Levanto-me todos os dias e ao olhar o no espelho, odeio o que eu vejo, não gosto da minha cabeça enorme e tão pouco da minha testa que mais parece uma pista de pouso. Não gosto dos meus olhos enormes que mais parecem um farol de jipe, nem gosto do meu corpo, ou do meu rosto, menos ainda do meu cabelo. A dor já construiu uma casa nas minhas costas, e distribuo sorrisos por aí, mas quando chego em casa, a menina alegre e engraçada some quando me ajoelho na frente do vaso sanitário pra mais uma vez praticar o vômito, não me corto, pois não acho necessário, mas que dá vontade, dá. Auto estima nunca foi meu forte, e nunca me achei uma pessoa bonita, quando observo as garotas que convivem comigo não me sinto bonita e nem confiante perto delas, não consigo olhar pra uma menina e pensar que sou mais bonita que ela, sempre observo as coisas que elas tem que eu não tenho, cabelo bonito, corpão, rostinho de boneca, olhos claros. E eu aqui, uma simples menina de 1,58com pouco peito e alguma não muita bunda, não sou como modelos, capas da vogue, não sou, não sou. Não sou o que eu gostaria de ser, eu olho meu reflexo no espelho, por quê faço isso comigo mesma? Me perdendo por um pequeno erro, não poderia me aceitar como sou? E no fim, acabo da mesma maneira, sentada no chão frio do meu quarto, de madrugada, em frente ao espelho, chorando pelo que vejo ali.

