Antes que chegue o time do clichê: "felicidade é relativa, não é a mesma coisa pra todos", vou então dizer o que me faz feliz, e agora quero ver o que essa trupe dirá então.
Eu não sei o que é felicidade, no princípio do conceito, não li muito sobre esse tipo de coisa, então não tenho informação suficiente, mas eu creio que seja PRA MIM, uma sensação constante ou uma vida inteira de satisfação. Pois bem, vamos considerar que a felicidade tenha a ver com a quantidade ideal de satisfação que faça você se sentir plenamente bem.
Agora vamos sair do conceito e ir pra prática. É possível ser feliz (plenamente satisfeito) nesse mundo? NÃO!
Satisfação envolve seu trabalho, as pessoas que estão à sua volta, as pessoas que são IMPORTANTES pra você, a sua sociedade, sua rotina, sua qualidade de vida, etc. Não é possível ter tudo isso, mas alguns conseguem chegar perto, com instrução suficiente e com MUITA sorte.
Mas estou falando aqui do cidadão comum. Eu, por exemplo, não tenho sonhos, tenho um emprego chato cheio de pessoas irritantes. Fora dele são horas perdidas em trânsito na hora do rush, e em casa eu apenas tomo banho e durmo. O pouco de satisfação que resta é aos domingos quando rola algum evento com os amigos, mas aí é que está:
Minha vida, para mim, significa sobreviver até o próximo domigo.
Minha vida pra sociedade não significa nada.
Minha vida para meus chefes e pro governo é dar lucro pra eles.
Aí vocês que não têm uma resposta me aconselham a sair do emprego. Seria perfeito se isso não significasse morar na rua.
E se eu buscasse um estilo de vida diferente? Como o filme Capitão Fantástico, que a família vive numa floresta e estuda pelo simples dever de conhecer o mundo, e não pra se preparar pra essa vida escrota que tenho agora.
Isso não vai acontecer, porque primeiro eu não me sentiria bem sozinho na floresta, e segundo, ninguém iria comigo nessa. Nossa vida não nos pertence, pertence ao governo, os nossos chefes, nem pra nossas famílias elas pertencem. O ser humano evoluiu ao ponto de tornar o mundo uma máquina movida à seres humanos. Nós nascemos porque nossos pais não têm noção disso. Eu nunca criaria um filho pra viver num mundo onde ele ou vive uma vida infeliz ou é abandonado em ostracismo. Não há saída, não posso fugir do emprego, não posso fazer as coisas que eu gosto. Eu queria ser artista, mas como vou ser se o mercado é extremamente competitivo? E não venham com meritocracia, porque essa é uma desculpa pra você se manter iludido na linha de produção. Por exemplo, como eu vou melhorar minhas habilidades de modelagem 3d, algo complexo mas que eu amo, se eu não tenho tempo, como já disse? E quando eu chego em casa, eu não quero ficar em frente à outro computador, eu quero dormir. É uma prisão. Não dá pra competitir com gente que nasce em berço de ouro e tem todo o tempo do mundo pra fazer o que bem quiser, e por esse motivo, tem habilidades incrivelmente superiores às minhas que são uma merda.
Também não tenho certeza se trabalhar com modelagem 3d iria me fazer plenamente ou suficientemente feliz, mas ao menos me daria chance e tempo de experimentar o que eu em 3 anos de trabalho não pude direito, VIVER.
Eu teria tempo pra chegar em casa mais cedo, ou até mesmo trabalhar em casa, como homeoffice, muito comum nesse tipo de mercado. Eu poderia assistir tv finalmente, poderia coversar no telefone com amigos, ou até mesmo sair com eles, teria tempo de namorar, mas se eu largar o emprego agora, eu não vou conseguir outro, vendo que foi uma luta pra conseguir esse. Eu sacrifiquei muito pra esse pouco de nada. E não tenho tempo pra buscar uma solução. Agora mesmo estou desperdiçando minhas preciosas horas de sono pra lhes dizer isso. E se eu largasse o emprego, eu não teria tempo também, porque logo seria mandado embora por não pagar as contas ou morreria dd fome.
Ou seja, NÃO DÁ. Não há alternativa. Por isso acho que condenar o suicídio é estupidez. Tirando os crentes que dizem que sofrer é bom e que é melhor eu continuar sofrendo do que não sofrer nada, o resto das pessoas simplesmente não vêem que não há solução.
Vejam bem, existe dois tipos de vida, a "vida boa" e a "vida ruim".
A vida boa significa você ter uma renda estável, pessoas que se importam contigo. Ou seja, mesmo que você esteja numa situação ruim, ainda assim vai ser no contexto de uma vida boa.
Agora, a vida ruim é você não sentir prazer nenhum ou quase nenhum em nenhuma hora da sua vida. Pode ser desde uma criança pobre foragida de uma aldeia que foi atacada por milícias, alguém que viva em cativeiro vítima de severas torturas durante anos, ou até mesmo um idiota que perdeu a vontade de viver por estar preso num sistema que o trata como robô, onde não há saída e tudo o que faz é trabalhar, tomar banho e dormir. São situações diferentes de graus de sofrimenro BEM diferentes, mas em constância ninguém está bem pela maior ou toda parte do tempo.
Se por exemplo, eu ainda assim tivesse forças pra continuar vivendo, acho que minha vida se encaixaria na Vida Boa, porque apesar de tudo, eu estaria bem, como foram nos primeiros meses desse emprego.
Eu não estou levando tiro ou sendo eletrocutado num porão, mas eu estou me sentindo um escravo. Não percebo valor na minha vida, como ninguém vê também. Não existe tempo pra pessoas me conhecerem e assim eu ver algo a que me importar, eu apenas não tenho tempo, fui consumido pela minha empresa extremamente hierárquica. Sou da camada mais abaixo, e não tenho condição mesmo num conto de fadas de subir de nível. Eu estou cansado. Não estou nem triste nem feliz…
Apenas…

