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Por que viver?

Trata-se de um problema terrível e que é tão abrangente na sociedade atual. Algo que começou ainda antes de minha adolescência e que se arrasta até hoje, quando estou com 22. Sinto como se já houvesse perdido as forças para lutar contra isso. Tentei tantas vezes, mas inutilmente. Sinto-me abandonado em um mar de lama, do qual não consigo sair. Talvez precisasse de ajuda, mas quem pode me ajudar? Não, preciso vencer isso sozinho, digo a mim mesmo. Mas já venho dizendo isso desde, sei lá, meus 14 anos e, de lá para cá, nada, estaca zero ou pior, cada vez afundando mais no vício… Praticamente não tenho amigos, namoro nunca houve nem haverá e o pior de tudo: distanciamento de Deus, espiritualidade acabada. É como se só me restasse a solidão, a tristeza e esse vício, que traz alguns momentos de euforia, seguidos de mais tristeza ainda. O que eu faço?
É difícil lembrar ao certo quando tudo isso começou. Eu diria que a semente do mal sempre esteve presente em mim ainda na mais tenra infância. A televisão e, mais tarde, a internet, foram só os principais meios através dos quais o mal pode aflorar e tomar conta de minha vida. Lembro-me de muitas coisas do meu passado ainda antes da adolescência, as quais não sei se têm a ver, mas que vou tentar expor aqui resumidamente. Meu pai era alcoólatra e pouco presente. Lembro-me que tinha medo dele e que certa vez quase tirou a vida de minha mãe, mas conseguimos fugir. Lembro-me de ter descoberto o prazer sexual ainda muito cedo, não sei o porquê nem como, mas era por volta de meus 6, 7 anos e consistia em vestir roupas femininas escondido (é vergonhoso falar isso, mas quero ser honesto o máximo possível). Pouco tempo depois e por causa desse péssimo hábito, descobri a masturbação. Agora não consigo lembrar a idade em que comecei a sentir desejo pelo sexo oposto, mas foi antes de entrar na adolescência. Não sei se isso é normal. Também lembro que ao mesmo tempo também havia em mim um forte elemento idealizador do amor perfeito, a busca pela alma gêmea, o grande amor da sua vida, talvez por influência dos pais que, quando os filhos ainda são crianças, falam tanto em namoradas para eles e, também das novelas, desenhos, quase tudo na nossa sociedade parece querer vender a ideia de que o homem ou mulher só é feliz quando encontra o amor da sua vida e, devido a isso, tive muitas desilusões ao longo da adolescência, às quais, conforme me lembro, já se iniciaram na infância, quando julgava estar apaixonado pela atriz mirim da novela infantil mexicana e sofria tanto por estar tão distante dela.
Mas daí começou a época em que passei a julgar minha própria aparência e compará-la, problema que se acentuou com o advento das espinhas. Não quero me alongar nessa parte, mas lembro que comecei a ter espinhas ainda com 9 anos ou menos e, com o tempo, elas só foram aumentando. Resumidamente, eu me odiava por causa delas e não só por causa delas. Todos os outros adolescentes ou pré-adolescentes como eu me pareciam tão bonitos, tão melhores do que eu, de modo que me julgava o lixo do lixo, o verme da carne podre, por causa de minha aparência. Eu odiava as espinhas, mas também não gostava e ainda não gosto de meu nariz, que me parece enorme, o típico nariz de tomada, de batata, etc, e principalmente de meu cabelo. E o pior de tudo é que quando olho uma foto minha de quando tinha 3 anos, me dá mais raiva ainda, porque meu rosto parecia perfeito nessa idade e meu cabelo era lisinho e loiro. No entanto, conforme fui crescendo, tudo em mim foi se deteriorando: cabelo ficou crespo e sem cor, além de rarefeito hoje em dia. E meu rosto encheu-se espinhas. Pode não parecer muita coisa, mas isso me fez desejar a morte, me fez detestar a existência. Existir era e é um peso. Afinal que sentido tem essa existência em que todas as outras pessoas são normais com seus rostinhos perfeitos e seus namoradinhos e namoradinhas, enquanto você parece um monstro, um ogro, uma criatura horrenda. E o pior de tudo, você ainda nutre um maldito sentimento que julga tratar-se de amor por uma garota que provavelmente sente nojo de você. Mas ainda assim ela foi, desde a 3º série, o "Grande Amor" de minha vida, mas nunca notou que eu existia. Na verdade, ela tinha vários namorados e eu era um trouxa por gostar dela. Meus olhos se abriram na 7º série quando a vi ser “amassada” por outro cara bem na minha frente na sala de aula no horário do recreio. Essa foi minha primeira ou segunda decepção amorosa. Foi também neste ano que abandonei a escola. Eu já não aguentava mais: era horrível sentir-se um monstro em meio de pessoas normais. Pena que minha mãe nunca entendeu isso. Nunca tive coragem de falar a ela e muito menos a meu pai que o problema eram as espinhas. Como ela podia não notar que as espinhas estavam me transformando em um monstro, eu me perguntava? No ano seguinte, também não tive coragem de voltar à escola. Mas além dessa primeira grande decepção amorosa, houve mais 8 paixões inúteis, secretas e também decepcionantes, sendo que as 3 últimas foram as piores. Se fosse detalhar o que me levou a chorar como um idiota por essas garotas, esse relato