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Tenho medo de perder minha Major Tom.

Ela e eu; 8 anos de amizade; desde quando ficar banguela era normal; desde que chamávamos a professora de tia e que morríamos de medo da "loira do banheiro".

Melhores amigas inseparáveis.

Lembro-me quando a vi pela primeira vez ㅡprimeiro dia de aula: a garota era tão lerda e presa em seu próprio mundo de desenho cujo tema era "férias" , que não ouviu as várias vezes em que a professora falava seu nome incomum "Nayla"; o que resultou em eu ter que cutucá-la até a criatura prestar atenção ao seu redor.

Ela era aquele tipo de criança abobalhada, divertida, sem medo de se expressar e curtir; mas ao mesmo tempo, muito sensível, como um floco de neve, que ao tocar, derrete.

E foi em uma dessas crises de sensibilidade, que nos tornamos amigas. A garota estava aos prantos, pelo simples fato de não achar o banheiro. Eu, como uma boa heroína, lhe disse o caminho, e assim começou uma amizade infinita.

Com o tempo, aquele grupinho de "coleguinhas" foi sumindo, mas nós continuavamos ali, rindo juntas até do ar.

Nayla e eu contra o mundo! As mini escritoras que um dia vão ter um reconhecimento digno de um livro!

Ela, sempre foi solta. Eu, de solta, por algum motivo fui me tornando cada vez mais retraída, tímida, e com um estranho medo de pessoas (como se elas fossem me atacar). Mas ainda sim, ela permaneceu do meu lado.

Nós somos o tipo de amigas que não conseguem nem ficar por um dia brigadas. E foi em briga boba, daquelas que por pura raiva momentânea falamos mentiras que doem o peito, que recebi minha primeira confissão. Ela se confessou pra mim, e falou coisas que me deixou em extremo choque.

Eu na época não sabia o que era gostar. Eu era ingênua, muito boba, que precisa de um letreiro piscando pra entender algo.

Eu nunca tive esse preconceito ridículo de sociedade medieval sobre a sexualidade, e a mesma já havia me dito ser bissexual. Mas não esperava que ela gostasse de mim.

Então eu apenas pedi desculpas, e no dia seguinte fingi que nada tinha acontecido. Fingi que não tinha mexido comigo e que tudo na minha mente se tornou uma grande bagunça.

Meu pior erro.

Nessa época eu gostava, sem nem saber o que era ter borboletas no estômago e o peito ardendo como o inferno, de um amigo. Ele era bonito e muito gentil, e minha admiração e influência de amigas que estavam na tal fase boba de "ter um crush-barra-senpai" me fez confundir um gostar de amar.

Até que com o passar do tempo, alguém conseguia me aquecer. Alguém tomava meus pensamentos, alguém conseguia me deixar feliz por nada.

Nayla.

Eu, em um dia no qual ela me abraçou forte, apenas soube que estava apaixonada. E eu guardei isso.

Eu guardei cada momento, e tentei demonstrar que eu a amava mas… Eu nunca fui muito boa em sinais, e ela me faz derreter cada vez mais a cada sorriso.

E então ela se apaixonou por outro alguém. E ela está radiante.

Tão radiante que me queima.

Meus ciúmes me fizeram até inventar sobre um "namoradinho" virtual (já acabou, eu não sei mentir muito bem).

E por mais que eu tente me aproximar, algo como uma enorme parede me deixa distante.

Eu não quero magoá-la, mas, toda vez que ela fala da garota que ama, me dói. As palavras somem e eu não consigo, por mais que eu tente, sustentar uma expressão de felicidade.

Eu sou tão egoísta.

Ontem, ela uma notificação chegou. Aparecia na tela: "Eu beijei…"

Meu coração começou a palpitar tão forte que pensei que minhas costelas não suportariam. Não consegui sorrir, e foi como se algo em mim tivesse rachado.

Meu coração se partiu.

Fiquei horas e horas tentando clicar na notificação, mas eu não queria, eu não queria ver e me machucar.

Até que quando eu arranjei uma falsa coragem, abri e estava escrito "eu beijei a bochecha da Bianca (garota que ela gosta)".

Por algo tão bobo, eu me senti tão triste.

Como se tudo no mundo fosse péssimo, como se nada fosse dar certo e que eu era o maior fracasso.

Eu me olhei no espelho e percebi que, uau, perto da Bianca eu sou… Feia, horrível.

E, eu me senti acabada. E percebi o quanto eu a amo.

Por algo bobo.

E, eu não consegui responder. O que eu faço? Eu não quero ver, eu quero fugir… Mas eu não quero ser assim. Eu queria dizer "Espero que sejam felizes juntas", porque não importa o quanto eu ame alguem, isso não me dá o direito de estragar sua vida, mas seria uma completa mentira.

Eu quero estar feliz com a Nayla. Eu quero que ela me beije na bochecha. Eu quero que ela nunca me deixe. Eu quero dizer coisas românticas que eu sei que ela adora e escrever uma história de nós duas, sobre o quanto eu a amo.

Eu não quero perdê-la.

Eu estou tão confusão, como nunca antes.

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Escrito por Anônimo

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