Tinha a minha profissão que me garantia uma vida razoável: tinha meu carrinho, meu dinheiro, saía, viajava etc. Todavia, como não tinha curso superior e o sonho de ser advogado (ou qualquer outro operador do Direito, como juiz, por exemplo) predominaram, ingressei no curso de Direito. Era um excelente aluno, com notas sempre entre 8,5 e 10. Meus finais de semana e feriados sempre tinham a maior parte deles reservada aos estudos, fora o tempo em que parei de trabalhar para estudar nos dias de semana.
Contudo, logo após me formar, veio a prova da OAB. Como era dedicado, acreditava que lograria êxito logo na 1ª tentativa, como TODOS aqueles que se dedicaram como eu. Ledo engano. Subsequentemente vieram a 2ª, a 3ª e a 4ª… e a desistência. Obviamente, todo idiota, pupilo de livro religioso ou de autoajuda (ou ambos, o que é mais grave), diria: "Não desista, pois somente os fracos desistem". Ah, tá bom… Quem demora muito a passar no exame da OAB perde todo o respeito e a credibilidade. Mesmo que passe um dia, ninguém vai te dar confiança. Ninguém NUNCA vai te querer como advogado. Inobstante isso, procurem aí que vocês confirmarão: todos os baluartes atuais do Direito passaram na OAB no máximo na 2ª tentativa. Mais do que isso, o sujeito vira apenas mais um num mundo com 1 milhão de advogados.
Deprimido e revoltado, não restou alternativa senão voltar ao meu antigo ramo. Mas como estava fora do mercado, o jeito foi ingressar em outra atividade, que não me deu nem ao menos o que consegui no ramo originário. Carro, dinheiro, passeios… nada disso tenho mais!
Nessa vereda, quem vos escreve recomenda: CUIDADO com esse negócio de "a profissão dos sonhos" ou com a ilusão de "estudar enobrece e abre caminhos", pois tais máximas tão somente estragaram a minha vida e hoje não passo de um infeliz falido, deprimido e com raiva da vida.

