Meu marido é corno. Ele suspeita, mas não tem certeza. Suspeita porque faço chegar a ele algumas informações que o deixam grilado, mas sem provas. Apenas alguns indícios, não conclusivos. E assim o faço, porque é gostoso vê-lo desesperado, sem saber o que fazer. Sempre digo que vou ao dentista ou ao médico, em horário que o trabalho o impede de conferir. E muitas destas vezes vou encontrar com meu amante, que é seu diretor na empresa em que trabalha. Sem perceber, ele já faz o que eu mando, inclusive as tarefas domésticas que antes eu é que fazia. Pego dinheiro em sua carteira, não permitindo que ele reclame, quando pego. Como dependente, uso seu cartão de crédito a minha vontade, apesar dele sempre dizer que não tem como pagar e tomar emprestado. Quanto mais enrolado com dívidas, mais ele fica à minha disposição, pois eu eventualmente o socorro com recursos que meu amante me dá. Um homem moralmente fragilizado é fácil dominar. Mas ainda falta um pouco para que ele fique totalmente submisso. Minha amiga me aconselhou lhe dar gotas de um remédio brochante e, quando o fizer, procurá-lo como se eu estivesse querendo muito. Ele não iria conseguir e ficaria ainda mais deprimido e seria uma presa fácil. Mas estou na dúvida, porque tenho medo que o medicamento não surta efeito e o resultado seja o contrário, levantando sua autoestima. Mas estou propensa.

