Eu confesso que pela primeira vez estou passando um Natal absolutamente sem ninguém perto de mim. Estou separado, e apesar do meu amor ter dado sinais de reinteresse, não telefonou até agora também. Pelo que eu conheço, com certeza o orgulho não permitiu e poder estar com receio da minha reação. Não me conheceu tão bem como deveria, e não sabe que eu ficaria imensamente feliz, mas sem fazer maiores estardalhaços. Mas o que importa é que estou comigo mesmo, eu estou feliz, em paz, bem de saúde. Almocei muito bem com um amigo que me ama sinceramente, dei-lhe um presente que fez ele, a esposa e os filhos muito felizes. O sorriso e a satisfação de todos eles, particularmente das crianças, foi meu grande presente. Agora estou tomando uma água italiana que estava doido para provar, comendo uns queijinhos, umas frutas e me sentindo nas nuvens. E sem ninguém além de mim, meu Deus e meus Anjos da Guarda, sem uma gota de álcool, sem uma música sequer. Estou aqui, sem me sentir só nem infeliz. E quantas pessoas neste momento não estarão enchendo a cara, no meio de um monte de “amigos e parentes”, às gargalhadas, mas interiormente tristes e sofrendo, querendo, quem sabe, estar no meu lugar, ou, ainda vou mais longe, querendo estar ao meu lado, neste exato momento?

