Bom… Eu sou Lorenzo, tenho 26 anos, criado na igreja evangélica e não praticante da fé como outrora, trabalho na área da saúde, não tenho mais os meus pais e pouco convivo com dois irmãos, moro só. Desde criança sempre percebi que algo estava errado comigo, no sentido de não gostar das mesmas coisas que meus irmãos, ter mais afinidade com meninas, ser mais delicado ou introspectivo, esses fatos me levaram a conviver com os ditos apelidos ou chingamentos: "viadinho, boiola, baitola, bichinha etc…" Na minha cabeça isso era muito confuso porque eu estava sendo eu, embora percebesse uma diferença da minha pessoa para os demais meninos. Então, fui me afastando cada vez mais e me isolando de tudo e de todos, porém, sabia que eles "tinham razão" quando me chingavam daquele modo, no sentido de que realmente eu era o que diziam; comecei a notar que minha forma de olhar pra um vizinho era diferente, ele sempre brincava comigo, mas longe dos amigos dele porque se não o chamariam de todas aquelas coisas também e eu aceitava suas migalhas pois gostava dele. Imaginava nós dois casados, morando juntos e sendo felizes, tudo isso aos oito anos de idade. Conforme o passar do tempo, eu fui compreendo as coisas e lutando contra isso dentro de mim, fiz campanha de oração, jejum, busquei a cura, namorei meninas para manter a aparência e preservar o ministério eclesiástico de minha mãe, mas eu era infeliz, e sou ainda. Quando minhas forças se esvaíram e eu não podia mais lutar, já me vi envolvido com um cara que conheci no trabalho (aos 22 anos já), porém, esse conflito não saía de mim e não sai até hoje, o fato de estar condenado ao inferno segundo os meus princípios religiosos, não me permite ser quem sou. Procurei ajuda profissional, fiz terapia por anos e fui acompanhado por psiquiatra, de nada adiantou, continuo vivendo o mesmo conflito interno da infância. Hoje, olhando pra dentro de mim, meu maior desejo seria: Conhecer alguém que me amasse e eu fosse recíproco, sentir proteção nos braços desse alguém, ser acalento pra sua dor e poder ter as minhas dores acalentadas. Viver tranquilo e sem ter que me preocupar com o julgamento de Deus para comigo, amar de forma intensa e ser feliz como nunca fui dia; de tudo… de tudo, queria ser EU e não viver de aparências para agradar ou ser aceito.

