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Sem rumo nem perspectivas

Eu confesso que posso estar a ser muito egoísta pois há muitas (mesmo muitas) pessoas em siuações extremas, muito piores que a minha, mas no entanto, considero legítimo o que sinto, e o que sinto posso aqui desabafar. Não sei se alguém irá ler, mas, pelo menos, liberto nestas linhas alguma da minha angústia e solidão.

Tive, em tempos, uma família “normal”: uma mãe, um pai, e dois irmãos mais velhos. À medida que crescria, apercebia-me que a família “perfeita” que tinha não era bem assim (tal como deve acontecer a todos os adolescentes). Por ex. a minha irmã dizia-me que era adoptada e que nunca deveria ter nascido, quando saía comigo metia-me medo dizendo que me iria deixar no meio da rua…Aos poucos, por estes e outros motivos fui-me tornando uma pessoa insegura. Era alguém a quem ninguém ouvia, que não tinha opinião, era, segundo o meu irmão “a última a falar e a primeira a apanhar”.
Parecia que a única pessoa que gostava de mim era a minha mãe.
No entanto, apesar do amor recíproco entre nós, sentia-me sozinha.
Por vezes, ainda na pré-adolescência pensei que gostava que me acontecesse algo de grave para chamar a atenção…para que me dessem atenção.
Mas nunca concretizei realmente (ainda bem).
Mais tarde, com os meus tenros 15 anos, a minha mãe partiu para um plano superior. Foi aí que, se já me sentia sozinha, agora foi muito muito muito pior.
Tentei-me aproximar da minha irmã, mas ela raramente queria estar comigo ou sair comigo. Sentia-me uma pessoa horrível, desprezível, monótona. Uma pessoa que jamais seria uma boa companhia.
Sim, era (e por vezes ainda é) assim que me via. Mil vezes quis morrer!
Apesar de nessa altura ser uma adolescente que tinha perdido a sua mae, o meu pai e a minha irmã, começaram a ridicularizar-me…e a minha auto-estima sempre a diminuir.
Não sei como é que ridicularizar alguém pode ser bom, muito menos quando é a própria filha/irmã.
Apesar de todos os acontecimentos e da relação distante com o meu irmão, aos poucos foi mudando, graças à existência de uma outra pessoa muito especial, que respeito e sinto como um bom exemplo.
Aos poucos, fui saindo do meu mundo e aprendendo a ser feliz.
Fui tomando iniciativa, esforçando-me mais na escola…até que…decidi sair de casa e ir para a Universidade.
Foi algo muito dificil, pois ao contrario da maioria dos alunos do ensino superior, eu só podia ir a casa 3 vezes por ano.
A relação com o meu pai e a minha irma foi-se degradando. O meu pai continua a ridicularizar-me e a agradir-me sobretudo verbalmente, e quando digo isto, refiro como ex. “Sua besta de merda” (essa é a frase que marca mais, por tantas vezes ser dita).
Apesar de ter chegado a ser a melhor aluna da turma (algo que nunca tinha sido), o meu pai nunca disse “Parabéns”, “Muito bem”, diz “Ta bem” ou “Só 17?”.
Actualmente mal vou a casa, pois não me sinto bem. Não sinto o meu lugar… Se levo algo ao meu pai, é pk tenho muito dinheiro, e assim ele não me dá nada.
Actualmente, apesar de só me faltar um pouco mais de 1 ano para acabar a faculdade, sinto-me sem forças…Isso é visível, pois desde que a minha mae morreu que eu choro por tudo (por tudo mesmo). Sinto-me muito “frágil”. Não aguento mais….
O que me orienta, ou que me ajuda, o meu irmão e a outra pessoa, é onde me irei agarrar.Seguir a minha vida em busca de ser feliz! Não sei como será, pois não quero ser um peso para eles, que já têm tanto com que se preocupar…
Quero encontrar o rumo para a minha vida…e encontrar alguém que me dê carinho, que é isso que preciso.

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Escrito por Anônimo

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2 Comentários

  1. Nossa! Acabei de ler tua história , que coisa,em? Não sei nem o que dizer diante de fatos como esse. Talvez vc tenha que trabalhar algo dentro de vc, para não que seja dependente tanto desses teus familiares. Mas analisando teu caso,, que família fria…nossa! Só tome cuidado para não caí em armadilha de pessoas ruim além de sua família. Se quiser conversar vou deixar aqui meu email [email protected]

  2. Por menor que possa parecer a outras pessoas, o maior problema do universo é aquele que torna nosso cotidiano um fardo porque apenas quem sofre sabe da intensidade do que está vivenciando.
    Você cresceu num ambiente familiar conturbado, com pouca demonstração de afeto e o pouco que recebia vinha de sua mãe, que por ironia do destino se foi deste plano quando você completou 15 anos…uma idade conturbada de mudanças físicas e psicológicas que por vezes necessita de orientação.
    Apesar de tanto sofrimento, de rejeições, você seguiu a vida e está a beira de concluir o ensino superior.
    Mesmo que tudo pareça sem sentido, não desista de encontrar o seu caminho.
    Algo bom ainda espera por você…
    Desejo tudo de bom e muita luz em teu caminho.

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