Seguinte: nunca quis engravidar. Um belo dia tive que fazer um tratamento e perguntei para a médica se o remédio que eu estava tomando não cortaria o efeito da pílula, se meu marido e eu deveríamos usar camisinha. Ela disse que "vida normal". Resultado: um mês depois, a menstruação atrasou e fiz o teste da farmácia. Meu marido ficou feliz. Eu fiquei arrasada. Ainda estou. Tomei todos os chás possíveis, tentei comprar um abortivo, mas confesso que fiquei com medo de ser presa. Fiz um levantamento dos custos para ir abortar legalmente em Portugal (tenho dupla nacionalidade e seria uma alternativa legalizada), mas bem na hora de comprar as passagens meu melhor cliente faleceu me devendo mais 50 mil reais. Quebrei. Perdi carro e apartamento. Meu marido continua positivo. Eu fiquei 4 meses olhando pela janela do meu apartamento pensando que talvez me jogar fosse o único jeito de acabar com o sofrimento. Confesso que não fiz isso (ainda) porque amo meu marido e ele está me dando muito apoio. Não quero magoá-lo tanto.
Agora com 5 meses até consigo falar sobre o assunto. Não suporto que tentem passar a mão na minha barriga. Me sinto invadida. Aliás, faz tempo que me sinto uma mera tupperware, onde o que importa é a comida guardada quentinha dentro (quem se importa com a tupperware?).
Minha sogra vai ficar com o bebê. Disse que vai me ajudar e isso me deu um grande alívio, afinal sou autônoma e para reconstruír minha vida preciso trabalhar, sem bebês para me amarrar.
Não quero amamentar. Só de pensar nisso me sinto estuprada por uma mini-boquinha.
A questão é: será que tem como impedir o leite de descer? É o que mais me assombra agora. Acho que até consigo ficar perto do bebê quando estiver maior (com uns 6 meses talvez), mas preciso de uma ótima desculpa para não amamentar e continuar com o apoio da família.
Eu tenho um outro problema: tenho misofonia e não aguento barulhos de mastigação, respiração ou mesmo barulhinhos fininhos de bebê. Será um grande empecilho ficar perto dele.
Enfim, já comecei errado, a situação piorou e eu vejo apenas o afastamento como uma alternativa viável para ser feliz.


Quando a criança nascer mudará de opinião.
O instinto maternal é muito mais forte do que qualquer vaidade.