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lidar com a dor

Desde pequena aprendi a lidar com a dor, meu pai foi embora deixou minha mãe com 6 filhos pequenos, ela precisava trabalhar e me deixava com as outras crianças , com a "escadinha" de irmãos, a mais velha tinha 10, eu tinha 6 meses, ela obviamente , como criança que era , não sabia e nem podia cuidar de mim,e eu ficava abandonada na cama chorando ,com fome, e uma vizinha vendo a situação ficou com pena e começou meio de longe, sem querer se apegar, a cuidar de mim, mas depois foi me levando para a casa dela aos poucos e ficava com ela até que minha mãe voltasse do do trabalho.Ccriou-se um laço ela se tornou minha madrinha e acabou que fiquei morando com ela, ela mudou para outra cidade e me levou.Eu me lembro que minha primeira dor,mais forte foi quando numa comemoração de Ano Novo, lembro-me até de todos cantando aquela musica "adeus ano velho feliz ano novo" eu tinha 3 para 4 anos, mas era muito observadora e já entendia de sentimentos, a irmã , da minha madrinha, chegou do nada , me olhou e disse para a madrinha"Devolve essa menina para a mãe dela, ela não tem o sangue que corre em nossa veias" eu ouvi aquilo e comecei um choro compulsivo, daqueles de soluço, a mulher ficou espantada, atônita pois não esperava que uma criança tão pequena já entendesse daquilo, daquela forma tão profunda, ela me subestimou e disse aquilo na minha frente, minha madrinha ficou uma fera, partiu para cima dela,a briga foi feia,depois disso todas as vezes que encontrava essa mulher ela sempre me olhou com vergonha e meio assustada, e me tratando bem, e eu olhava para ela e via uma pessoa que não sabia muito da vida, e de alguma forma trabalhei isso dentro de mim, apesar da minha pouca idade e não nutri raiva, nem ódio, nem magoa.Mas aquela dor que ela provocou numa criança,que doeu na hora como uma facada, teve um retorno não muito bom para ela, pois teve ,dali não muito tempo uma doença que teve que mutilar um seio, esquerdo, do lado do coração,eu até aprendi dentro das minhas possibilidades a gostar dela,me dava chocolates, doces quando me encontrava, tentada de alguma forma me cativar e tentava pelo jeito reparar o erro , e eu cresci sabendo lidar com minhas dores

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Escrito por Anônimo

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A retrógrada

Vergonha de contar para as pessoas