Tenho 44 anos e vivi ate hoje falando para todos, família, amigos, parentes, que não queria ser pai, não queria esta responsabilidade, cheguei ate esta idade sem de fato ser pai, mas tudo começou a mais ou menos dois anos atrás, uma mudança estranha.
A dois anos atrás conheci uma garota com metade de minha idade, grávida, e no intuito de ajudá-la, acabei me apaixonado por ela, importante mencionar que eu não queria ter filhos, mas não odeio crianças.
As coisas foram evoluindo e quando o Gabriel nasceu ela veio morar comigo, as coisas se seguiram em perfeita sintonia, eu aprendi a gostar do Gabriel, como um filho, fazendo o papel de pai e tudo mais, ate que em dezembro ultimo a tragédia aconteceu.
Marcela veio a falecer em um acidente, peço lhes desculpa mas não irei citar os detalhes do que ouve, foi doloroso pra mim, pra toda família e principalmente para o pequeno Gabriel.
Recentemente me coloquei a refletir, a vida me empurrou um filho mesmo eu não querendo um, ocorre que quando o Gabriel nasceu eu o registrei como pai, já que o paradeiro do verdadeiro pai era totalmente desconhecido, para todos efeitos eu sou pai, minha família não sabe de fato que não sou o pai dele, nem a família dela, nem ninguém. Daqui a alguns anos eu começo a contar para as pessoas, hoje tenho medo de contar e a família dela me tirar a guarda dele, olha só, eu não queria ser pai e estou com medo de perde-lo.
Hoje estou com um garotinho que depende de mim para tudo e ainda me chama de pai, confesso que pouco após a morte da marcela eu pensei em entregá-lo para a família dela, mas repensei tudo e decidi que não.
Por coincidência, outra jogada da vida, o Gabriel se parece comigo, muitos dizem “é igualzinho vc” o que faz com que ninguém se quer suspeite da verdade, não tenho problemas em continuar sendo o pai que ele precisa, tenho condições financeiras excelentes e posso lhe garantir educação, saúde e todo conforto que precisa.
Acho engraçado como a vida me levou a ser pai, meio que me obrigou, eu sou agnóstico, não acredito no deus da bíblia mas acredito que tem algo maior que nos la fora, e se tem, se sabe tudo sobre nos, não pense vc, seja la quem for, que não percebi toda esta manobra, olha, não precisava ter levado a mãe dele, não precisava ser assim, eu já estava atuando como pai, mas dizem que “Deus” sabe o que faz, então que seja feita atua vontade.
São fatos como este que me fazem desistir de ser ateu, mas continuar sendo agnóstico, parece que a vida é uma jogada como no filme homens de preto onde no fim tem aliens jogando com bolinhas onde dentro delas estão os planetas, estrelas, sistemas solares.

