Bem!… Eu relutei bastante até decidir desabafar. Então vamos nós.
Tudo começou há seis anos, na Amazônia, durante uma expedição. Eu e meus colegas de faculdade coletávamos amostras raras. Eu tinha parado para descansar um pouco, quando senti uma picada na altura da canela. Eu cheguei a ver o animal… uma pequena serpente azulada cuja espécie não era catalogada. Eu acabei desmaiando. Só acordei horas depois numa cabana local, sob os cuidados de um curandeiro local. Quando eu mencionei a serpente que me picara. Meus colegas riram, acreditando se tratar de delírio. A tal serpente era considerada apenas um mito, uma lenda local. Segundo os nativos, a picada da víbora azul era usada como último recurso na tentativa de salvar alguém que beirasse a morte. O veneno dessa serpente ou matava imediatamente ou simplesmente curava definitivamente. Segundo a lenda local, os antigos veneravam a víbora azul. Mas eles próprios acreditavam não passar de uma lenda. A lenda dizia que os curados pela víbora nunca mais adoeciam.
Lenda ou não, eu tinha certeza do que tinha visto e fiquei obcecado. Então, dois anos depois eu retornei ao local, com o intuito de conseguir capturar uma. Eu já tinha me formado também em Biologia. Química e Física eu já exercia há três anos como Professor da USP. Mas essa minha aventura não foi patrocinada. Na verdade não era pra ninguém saber. Pois eu não tinha a intenção de provar a existência da espécie. Eu só queria estudar seu veneno. Pois desde que havia sido picado, nunca mais tive sequer um resfriado leve, além de ter ficado curado da minha alergia crônica que me obrigava a sempre estar com minha bombinha por perto. Eu já estava ficando sem recursos para me manter e pagar o dia dos meus três colaboradores nativos. Uma semana… nada de víbora azul. Mas acabei sendo contemplado pela sorte, justamente quando voltávamos depois de mais uma busca frustrada. A última, na verdade. Eu fiquei em êxtase quando vi a serpente nas mãos do coroa. Todos comemoramos. Eles ficaram ainda mais extasiados. O problema é que agora eles não queriam liberar o animal para mim. Eles confessaram que só me ajudaram pelo dinheiro, mas que me consideravam mais um desses cientistas malucos. Nem mesmo eles acreditavam que a víbora azul realmente existisse. Entretanto, eles me permitiram trazer uma amostra de seu veneno.
CONTINUA

