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Tinha uma pedra no meio do caminho

As mães são vistas como o seio da sociedade, a base dos filhos. Compaixão, carinho, amor, entendimento são características que as compõe e afloram a capacidade de reciprocidade emocional . Entretanto, devo confessar que com 17 anos e morando sozinha a minha é o oposto. Pressão para passar em vestibular, controle exagerado nas minhas economias, controle absurdo sobre meus horários e vida social… essas sim são as características da minha mãe que persiste cegamente nesse comportamento ora por puro luxo do patriarcalismo impregnado na família tradicional da qual eu vim, ora pela lenta mudança de mentalidade em relação a me deixar viver.
Há séculos o modelo aceito na família brasileira é "pai, mãe", nada de "mãe, mãe" ou "pai, pai" porque são aberrações e estão condenados ao fogo do inferno, dizem eles. Mulher não pode jogar bola, mulher não pode andar sozinha a noite, mulher só namora depois dos 18 isso se os pais aprovarem o garoto que não deve ter piercing ou tatuagem porque é condenado também. O patriarcalismo continua presente na contemporaneidade, principalmente na minha. Não posso namorar, não posso ter amigos porque eles querem me comer, não posso ter amigas porque a homossexualidade está muito deliberada, dizem eles.
Conquanto, minha mãe deveria mais do que nunca saber o quanto é sufocante e opressor não poder sair ou saber que estará sozinha sempre – não fisicamente, internamente -, saber que as únicas coisas que poderão te consolar está dentro de você mesmo. "Não quero brigar com você", digo eu. "Eu estou perdendo as esperanças, você é perda de tempo, estude mais, eu quero resultado", diz ela.
Destarte, a todo momento milhares de pessoas sofrem com situações similares. A família deveria ser a base de tudo, principalmente da paz interior. Mas quando o amor e a confiança se vão, isso é seguir sozinho. Passo tardes estudando, às vezes tiro tempo para pesquisar tutorial de como amarrar uma corda para suicídio, ou comprando inúmeros remédios dos quais não tomo, simplesmente ainda está cedo, digo eu. Em último plano, amem mais, se importem mais, não exijam demais, porque a pessoa que está feliz aparentemente está sangrando por dentro. E vocês não saberão o motivo de um suicídio por ignorância, pois quando abrimos a porta de casa, já dizia Carlos Drummond de Andrade: Tinha uma pedra no meio do caminho.

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Escrito por Anônimo

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