Tive problemas relacionados ao meu pai e o alcoolismo. Desde pequena estava acostumada a vê-lo bêbado, no início ele era um bêbado legal, carinhoso, normal mas dps de um tempo não era mais assim. Quando eu tinha por volta dos 8 anos ele começou a ficar agressivo, discutia com a minha mãe, xingava e certa vez aos 10 anos, acabou a empurrando, ela ralou o braço e partiu para cima dele com um cabo de vassoura e enfim, presenciei muitos conflitos, minha mãe chorando, os vexames que meu pai nós fazia passar e sempre era coagida a perdoa-lo. Hoje nem mesmo sei dizer quantas vezes o perdoei mas a cada burrada dele algo mudava dentro de mim, ia nascendo uma certa raiva por ele e uma mágoa profunda.
A gota d’água foi aos 14 anos, nem mesmo falo sobre esse acontecimento com ninguém! Nem mesmo os próximos e só irei falar sobre isso de uma forma bem rasa aqui pois não gosto de relembrar os sentimentos que tive. Enfim, aos 14, ele agrediu fisicamente minha cachorra, presenciei ela passando dor e além disso quando minha mãe foi defende-la ele partiu para cima dela e eu tive que mais uma vez intervir para que nada de ruim ocorresse. Não contei detalhes, abordei de forma superficial tudo isso para chegar ao ponto em que estou atualmente.
Já passaram anos desde esse acontecimento que acabou mudando a forma como via ele e até a minha personalidade. Não consigo vê-lo como pai, não somente por conta disso mas por conta de outros acontecimentos após! Vi que não podia confiar nele, que ele não se importava com ninguém além dele e que pra ele oque importa é a bebida.
A questão é que após esse acontecimento nos meus 14 anos de idade, acabei pensando que ele era capaz de tudo e desde então vivo aterrorizada, pensando que ele pode simplesmente chegar bêbado e fazer algum mal para minha mãe ou para mim e com o tanto de ódio que tenho por ele, não pensaria duas vezes antes de mata-lo. Eu realmente acho que seria capaz de matar ele, não sinto mais nada em relação a ele, não sinto uma relação de pai e filha, uma afinidade, uma faísca se quer de sentimento, não sinto absolutamente nada.
É terrível viver num medo constante, pensando que a qualquer momento algo irá acontecer, ele poderá surtar novamente. Nem depois que ele pediu perdão a nós ( eu e minha mãe) eu consegui perdoa-lo, não dá, não consigo. Só terei paz no dia que sair de casa e olhe lá.

