Pablo Pineda, de 50 anos, nunca chegou a trabalhar em pedagogia, área de formação, nem a ter um relacionamento. “A sociedade não está preparada”, reflete.
Pablo Pineda ficou conhecido por ser a primeira pessoa na Europa com síndrome de Down a concluir um curso universitário e, em 2009, ganhou popularidade com a aparição no grande ecrã no filme ‘Yo también’. Recebeu um prémio no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián e o reconhecimento do público. Mas, hoje aos 50 anos, continua a ter a vida marcada pelo desafio e preconceito. Nunca teve um relacionamento amoroso nem chegou a trabalhar na área de formação: pedagogia.
“Prenconceitos”
“A sociedade não está preparada para que uma pessoa com síndrome de Down seja professora. Esse é o grande problema. Porque estudaste uma licenciatura, mas depois não podes ensinar. Como é que um rapaz com deficiência intelectual vai ensinar uma criança? Mas isso não são coisas concretas, são preconceitos”, apontou.
Sobre a vida amorosa, Pablo conta que nunca chegou a namorar. “Agora que tenho 50 anos, é complicado. Teria gostado de ter uma namorada e que me dessem a possibilidade de escolher. Não me teriam limitado ao facto de eu ter síndrome de Down. A sociedade diz-nos que Down com Down, sim, sem Down, não”, referiu, destacando que sempre foi esperado que se relacionasse com outras pessoas com a mutação genética.
“Muito trabalho”
Apesar de se sentir grato pela representação nos Media e pelo reconhecimento do público, Pablo acredita que ainda tem “muito trabalho por fazer”. “É o olhar, a mentalidade, as atitudes. É toda uma cadeia”, explicou.
Pablo perdeu a mãe há dois anos e desde então vive sozinho com o seu cão. Como não conseguiu ser professor, acabou por se tornar orador através da Fundação Adecco. Aqui, dedica-se a quebrar as barreiras com que sempre se deparou.
“Como não me deixaram ser professor de crianças, agora trabalho com adultos. Dou palestras em empresas, comités de recursos humanos, comités de gestão. É mais exigente, para ser sincero. Mas também ajuda a consciencializar as camadas mais altas da sociedade”, vincou.
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Creio que hoje ele não tenha conseguido alçar os objetivos, mas espero que no futuro seus esforços ajudem as futuras gerações a conseguirem o que ele não conseguiu, como se diz, uns tem que engatinhar para que outros possam correr.
A luta dele de hoje pode não trazer os resultados esperados em sua vida mas sem dúvidas está contribuindo muito para que as novas gerações de pessoas com as mesmas dificuldades tenham mais oportunidades em suas vidas.
Exatamente!