Nunca imaginei os rumos da minha vida quando casei. Pensei num mundo maravilhoso e estável. Depois de 14 anos, a rotina, o cansaço, e a desilusão com algumas atitudes do meu marido, me fizeram tomar certas decisões que me trouxeram pra uma realidade que jamais imaginei. Mas no meio de tantos destinos trágicos no mundo, não posso reclamar. Me sinto melhor assim. Hoje tenho 43 anos, me casei tive 2 filhos. Fomos contruindo a vida e conquistando as coisas. Tinha muitos problemas com sexo, pq eu era inibida e ele muito rápido. Como homem eu adoro ele. Mas as atitudes dele nem sempre eram boas. De vez em quando ele sumia, não avisava que ia chegar tarde, me deixava sozinha e as vezes chegava de madrugada bem alterado, com cheiros fortes de cigarro bebida e outras coisas que nem sei. Eu perguntava onde estava, ele desconversava ou brigava, colocando a culpa em mim. Eu sabia q na maioria das vezes estava bebendo em barzinhos. Mas algumas vezes, acho que não. Chorei, engoli seco, me segurei muitas vezes. Tentei ser compreensiva, era só me avisar, atender telefone, , mas nem isso. Pq só ele tinha o direito de se divertir ?
No começo do ano passado, no aniversário dele, quis fazer uma surpresa, pra ele. Comprei um vinho, fiz uma lasanha, e uma lembrancinha. Era pra ele chegar 18:30. Não chegou. As 20:00h mandei um whatss. Não recebeu. Então liguei. Caixa postal direto. Liguei enfurecida várias vezes. De novo isso ? Perto das 21:00 peguei as crianças e levei pra casa da minha mãe e pedi pra elas dormirem lá. Voltei pra casa pra esperar ele e depois botar ele pra fora. Eu sabia que ele estava me traindo. Eu estava decidida. Mas fui me acalmando, e tomando vinho. Quando me lembrei de um cara que vivia tentando puxar conversa comigo aqui no prédio. Eu ainda, movida pelo ódio desci, e fiquei perto do play-ground onde ele volta e meia passava, ou ficava lendo. Tremendo, misto de ódio, raiva, medo, sei-lá. Pensei em voltar, mas ficava naquele vai-não-vai. Meio que torci pra ele não aparecer, com medo de fazer besteira. Mas pra minha desgraça ele apareceu. Passou perto de mim e falou qqr coisa, e eu de tão nervosa, nem entendi. Só falei oi, e ele parou, voltou e sorrindo começou a falar do tempo, do elevador, do sindico etc… e eu tensa. Ele percebeu meu nervosismo tentou ser simpático, dizendo que era uma sexta feira boa pra sair e tomar um vinho. Foi a minha deixa. Eu olhei firme pra ele, e com o coração acelerado e a respiração curta, disse que sair eu não queria, mas que tomar um vinho seria uma ótima idéia. Então ele falou que se não tivesse problemas a gente poderia ir no apto dele tomar vinho (ele sabia q eu era casada, e eu sabia q ele era separado). Eu disse tudo bem, mas que tinha q fazer uma coisa antes. Então combinamos que em alguns minutos eu iria. Ele se foi sorrindo, e eu imediatamente fui pelo outro lado buscar a chave do meu carro, coloquei o carro à umas 2 quadras, para que meu marido, se chegasse não soubesse que eu estava no condomínio. Mandei uma whats pro meu marido xingando ele, desliguei o celular e fui para o apartamento desse vizinhoe. Por incrível que pareça, quando cheguei em frente ao apto dele, uma calma tomou conta de mim, fiquei bem. Quando ele abriu a porta, me arrepiei. E passei a melhor noite da minha vida, com risadas musica suave, e o melhor sexo que já fiz. Várias vezes. Muito intenso. O toque , a pegada, o cheiro, tudo afff. Às 4:30 liguei o celular e vi um monte ligações e mensagens no whats a partir da 1:45 da manhã. Chegou e não me achou, ficou louco, xingou, mais de 40 ligaçãoes e mensagens gritando, xingando, ameaçando e depois pedindo desculpas.
Cheguei em casa ele estava dormindo pesado, fui pegando as coisas dele e colocando pra fora do apto, e ele acabou acordando, meio sem condições de entender nem discutir, mesmo assim mandei ele ir embora. Eu vi a vergonha que ele estyava sentindo, fiquei com pena, mas se eu fraquejasse, depois eu seria a vítima de perguntas e acusações sem fim. Ele melhorou pegou algumas coisas e foi embora pra casa dos pais dele.
Ser casada é ter família, é ter marido. Mas é também é ter filhos, sogra, sogro, cunhados, sobrinhos, amigos em comum. Não é fácil acabar com um casamento. As pessoas ficam chocadas e tristes. Então após, 2 meses, depois de conversar e ele chorar pedindo desculpas, implorar pra voltar, eu chamei ele e falei calmamente pra ele que era definitivo, e não queria mais aquela vida, que eu estava à procura de um companheiro e não um dono. Foi então que ele propôs eu tentar só pra ver se ele realmente ia mudar. Então resolvi falar que eu havia saído algumas vezes com outra pessoa. Ele ficou desesperado, transtornado. Alguns dias depois voltou a me procurar, me perguntou se eu estava apaixonada pelo outro, e disse que ele estava disposto à deixar tudo pra lá se eu quisesse tentar. Eu respondi, que nunca mais ia deixar ninguém regrar minha vida. E se ele quisesse voltar, podia, mas nunca tentasse controlar meus horários, pq ele nunca me deu satisfação e eu ia fazer o mesmo. E eu nunca mais ia lavar uma camisa pra ele, nunca mais is deixar comida na mesa pra ele. Se quisesse podia pegar na geladeira, afinal eu tinha emprego, tbm pagava as contas de casa e ainda trabalha igual uma idiota pra ele. Se ele quisesse ele teria que cuidar das crianças igual a mim, ir no mercado, lavar roupa e lavar banheiro. Não é que ele topou ?? Depois de uns 8 meses eu vi que ele melhorou muito, e todos da família estavam me tratando igual à uma rainha. Mesmo assim só senti pena dele. As vezes transava com ele meio sem vontade e ele se esforçava e jurava amor e arrependimento. Então falei pra ele da minha vontade de separar em definitivo dele e ficar com outra pessoa. Ele perguntou se era o mesmo que havia saído antes, eu não respondi. Então no calor do momento ele disse que eu podia ficar com quem eu quisesse, mas ele não queria me perder. Hoje minha vida é assim, continuo transando com o vizinho e saio de quando com outros. Sei que muita gente pode me questionar, julgar, mas é o jeito que encontrei de ser feliz. Não consigo resistir à uma boa paquera, é muito excitante, me faz sentir viva. O pior é que quando chego em casa depois de ter saído com algum outro homem, é justamente o dia que sou melhor tratada. As vezes me bate um forte sentimento de culpa.
Não sei até quando vai ser assim, mas não pretendo parar. Me sinto viva.

