eu estou tão cansado de quando eles dizem:
Isto é apenas uma fase, você ficará bem. Você está bem)
E o cara termina da única forma que podia me emocionar:
" But I know it’s a lie"
(Mas eu sei que isto é uma mentira)
Não posso contar a ninguém dos meus problemas porque todos eles vivem falando isso, que é apenas uma fase. Todos os problemas que as pessoas tem são culpa dos mais, meu próprio professor de historia falou isso e senti como se ele tivesse falado comigo naquela hora, quase levantei para abraçar ele e dizer que finalmente alguém além de mim falou aquilo para provar que não era mentira ou um drama que eu fazia, era pura realidade.
Eu gostaria muito de fugir, ir embora dessa casa, desse mundo e ir para um lugar onde eu não exista, igual o sonho da menina do anime Boku ga Inai Machi, (A cidade aonde eu não existo) mas onde e como uma menina de 16 anos poderia se refugiar e viver longe de tudo e todos? Tantas coisas que eu queria fazer foram interrompidas pela minha mãe como aprender inglês, fazer ENEM, poder confiar nas pessoas… não consigo fazer nada disso por culpa do egoísmo dela. Sei que sou uma decepção pra ela e isso me irrita, mas por um outro lado de deixa contente, pois sei que pelo menos eu consegui causar algum sentimento nela… bom ou ruim, consegui faze-la sentir alguma coisa.
Não adianta falar com ela, não adianta falar para mim colocar nas mãos de Deus, procurar terapeuta ou qualquer outra ajuda, desde criança foi assim, mesmo quando eu estou certa sobre algo eu não estou, quando sei de algo eu não sei. Eu estou acostumada a isso, a viver apenas na minha redoma com meus fones de ouvido, jaulas prendendo minha imaginação de voar e mudar o mundo, sou uma pessoa inexistente que ninguém sentiria falta.
Posso estar do seu lado quando for atravessar a rua, ou em um ônibus, ou do seu lado na sala de aula. Vocês podem não saber quem eu sou, podem ate não me entenderem, mas estão conhecendo a minha dor e meu sofrimento que venho guardando durante anos. Querem me chamar de hipócrita, podem chamar. De ingrata, eu não ligo. Diferente de muitos, eu sei quem eu realmente sou, um fantasma perambulando sem rumo esperando a verdadeira morte aparecer. Se vier me criticar você é tão cretino e hipócrita como eu, vim desabafar, não ser criticada pois já basta isso em casa.
Pessoas fingem que são felizes para dar motivo de inveja aos outros e isso prova que elas são infelizes. Ate mesmo os mais belos sorrisos podem esconder as historias mais tristes.

