Confesso. Tudo que eu faço não me agrada. Tudo que eu faço não se parece comigo. Acordo todo dia tentando me mudar, mas é só mais um dia que não fui eu mesma. Sentar ao lado da cama e pensar em nada, corre na mente uma vontade de mudar e fazer algo para quebrar os mesmos dias insossos, mas só sinto a estática subindo por mim e uma lágrima morna deslizar sobre o semblante. Sonho com o futuro, negando meu passado e rejeitando meu presente, é como se eu nem vivesse nele. Estou cansada, cansada de ficar comigo mesma, me corroendo a cada minuto que passo sozinha. Nunca está certo, tentando ser direito, o espelho só reflete uma imagem cansada e distorcida. Como parar o seu inimigo quando o seu inimigo é você mesmo? A timidez me cerca cada dia com alguém, a pouca confiança que eu tinha se perde no meio de tudo.
Eu odeio esse sentimento de vazio;
Quando tudo que existe não é o suficiente para preencher.
Odeio esse sentimento de que tenho que fazer algo quando não se há nada para fazer;
Quando tudo o que eu faço não é suficiente.
Odeio esse sentimento de esquecer tudo quando eu me lembro de tudo;
Quando eu esqueço algo e não consigo lembrar de volta.
Odeio esse sentimento de nostalgia do passado quando eu odeio ele;
Quando eu podia fazer algo e não faço.
Eu odeio essa angústia que lentamente me consome.

