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Rotina louca de uma mãe louca

Vocês já pesquisaram sobre o TOC hoje? Imaginando que não, vou detalhar a rotina de uma pessoa que sofre de transtorno obsessivo compulsivo.
Tenho 22 anos e ainda moro com a minha mãe. Meu pai é falecido e eles nunca estiveram oficialmente juntos por conta do temperamento difícil dele e já pela neurose da minha mãe, apesar de ser mantido um relacionamento amigável entre nós.
Desde sempre minha tia (irmã da minha mãe) foi tudo que precisei, sempre cuidou de mim com seu melhor alternando em trabalho, arrumar a casa, preparar almoço, nunca deixava faltar nada em casa, enquanto minha "mãe" trabalhava, chegava, como adulta, as vezes reclamava da comida e ia dormir na cadeira (sim, ela dormia na cadeira da nossa cozinha) não sei desde quando, mas essa era sua rotina.
Minhas lembranças de infância são claramente minha tia arrumando meu cabelo pra ir pra escola, me defendendo dos bullies que sofria, enquanto minha mãe se ocupava em fazer nada para ajudar na casa e estabelecia regras ridículas para limpeza como: não sentar na cama com roupas "da rua", "não usar pijamas fora da cama", entre outras regras inúteis. Minha tia como uma das melhores pessoas que conheço nunca questionava muito, apenas seguia. Quando saímos eu e minha tia, os conhecidos perguntavam como ia minha mãe e ela sempre dizia "ah, não muito bem" "daquele mesmo jeito" e eu ficava brava porque na minha inocência não fazia ideia do que acontecia e porque minha mãe seria "doente".
Eis que os anos se passaram e a situação só piorou, as brigas entre as duas eram constantes e eu só fui entender o motivo de tudo, quando finalmente amadureci, fato que infelizmente ocorreu 4 anos atrás quando minha tia começou com os primeiros sintomas de alzheimer, foi aí que eu percebi que tinha algo de muito errado com a mulher que biologicamente seria minha mãe.
Minha tia logo ficou dependente de nós para tarefas básicas, porém minha mãe não deu conta nem do necessário, mesmo já aposentada:
•Íamos comer muitas vezes 1h, 2h da manhã, que era o horário que ela conseguia deixar a comida pronta (não consigo explicar o porque da demora, mas quando questionada dizia que não tinha tempo;
• Minha tia não tomava banho todo dia (também não havia tempo)
• Ela discutia e gritava com minha tia mesmo sabendo que ela não tinha mais consciência das coisas
•Quando minha mãe passou da cadeira da cozinha, pro sofá da sala, ela dormia e minha tia ficava sentada muitas vezes, durante a madrugada, no sofá, porque minha mãe não a colocava pra dormir
Essas são só algumas das coisas que aconteciam por aqui. Daí você que já chegou até aqui deve estar se perguntando "ta ok então, culpar sua mãe é fácil, mas por que caralhos você não fazia todas essas coisas que sua mãe não fazia??" Eu te respondo "é aí que está o grande centro da historia, justificado pela loucura que é a cabeça dessa mulher: ela não me deixava fazer NADA! Sim, eu tentava, eu levava minha tia pra cama e: armava um escândalo porque ao colocá-la na cama "cedo" (1h da manhã, geralmente horário que eu ia dormir) ela levantaria "cedo" e consequentemente daria trabalho pra minha mãe. Eu não conseguia fazer comida, porque nada que não seja do jeito dela estava certo.
Por fim isso acabou pois consegui convencer meus tios a colocarem minha tia numa clínica, foi pensado na hipótese de uma cuidadora em casa, o que eu prefereria, mas com minha mãe aqui é realmente impossível.
Ela agora está bem debilitada e eu sinto muito a falta dela, agora realmente vejo quem foi verdadeiramente minha mãe, afinal, mãe é aquela que cuida!
Agora você que chegou até aqui vai entender o real motivo do desabafo. Desde a ida da minha para a clínica, o que deve fazer 1 ano e pouco, vivo um verdadeiro inferno com minha "mãe", anoto sempre relatos de coisas absurdo que vivencio e escuto, pois a doença dela chegou a um nível absurdo, insuportável e eu estou a ponto de não conseguir fazer nada dentro de casa, que não gere uma discussão. Vocês sabem o que é arrumar briga por conta de "mão suja", limpar o quarto, colocar embalagem "suja" em cima da mesa?? Imagino que não, mas só pra quem ficou confuso, vou descrever situações cotidianas que passo aqui em casa:
•A única tarefa doméstica que realizo em casa é a limpeza do meu quarto, sim, ainda por conta de que não posso organizar um cômodo, jogar coisas fora sem ouvir um sermão que dura semanas e quando digo sermão, quero que pensem em gritos e alteração, como se tivesse sujado ao invés de limpar, o que não faz sentido porque disse se tratar de um TOC com limpeza ne? (Mas nessa altura do campeonato eu nem sei mais o que faz sentido aqui). Enfim, eu esperei ela sair pra eu limpar meu quarto que estava a meses acumulando poeira e eu espirrando por causs da rinite.
Pessoa normal: limpou o quarto ok!
Minha mãe: "você tem fogo de limpar esse quarto?" "Eu que ia limpar" "você varreu? Porque isso enche de pó minha cama" (praq a cama se ela não usa não é mesmo? Me explique;
•Chego em casa e vou abrir a geladeira.
Pessoa normal: ok!
Minha mãe: vai verificar o sabonete pra ver se está seco ou não e se estiver fica perguntando se realmente lavei as mãos e não desiste até eu responder (eu geralmente minto);
•Compro uma bolacha e coloco na mesa
Pessoa normal: ok!
Minha mãe: "agora eu vou ter que passar pano com sabão na mesa porque você colocou essa pacote sujo aí!"
■ Detalhes importantes adicionais: ela lava embalagem de várias coisas que vem em plástico: pães, bolos (alguns ja estragaram porque entra água); Mesma regra das embalagens é válida pra geladeira, tem que lavar tudo antes de colocar dentro; Ela nunca faz arroz e feijão, é sempre um ou outro, aí ela come puro, uma vez ou outra tem mistura, porque ela não cozinha (ela demora 1 dia, juro pra tirar o feijão e o arroz do molho) ela simplesmente separa a quantidade e deixa la (quando estava desempregada ja fiquei várias vezes sem comer, pois ela gasta em chocolate, bolos e bolachas.
Vou encerrando bruscamente por aqui pra não ter um desabafo tão ridiculamente grande, mas ainda tem muitas coisas que passo diariamente que me enfraquecem e me esgotam, as citadas não são nem metade do que vivo todos os dias, como ela não aceita que é completamente fora de si, as coisas só pioram e nem pense em recomendar um psiquiatra pra ela, pois ela surta e não aceita mesmo.
Obrigada a todos que leram e pra finalizar só encerro com a reflexão que amor de mãe é uma coisa muito relativa pra aquelas realmente não nasceram pra isso.
Ps: ja estou trabalhando em sair de casa!

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Escrito por Anônimo

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Será????