Eu confesso que não fui uma boa pessoa. Tive uma infância aparentemente normal, mas nada é o que parece ser. Nunca entendi como o mundo funciona e vou morrer sem saber se estou mesmo acordado ou sonhando. Eu nunca estive satisfeito com minha realidade. Criei um mundo perfeito que mesclou ao real, agora não sei onde estou, ou quem sou. E eu acho que nunca soube. Gosto de escrever e as vezes o que eu escrevo eu faço acontecer. Eu uso as pessoas para encontrar a estória perfeita. Minha imaginação é muito aguçada a ponto de me enganar deliberadamente quando estou perturbado para não chegar ao ponto de me matar para acordar do “pesadelo”. Confesso que nunca tive família e sempre aproveitei e invejei a familia dos outros, pois fosse boa ou ruim, eram familiares que nunca tive. Confesso que fui protegido demais pela minha mãe e acabei desenvolvendo uma aversão social e fui muito apelidado de esquisito e ainda sou, apesar de que hoje eu descobri como ser sociável para conseguir o que eu quiser. Lábia, falácias, dissimulação, desejo desenfreado, uma vontade de me provar é o que me restou. Consigo ser sedutor quando quero e muito cruel. Remorso é algo que associei a perda de tempo, não sei se está correto. Não sou sociopata, nem psicopata, apesar de já me imaginar assim, ou agir assim. me apaixonei por alguém que nunca vou poder ter, pois ela está somente em minha memória, apesar de estar morando tão perto de mim. Guardo esse amor platônico sem poder saber o que significa apaixonar ou até mesmo amar. Apaixonar é obcecar-se de algo, na minha opinião, pois jamais tive a chance de provar algo diferente disso. Já tive uma experiência homoafetivas e não me arrependi, ou senti que fosse gay, mas bissexual. Não sei ainda o que essa palavra significa. Para mim essa afeição só mostra que minha mente busca ser amada, não importando quem fosse já que a mulher que eu quero só existe agora nos meus ideais. Confesso que sinto vontade de me drogar, mas tenho em mente que não seria bom para minha imagem. Já bebi até cair, já fumei. Já tentei suicídio e por muito tempo não soube porque, mas descobri que quando sou pressionado ou sinto que estou ameaçado por um futuro de decadência ou desprezo eu tendo a provocar meu óbito. Confesso que já passei por tratamento, mas no fundo minha vaidade intelectual não permite elogios ou críticas a minha personalidade. Já tive amigos de verdade e me separei deles por medo de perdê-los e notei cedo que só fiz adiar meu medo, mas preferi viver sem amigos que com medo de perdê-los. Confesso que não amo minha mãe e sei que ela não me ama, tudo é fachada para inclusão social. Confesso que sonho e arquiteto assassinatos de pessoas que não conheço. Confesso que já esperei ser assaltado num beco escuro só para ter o gosto de matar alguém, mas nunca aconteceu. Confesso também que sou narcisista e tenho um profundo egoísmo em mim. Eu quero que as pessoas gostem de mim a ponto de moldar-me de pessoa à pessoa. Confesso que gosto de ouvir os segredos das pessoas. Sou um guardador de segredos. Eu gosto de ouvir as confissões das pessoas sem forcá-las e por isso fiz vestibular para psicologia. tenho um talento nato para ouvir, mas nunca para dizer a verdade sobre mim. Confesso que sofro pelas confissões que ouço, como se desejar ser outra pessoa (meu refúgio mental) não tivesse a possibildade de ser tão confortante como eu imagino. O mundo dos outros é tão dolorido quanto o meu. Cada um sabe a dor que guarda. Confesso que se eu quisesse ser muito bem sucedido, eu seria. Porém, esse poder social iria me subir a cabeça e provavelmente meu futuro brilhante acabaria frustrado pelo meus desejos insanos realizadis e nada legais. Não que eu fosse me arrepender, mas é que não espaço no mundo para algo assim. Eu confesso acreditar no pior das pessoas e disseminar a discórdia com meras palavras sedutoras. Confesso não ser ateu, mas nunca pensei em religião como algo que se tenha que escolher. Não penso muito sobre a existencia de deus. Tenho terríveis noites de sono. Eu gosto de ver meu sangue escorrer, como se provasse a minha existência, a minha vivência, a minha humanidade. Já me cortei para aliviar um vazio e uma dor central de sufoco. Já acodei chorando por medo de ser deixado para trás. Sou muito ansioso a ponto adoecer, me deprimir de tanto esperar por algo. Confesso que minha memória é muito pouco usada já que minhas fantasias se mesclam a minha realidade e eu acabo por não saber o que devo lembar ou deixar para trás. As pessoas dizem que sou muito distraído… Confesso que sinto falta de um pai. O meu morreu quando eu tinha 6 anos e descobri que eu não sou fruto de um relacionamento amoroso, pois minha mãe usou um joven de 18 anos para me ter. Esse jovem namorava a sobrinha dela, que deixou o namorado quando eu nasci e todos souberam quem era o pai por eu ter nascido polidáctilo. Não lembro de meu genitor a não ser morto, as mãos cruzadas dedos como os meus… Confesso que isso é minha vida e eu não posso mudar. Não importa o que eu faça eu sei que tudo isso seria de outro jeito se não fosse assim e isso não faria muita diferença. Confesso que meu tempo está acabando e que eu já estou ciente de que causei muitos estragos nas vidas das pessoas, mas mesmo assim não consigo querer consertar. Esse meu mundo perfeito na minha imaginação já não é tão perfeito assim. Me sinto perdido depois de eu mesmo ter rasgado o mapa. Um Teseu sem o fio de Ariadne, um Narciso sem reflexo, um Aquiles sem calcanhar, uma Tróia sem Helena. Confesso ter chorado em muitos filmes e ouvindo muitas músicas. Confesso ter sido impulsivo e ignorante. Confesso ter sido preconceituoso. Ter sido intolerante. Ter dado maus conselhos. Ter traído os meus mitos e ritos. Ter sido educado sem noção. Ter me comportado mal. Confesso morrer todas as noites para dormir. e renascer com aquela depressão profunda e assim já começar o dia com a esperança de morrer ansiosamente ao anoitecer. Ter maltrado meus animais de estimação, mas foi para educá-los. Confesso ter sido maquiavélico por lazer. Ter sido indeferente mais vezes do que já dei espaço para alguém me deixar feliz. Sou um clichê. Sou bipolar. Sou transtornado. Sou irresponsável. Sou melancólico. Sou mais um no mundo. Sou sinestésico. Nostálgico. Sou mais alguém que, sem drama, irá morrer como se nunca tivesse vivido. Sou um jovem de 20 anos que não sabe o que quer da vida. Que tem muito para confessar. Que precisa sofrer muito ainda. Mas eu aprendi uma coisa: não adianta o que você pensa. Você NUNCA irá se controlar totalmente. Há sempre aquela sombra no canto da sua consiciência onde se escondem seus maiores medos e desejos tão juntos que não se pode separá-los. Confesso que um dia a minha mente irá notar que não há mais por que acordar. Os meus sonhos são tão reais quanto tudo isso. Confesso que se eu pudesse me sacrificar para mudar a realidade e os sonhos de todos no mundo, eu faria. Não para ser reconhecido, mas para, enfim, reconhecer.
Luke.

