Eu odeio morar com meus familiares, eles fazem um monte de coisa que eu odeio, já falei com eles sobre isso e mesmo assim continuam fazendo as mesmas coisas, só que eu não posso fazer nada porque a casa é alugada em nome de um deles e então a única coisa que me resta é aguentar essa família, morando nessa casa.
Eu me canso de falar com os familiares sobre as coisas que me incomodam, mas eles falam e fazem mesmo assim. Pior, não aceitam a ideia de eu morar num imóvel alugado, só aceitam que eu saia de casa se for para morar num lugar que eu não pague aluguel (ex.: casa de parentes) e falam que aqui onde moro eu posso economizar o dinheiro do aluguel para ter minhas coisas futuramente. Só que o que eu não estou pagando de aluguel, estou pagando com a paz de espírito, porque aqui onde eu moro tem um monte de coisas que eu odeio.
Para piorar, justo hoje, que estou passando por uma situação extremamente delicada, eles resolveram fazer mais uma coisa que sabem que eu odeio, e isto está me matando de ódio. Minha vontade é sumir dessa casa sem olhar pra trás e esquecer que um dia tive uma família.
“Ah, mas é só arrumar um emprego e sair da casa deles”
Tem duas coisas aí: a primeira é que eu tenho Síndrome de Asperger e sofro com uma coisa chamada rigidez comportamental. Isso significa que certas coisas para mim são literalmente insuportáveis, e uma delas é a ideia de trabalhar num emprego que eu não goste.
Não é frescura, imaturidade, etc. Meu lado racional entende que, se eu trabalhasse num emprego desses, talvez eu conseguisse dinheiro para sair dessa casa e viver longe da família, mas um lado meu, só de pensar nessa possibilidade, me faz ter sintomas que se assimilam à reação que eu teria numa situação de perigo (ex.: poder ser devorado por um leão).
Para quem não sabe o que é isto, pesquisem por “rigidez de pensamento”, “rigidez cognitiva” e/ou “rigidez comportamental” na síndrome, que vão entender melhor. Assim evitam de falar alguma coisa do tipo “é frescura”, “é mimimi”, “é isso”, “é aquilo”.
“Ah, mas revolta com a família é coisa de adolescente”
A diferença é que o adolescente se revolta com a família por 3 motivos:
1 – Ele, quando criança, talvez pensasse que a família era perfeita e, na adolescência, quando viu que ninguém ali era perfeito, talvez tenha se sentido enganado, daí soma isso com as transformações emocionais da adolescência e dá no que dá.
2 – Ele quer mostrar para o mundo que é independente, mas como o cérebro dele ainda não tem o controle de impulsos muito bem desenvolvido e ainda por cima ele está passando por um monte de transformações emocionais, acaba com ele querendo provar isso de modo a excluir a família das coisas, como se quisesse provar que não precisa de ninguém para nada.
3 – Ele tem aquela fase em que começa a ser desenvolvido o senso crítico, mas, como o cérebro dele está passando por várias transformações, ele não sabe fazer isso direito e acaba culminando naquelas atitudes de revolta contra qualquer autoridade, por qualquer motivo (e aí entram quaisquer pessoas mais velhas na família).
Eu não quero provar nada para ninguém nem espero perfeição de ninguém, só esperava ser tratado com o mínimo de respeito. Mas os meus familiares insistem em dizer e fazer coisas que sabem que eu odeio, mesmo sabendo como e quanto tudo isso me afeta.
Para piorar, por eu ter Síndrome de Asperger, meus familiares me superestimam demais, não me ajudam nas minhas dificuldades por não entender como alguém tão “inteligente” quanto eu tem dificuldade em coisas que eles acham “bobas”. Do outro lado, tem familiares meus que, se deixar, me tratam igual a um retardado, porque, na cabeça deles, eu tenho “problema”.
Sinceramente, ou eu vivo em família ou eu sou feliz, os dois não dá. A família e a minha felicidade não cabem no mesmo espaço.