Olá! Primeiramente quero dizer que gostei muito da forma como escreve, é divertido e inteligente. Descobri seu blog há pouco tempo, pesquisando justamente sobre o assunto… Mas vamos ao que interessa?!rs Sou um cara muito discreto, reservado, porém, muito bem resolvido no que diz respeito a minha preferência ou condição sexual. Antes me achava “Bi”, mas conheci um rapaz, com a mesma idade que eu. Ambos somos estudados, totalmente independentes financeiramente, discretos e reservados. No meu caso eu revelei à minha família que eu AMAVA um HOMEM depois que eu conheci esse rapaz. Houve no início um estranhamento, que julgo ser natural, afinal eles tiveram que “reconfigurar” a imagem, idéia e os conceitos que tinham de mim, passado esse período descobri uma família MUITO AMOROSA E CARINHOSA, ALÉM DE RESPEITADORA! Ressaltando que só senti até hoje interesse em falar com as pessoas mais importantes da minha vida o sentimento que surgiu em mim, pois era tão intenso que não contive em mim mesmo, foi uma libertação para mim! Tudo parecia perfeito, eu namorava um rapaz bonito, independente, com bom nível de estudo, educado, carinhoso… Minha família passou a tratá-lo com carinho e a gostar dele também. Sonhos foram idealizados, palavras afirmativas foram proferidas por ambos e até projeto de morarmos juntos nós já falávamos e acalentávamos. Entretanto, percebia que eu estava mais “resolvido” do que ele, pois não me vejo como aberração ou “algo” antinatural! Pelo contrário, sou um cara do bem, respeitado no trabalho, querido por amigos e familiares. Mas ele não se vê assim, ainda está preso ao padrão da maioria e a uma sociedade que realmente massacra quem não está dentro dos “padrões impostos pela religião ou qualquer outra ideologia.” Tive a oportunidade de conhecer a família dele, pessoas maravilhosas por sinal, mas quando questionava como faríamos no futuro, em relação ao que ele falaria ou não à família dele ele desconversava ou afirmava CATEGORICAMENTE que estaríamos JUNTOS PARA SEMPRE PORQUE O QUE ELE SENTIA POR MIM ERA AMOR! E eu acreditei, desconstruí conceitos, recriei novos conceitos, me sentia feliz, mas um dia, após o aniversário dele, depois de eu ter organizado com minha família um aniversário para ele o mesmo rapaz, que aqui chamarei de: A, simplesmente surtou e terminou um relacionamento feliz, cheio de conquistas, planos, palavras verdadeiras, afinidades porque disse que tinha medo, medo da família descobrir, medo dos amigos do trabalho, medo da sociedade e etc… Choramos muito, era nítido que algum amor por mim ele tinha (?!), ele me pediu perdão por não me “acompanhar”, disse muitas vezes que realmente me amava e que jamais esquecerá o grande amor da sua vida, que sou eu, mas mesmo após alguns acontecimentos, da família dele descobrir tudo, ele negar, da família continuar tratando-o com amor, mesmo depois de tudo o que falei que poderíamos fazer juntos, mesmo após irmos à terapeuta e ele afirmar novamente que o motivo do término era MEDO, ainda que todos ao redor já desconfiavam e até o questionavam, não para especular, mas para o acolher, ele continua refém desse medo e não me procura, não me liga mais, sumiu totalmente… Passados alguns meses do término ainda me vejo triste e pensativo, pois acho muito banal o “medo” ser maior que o amor. Às vezes penso que ele terminou porque é um pouco individualista e não desejava no íntimo compartilhar sua vida com alguém, às vezes creio que foi por egoísmo, por falta de amor mesmo ou até por ele querer levar a vida que ele tinha antes de me conhecer, com total independência e individualidade, sem precisar se preocupar com alguém em especial, tendo muitos relacionamentos fortuitos, apenas no âmbito da satisfação sexual e só.
