Eu vivia no médico de mês em mês, sempre passando mal. Minha mãe que me levava, porém reclamando. Não culpo ela por isso, afinal, ir tanto no médico e não ter nada não é normal. Fiz todo tipo de exame que você puder imaginar, mas nunca encontraram algo.
Até que comecei a desconfiar. Fui ao psicólogo (tendo que aturar ser chamada de fresca) e fui diagnosticada com ansiedade. Foram 8 meses de terapia, mas não obtive nenhum resultado, então meu psicólogo me mandou para o psiquiatra. Estou tomando um medicamento, entretanto não estou sentindo que estou melhor, ainda tenho crises.
Tenho medo de sair de casa e passar mal, o que é um gatilho para a minha ansiedade. Quase todo dia sinto dor de cabeça, enjoo, tontura entre outros sintomas, sempre antes de sair ou no meio da rua. E isso tem me desanimado muito de sair de casa. Ir ao supermercado já é um baita esforço, principalmente ir a escola.
Sempre fui mais quieta, tímida, e isso me atrapalhou a fazer colegas. Sofri bullying no ensino fundamental, o que me fez ter baixa autoestima, ser super insegura e me sentir inferior perante aos outros. Até hoje sou excluída, conheço e converso com quase todo mundo da sala, porém sempre fico de fora dos grupos.
Isso tudo me faz ficar cansada. Minha mente não para de trabalhar, todo dia os mesmos pensamentos negativos, os mesmos sintomas, o desconforto quando entro em uma sala ou um ônibus lotado e as pessoas olham para mim, sempre pensando no que os outros pensam de mim. Eu sei que não devia me importar com os outros, que devia entender que a probabilidade de meus medos se tornarem reais é pouca, mas não consigo. Não importa o mantra que eu repita na minha cabeça, se rezo, se procuro distrações como contar todos os números ímpares até 1000, se eu tomo medicamentos, nunca me livro dessa ansiedade.
Estou no terceiro ano do ensino médio, e por causa disso minha mãe tem pegado no meu pé mais ainda. Meus pais sempre cobraram muito. Sei que eles se preocupam com meu futuro, mas isso só tem me magoado. Até hoje lembro de chegar em casa e falar com meu pai que tinha tirado 10, achei que ele ia me dar os parabéns mas ele apenas falou "podia ter tirado 11". Eles nunca viram minhas conquistas, sempre apontaram minhas falhas. Só reclamam e criticam. Minha mãe ainda esfrega na minha cara todas as conquistas do meu irmão, mandando uma indireta tipo "você podia ser igual ele".
Bem, o que me resta disso tudo e muitos outros probleminhas é a esperança de que um dia tudo melhore.
Queria que as pessoas não enxergassem problemas psicológicos como frescura, e sim que se importassem mais. Não importa se a pessoa tem um medo que todo mundo considera absurdo, até porque " Um profissional de saúde mental (ou qualquer outra pessoa rs) deve saber que jamais tocará ou sentirá minimamente a dor do pânico ou da depressão de um paciente. Se sentir, ela será sua, e não do outro, pois a comunicabilidade interpessoal se dá na esfera da virtualidade, e não através da transferência da realidade essencial. Estamos ilhados em nós mesmos." -Augusto Cury .

