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A Nudez É Libertária e o Desejo Imprevisível

Desde até onde minha memória vai, me lembro de adorar ficar nua. Quando criança, a minha avó e minha mãe brigavam comigo para colocar roupa alegando perigo de adoecer. Depois que cresci um pouquinho, o motivo mudou. O pudor entrou em cena. Mas não tinha jeito, bastava ter uma oportunidade e já tirava toda a roupa. Durmo assim desde os 15 anos, colocando calcinha apenas quando estou menstruada. Inclusive, neste exato momento que escrevo este relato, eu estou nua.
Hoje, com 34 anos, casada há oito e sem filhos, eu só fico nua em casa. O tempo todo. Basta chegar do escritório que a primeira coisa que faço é tomar um banho e ficar sem roupa até o dia seguinte. Meu marido aderiu ao hábito e somos dois peladões assumidos. Já fomos a muitas praias de nudismo no Brasil e no exterior. Sinto uma liberdade indescritível de ficar completamente à vontade em meio à natureza.
Encaro a nudez alheia com naturalidade. Não tenho a menor excitação em ver homens e mulheres pelados. São apenas corpos despidos os quais olho exatamente como olho para corpos vestidos. Nunca penso neles com ideias eróticas. A não ser, é claro, que haja uma atração prévia e a intenção seja mesmo o sexo, como é o caso com meu marido.
No ano passado, fomos à Praia do Pinho, em Santa Catarina e lá conhecemos um casal que é naturista há 30 anos. Fizemos boa amizade, troca de telefones e tudo o mais. Eles promovem encontros em seu sítio localizado na serra de Petrópolis somente para naturistas. É um local bem tranquilo, longe de curiosos e devidamente cercado a ponto de impedir visitas indesejáveis. Sem contar, que somente aqueles que frequentam sabem a finalidade. Já fomos ao sítio por três vezes e a cada vez conhecemos mais adeptos do naturismo de diversas idades. Casais e pessoas solteiras, pois a única exigência é saber se comportar em um ambiente onde todos estão à vontade.
Quero deixar claro que não se trata de encontros para troca de casais de swing. Não há sexo envolvido. É somente um lugar onde você pode caminhar entre árvores, comer frutas tiradas do pé, sentir a brisa fresca das montanhas, nadar na piscina, fazer sauna, comer ao ar livre e tudo com o mais absoluto respeito dos frequentadores. É a total liberdade de não estar presa a roupas.
Há dois meses, no final de dezembro, antes do Natal, estávamos lá quando conheci um rapaz de 29 anos. E aí que começou o problema. Pela primeira vez na minha vida olhei alguém nu e vi mais do que apenas uma pessoa. Confesso que não conseguia tirar os olhos de seu corpo e principalmente do pênis. Aquele cara mexeu comigo e passei a desejá-lo. Ficava excitada toda vez que ele se aproximava. Algo inteiramente novo para mim. Era tão forte que tinha a impressão que todos estavam percebendo. Óbvio que era paranoia minha, mas a situação estava escapando do controle. Não queria e nem quero trair meu marido. Eu realmente o amo e a possibilidade de um swing ou um ménage nunca fez parte de nossas conversas. Naturismo e sexo são duas coisas muito diferentes.
Esse fim de semana no sítio foi um suplício. Aquele homem desfilando nu era uma tentação. Curiosamente, ele não é nenhum deus da beleza. Tem um rosto comum, um corpo bem feito, mas nada que se imagine trabalhado em academia ou coisa semelhante, e nem mesmo seu pênis chama a atenção tanto assim. É de um tamanho comum a vários homens nus. Em outras palavras, ele é absolutamente normal. Mas não tinha jeito, bastava vê-lo para começar a imaginar como seria bom sexo com ele.
Não sou boba de imaginar que tais pensamentos não passam na cabeça de outras pessoas. Homens me vendo nua. Meu marido vendo outras mulheres nuas. Outras mulheres em relação ao meu marido e todas as variantes possíveis. Eu mesma já pensei algumas vezes nisso, mas por instantes rápidos que não se prolongaram além de uma simples admiração de momento. Porém, com aquele rapaz foi diferente. Não era admiração. Era tesão mesmo.
Nada aconteceu além do que já foi dito. Não tenho o contato dele e sei apenas o nome e detalhes simples sobre sua vida como ser divorciado, não ter filhos, a profissão e cidade onde mora. Coisas que poderíamos saber até tomando uma cerveja em um bar qualquer.
Depois de viemos embora, o rapaz desapareceu em minha memória ao longo de alguns dias. Mas aí que reside o meu medo. Vamos passar o carnaval no sítio e tudo voltou com mais intensidade. Iremos para lá na sexta-feira à noite e só retornaremos na quarta-feira de cinzas. Temo que ele esteja presente. Um lado meu deseja que ele não possa ir por alguma razão e o outro deseja ardentemente que ele vá. Embora ele nunca tenha feito nada no sentido de me cantar ou seduzir, temo que algo do tipo aconteça e eu não consiga resistir. Uma alternativa seria contar tudo ao meu marido que tem uma cabeça muito aberta e tenho certeza que entenderia a situação. Já conversamos muito sobre isso e ambos concordamos que a fantasia é essencial para uma boa vida sexual. Inclusive, já usamos disso para apimentar nosso sexo diversas vezes. Acontece que desta vez não é uma simples fantasia. É um desejo enorme de realizar. Eu confesso que quero aquele homem. Nem que seja apenas uma vez.

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Escrito por Anônimo

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