se transformaria em livro. Mas no fundo, eu nunca precisei delas, pois sempre tive a pornografia e a masturbação ao alcance, as quais não me rejeitavam, mas que eu abominava, sem conseguir, no entanto, sair disso. No início parecia algo maravilhoso. Mas depois que praticava, principalmente pelo consumo de pornografia, me sentia e ainda me sinto um condenado, fracassado, destruído. Após a euforia e o êxtase inicial proporcionado pela pornografia, sempre veio uma sensação terrível, de que eu havia feito algo muito ruim. Eu sentia um remorso muito grande e, em pouco tempo, principalmente por questões religiosas, estava travando uma batalha comigo mesmo, a qual travo até hoje, porém com menos esperanças de vencer. Então, era a pornografia, a masturbação, as espinhas, minha aparência distorcida, o desprezo das garotas e desilusões amorosas, as brigas entre meu pai e minha mãe em casa, a baixa-autoestima e, às vezes, poucas vezes eu diria, pensamentos suicidas (pena que não havia um jeito de deixar de existir sem dor)… Isso foi minha adolescência. No entanto, eu não posso deixar de contar que, apesar de toda essa angústia, sempre recebi o famigerado prêmio de melhor aluno das escolas em que estudei, depois que me vi obrigado a retomar os estudos, é claro, pois, nascido em família muito pobre, tinha que procurar ser alguém na vida e trabalhar, apesar de tudo isso que enfrentava e enfrento. Talvez fosse por isso que as garotas só se aproximavam de mim para me usar, isto é, tirar boas notas e às vezes fingiam mesmo que gostavam de mim, mas eu, tímido e burro, fazia tudo que elas me pediam como um trouxa. Bem, mas eu tinha que prestar para algo mais além de PMO (pornografia-masturbação-orgasmo) e esse algo mais eram os estudos. E, na verdade, não sou eu quem era inteligente, o ensino é que é de péssima qualidade e os alunos desmotivados e sem interesse, pois nem precisava me esforçar tanto para tirar boas notas e nem havia como, pois a PMO roubava a maior parte do meu tempo. Além disso, minha vida espiritual, se é que ela existiu um dia, também foi se deteriorando ao longo do tempo, a ponto de não ter certeza se ela ainda pode ser reconstituída. Eu fazia catequese, minha mãe é católica, eu ia à igreja com ela, mas depois que as coisas ruins passaram a acontecer comigo, nada mais fazia sentido, de modo que abandonei o catecismo e passei a ir à igreja com minha mãe obrigado, pois eu não tinha pensamentos para Deus, mas só raiva dentro de mim. No entanto, muitas vezes eu supliquei por auxílio divino para tentar sair disso, cheguei a prometer e a pedir a Deus que tirasse minha vida caso não cumprisse… E ainda estou vivo! Sei que foi algo feito em um momento de desespero. Houve uma ocasião, a qual não foi a muito tempo, em que retornei à igreja, mas motivado pelo medo do fim do mundo, o qual vem sendo tão frequentemente alardeado, de modo que permaneci limpo por cerca de um mês, mas a gente esquece, a vida parece que continua como sempre, o medo passa e retornei ao vício. Nesse período cheguei a confessar-me com um padre umas 3 ou 4 vezes e fiz o sacramento do crisma, na esperança de que minha vida mudaria, mas aqui estou eu, ainda na estaca zero. Na verdade, de uns tempos para cá, minhas dúvidas religiosas só aumentaram, e já não tenho certeza se estava no caminho certo, se minha família, se minha mãe está no caminho certo, se tantas pessoas no mundo estão no caminho certo. Afinal, onde está Deus e o que Ele pede? Eu sei que eu estou distante dele e não faço sua vontade. Mas e se aqueles que julgam estar perto Dele e fazer sua vontade também estiverem distantes? Não sei… Só no dia do Juízo Final para saber, o qual não deve estar tão distante. Acredito que este seja o relato resumido dos principais acontecimentos que têm ou podem ter algo a ver com meu vício. Por incrível que pareça, estudos científicos têm demonstrado que a pornografia pode ser tão viciante quanto cocaína ou qualquer outra espécie de droga e que não há muita diferença entre o cérebro de um e outro tipo de viciado. Tudo têm a ver com a tal de dopamina e o sistema de recompensa, mas nessa parte eu não sou muito letrado. Melhor não entrar em detalhes.
Fora isso, atualmente me sinto com uma vontade enorme de nunca ter existido, tem horas que me odeio, tem horas que não, ou seja, não me importo. Mas quando vejo pessoas felizes, principalmente casais de jovens namorados, principalmente quando se trata daquela garota por quem eu julgava estar apaixonado, me dá um ódio, uma sensação de desânimo, como se a droga dessa minha vida não tivesse sentido nem propósito. Me olho no espelho e, como diz a música, “me vejo do avesso”, me acho horrível. Penso que pessoas feias como eu deviam ser condenadas a algum tipo de reclusão perpétua, porque minha vida já é uma prisão em vida mesmo. Por que esse maldito destino precisa ser tão cruel comigo? Quando tudo isso vai acabar? Quando todas as pessoas deixarem de existir, o que não acho que vai demorar muito tempo para acontecer, haverá paz na terra e principalmente paz para os atribulados.

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Escrito por Anônimo

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