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Incertezas da vida.

"Se ao menos alguém tivesse tirado um pouco do seu tempo para ouvir meus desabafos, cada palavra que eu tinha dentro de mim, teria sido diferente. Hoje vou-me com a sensação de nunca ter chegado. De não me sentir bem-vindo, de não fazer parte deste lugar, de não ser igual às pessoas que convivem ao meu redor… É tudo tão esquisito. Estou a partir, e é duro saber que ninguém se preocupou comigo".

Será que alguém realmente me conheceu? Esta é a questão. Posso afirmar que não! Se há alguém que perdeu tempo para me tentar perceber e entender o que se passava comigo, os porquês da tristeza que constantemente sentia fui eu, sim eu própria.
Com 20 anos de convivência comigo, posso dizer que sou uma das melhores pessoas que já passaram por este mundo.
Sou fantástica, muito esperta e sempre, mas sempre atenta a tudo o que se passa ao meu redor. Jamais alguém pode fazer de mim parva. Posso afirmar que a minha intuição está sempre certa, o que faz com que seja uma pessoa solitária, porque nunca encontrei uma pessoa que fosse sequer parecida comigo.
Esta vida não tem pessoas boas, tem pessoas más, pessoas que estão felizes com a infelicidade dos outros, que são capazes de tudo para passarem por cima uns dos outros e no fim ainda de ficarem com a consciência tranquila como se nada tivessem feito.
Mas como coisas boas que a minha personalidade tem, claro que também tenho muitos defeitos. O defeito que mais me magoa em mim própria é o de ser uma pessoa negativa, sou negativa com tudo e em tudo. No meu pensamento se tiver que correr alguma coisa mal, vai ser comigo.
Fico triste por não conseguir gostar de mim, porque ao fim ao cabo não gosto, tenho uma auto estima muito baixa e não é por ser apenas gorda, é por tudo, por ser muito branca, por ter sinais, por tudo. Claro que só comecei a sentir-me assim naquela fase horrível que é a adolescência, em que começamos a ouvir comentários na escola que nos deitam a baixo e depois é ver que temos sempre aquelas amigas lindas, magras que a roupa fica sempre bem e que para além de lindas são super inteligentes.
Tudo isto são fatores que me fizeram chegar ao estado em que cheguei, acho que nunca me olhei assim para o espelho e me senti como me sinto agora. Não gosto de mim e ponto final.
Eu sinto que, por exemplo, se olharem para mim do pescoço para cima, toda a gente diz que sou muito bonita, linda etc, mas se me "destaparem" e me mostrarem por completo os comentários que vão surgir já não serão os mesmos. Vão ser que sou gorda, me visto mal e tudo o que possa mesmo afetar-me.
Sei que sou bonita, tenho uma cara bonita e tenho noção que se fosse magra a minha cara seria muito mais bonita. Com esforço também sei que sou capaz, mas como tudo na vida iria levar o seu tempo e o meu "drama" está acontecer neste momento. Mas lá está, no meu ponto de vista as pessoas quando vêm uma pessoa bonita, julgam-na mais porque para elas é como se fosse uma obrigação sermos um género de pessoas perfeitas, pessoas que são bonitas e magras.
Eu sei que os comentários que oiço me influenciam de alguma maneira, porque começo a pensar que se aquela pessoa disse que eu estava gorda é porque se nota; mas o meu achar que estou gorda não é totalmente pelos comentários que me têm feito ao longo destes anos. Eu acho-me gorda, não gosto da minha imagem porque todas as roupas têm um tamanho e eu já vesti o M por algum tempo e do nada ir a uma loja e ver que nem o XL me assenta bem é como … O que quero dizer é que eu simplesmente não gosto de ser gorda, quero poder vestir todos os tipos de roupa, vestir as jardineiras, os calções e até mesmo os vestidos de que tanto gosto. Logo eu, uma pessoa com tanto gosto e tão original! Neste momento me pudesse vestir como gosto, iria estar deslumbrante.
A dor que tenho dentro de mim é como uma ferida que não cicatriza, as palavras brutas que me são ditas ferem-me, destroem-me.
Tento-me convencer que não tenho motivos para fazer tal crueldade, que não sou uma pessoa de pensar em acabar com a minha vida, porque sou cobarde, tenho medo e o meu maior medo para além do "e se me doer?" é … "e se não resultar?", se eu tentar morrer e não conseguir?, "se ficar cá na mesma mas ainda em pior estado?" Mas depois vêem os "mas?", os mas, dizem-me que talvez fosse preferível destruir-me de uma vez por todas, do que os outros destruírem-me aos poucos. Quero desaparecer deste mundo cruel.
Sinto que escrevo estas palavras em modo de socorro, modo de pensar se o que penso fazer será mesmo o certo?!

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Escrito por Anônimo

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