Para ele é fácil viver assim, pois a família dele mora em Minas Gerais e ele em outro Estado, então facilita viver sem precisar se justificar para a família, tendo que falar o que está fazendo ou com quem está saindo. Enfim, é dolorido e pesaroso ter que esquecer todas as viagens que fizemos juntos, as datas que passamos juntos, as cartas amorosas que trocávamos sempre, as conquistas compartilhadas, as coisas aprendidas juntos, as palavras ditas, o “EU TE AMO, VOCÊ É O AMOR DA MINHA VIDA! ESTAREMOS PARA SEMPRE JUNTOS.” Palavras pronunciadas menos de uma semana antes do término!
Infelizmente ele consegue ser frio e distante… Vez ou outra eu mando mensagens, ele é apenas lacônico e mesmo assim diz que eu não sei o que se passa na cabeça dele, e é claro que não sei mesmo! O que ele quer?? Então ele desconversa e ponto final, encerra a mensagem ou qualquer contato sem nenhum respeito ou consideração pelo que vivemos. Em nenhum momento eu desejei exposição, eu não queria que ele levantasse a bandeira arco íris, nem que virássemos militantes da causa, apesar de ambos respeitarmos quem tem tal postura, só queria continuar vivendo uma história feliz de paixão e amor, que tinha tudo para dar certo e que do “nada” rompeu-se abruptamente. Questionei diversas vezes se é possível ele ter terminado por medo mesmo, mas retruco: Será que o verdadeiro amor não pode suprir tal sentimento? É possível ele ter descoberto que para viver o que “desejávamos” é preciso coragem, é preciso compartilhar, se dividir… Porque tanta frieza? Ele me disse que se casará com uma mulher e tentará sublimar o sentimento que tem por mim, mas não coloquei muita fé em suas afirmações, porém, acho que ele pode fazer isso para agradar os pais, que apesar de muito simpáticos são bem manipuladores. Só sei que ainda sofro e gostaria no íntimo que algo mudasse para melhor entre nós dois, que ele percebesse que o que sinto é amor, um amor capaz de lutar por qualquer dificuldade, um amor natural, tão natural quanto o ato de respirar. Já desejei muito essas mudanças, já esperei “acontecimentos inesperados” da parte dele, mas sei que isso não acontecerá… Infelizmente! Nenhuma palavra de amor proferida foi capaz de esmorecer o coração dele e fazê-lo ver que somos naturais, que amar é natural, que a família pode compreender o amor, que não há limites para quem ama. Sinto tristeza de ver uma história tão rica, com mais de dois anos de relacionamento, ter tal fim. Tento descobrir o que leva uma pessoa a ser tão fria, medrosa, infiel, egocêntrica e individualista, quando o sentimento que se perde, a oportunidade que se ignora é a de ser feliz, de amar e viver um amor sem se reservas. Já perguntei a muitas pessoas qual a opinião sobre isso e qual conselho se poderia dizer para alguém que ainda sente amor por uma pessoa que se diz não ser bem resolvida para viver o AMOR? Ressalto que ele teve mais relacionamentos homossexuais do que eu… O que me deixa bastante instigado quanto a “não resolução pessoal dele” nesse aspecto!
Enfim, tenho notado muita gente complicada e mal resolvida e, é claro, isso deixa um desânimo. No caminho para o amadurecimento (do alto dos meus trinta anos! rs) começo a compreender porque existem pessoas tão infelizes e solitárias, mesmo tendo aparentemente tudo para serem diferentes. Concluo que algumas pessoas não sabem distinguir entre viver a vida com verdade ou passar a vida pedindo desculpas a alguém por suas recorrentes falhas! Só não perdi totalmente a esperanças de “dias melhores” porque no instante em que isso acontecer deixarei de acreditar também em mim, em minha capacidade de amar intensamente e ser verdadeiro com alguém, valorizando um sentimento tão especial, nobre e profundo. Contradizendo religiosos moralistas minha ligação com Deus é forte, bonita, somos amigos, por assim dizer, e creio que nada acontece por acaso, ainda prefiro dar ouvidos ao que afavelmente sempre me diz minha amada avó: “Você é como o ouro, quanto mais provado no fogo, na adversidade ardente, mais brilhante e puro fica.” Talvez eu tenha passado por essa dor, por tamanha perda e decepção, como hoje vejo, para quem sabe posteriormente valorizar profundamente felizes acontecimentos em minha vida.

