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Papai injusto

Terapeuta: Quando se lembra de seu pai chamando-o de burro, como isso o faz sentir hoje?
Paciente: Meus sentimentos estão confusos. Parte de mim sente raiva – mas depois tem medo. Acho que ainda tenho a sensação, como se ele pudesse me bater. Se ficar com raiva,ele vai me bater.
Terapeuta: Isso aconteceu quando você era pequeno. O que você acha da probabilidade de ele lhe bater hoje?
Paciente: Ele jamais me tocaria. Sou bem maior que ele! Lembro de ter-lhe dito, quando tinha 15 anos, que se ele me batesse de novo eu o mataria.
Terapeuta: Ok, então o medo vem do passado. Mas parece que você sente como se ele continuasse chamando-o de burro. E então sente medo, ate quando pensa em ser assertivo com ele.
Paciente: Acho que e verdade.
Terapeuta: Ok. O que gostaria que fizesse como exercício de casa é escrever uma carta para seu pai. Você não vai enviá-la. Simplesmente escreva uma carta lembrando as coisas ruins que ele lhe fez, as vezes que o chamou de burro. Diga-lhe como se sentia e como se sente agora. Depois diga-lhe o que isso o fez sentir em relação a ele e por que ele esta errado.
Paciente: Ok. Mas pensar sobre isso me deixa nervoso.
Terapeuta: Porque?
Paciente: Porque toda vez que tentava enfrentá-lo quando era pequeno, ele gritava comigo e me batia.
Terapeuta: Você não é mais uma criança.
O paciente escreveu uma carta pessoal a seu pai e a trouxe na sessão seguinte.
Paciente: (lendo a carta) Você nunca me deu credito por nada que eu fizesse. Tudo que fez foi me dizer que eu deveria obedecer a suas regras estúpidas. Você era um brigão. Você me dizia que eu era burro, irresponsável e descuidado. Você é que era burro. Você foi um pai horrível. Um bom pai teria feito o filho sentir-se bem em relação a si mesmo e teria lhe ensinado a ser autoconfiante. Você nunca fez isso. Você também não era responsável. Você
voltava para casa bêbado e gritava comigo e com mamãe. Isso não é ser responsável. Houve vezes em que eu o odiei. Não sou burro. Fui para a faculdade e você não. Talvez você não aguentasse a ideia de seu filho ter ideia própria. Meus amigos me acham inteligente e meu chefe acha que estou fazendo bom trabalho. Isto é burrice? Talvez devesse perdoá-lo, mas agora não posso. Estou realmente com muita raiva.”
Terapeuta: Como você se sentiu ao escrever isto?
Paciente: Assustado. Como se fosse ser castigado. Mas me senti melhor depois. Tirei algo do meu peito. E isto me fez pensar que ele estava errado a meu respeito.

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Escrito por Anônimo

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