Eu confesso que odeio o comum. A vida comum. A idéia de casar, formar uma família, se lascar para pagar uma casa e a escola de crianças e terminar a vida em função disso me deprime e me incomoda. Sempre que vejo fotos de casamentos, de planejando a vida a longo prazo e tendo uma vida simples cotidiana me incomoda. Sempre que vejo aquelas conversas de noivos, me dá uma sensação estranha e saio de perto. Sempre que vejo casados planejando como vão lidar com o orçamento para comprar uma geladeira, me bate uma agonia.
Já terminei 2 namoros no ponto que a exigência por casamento e por essa comum reinava. Mas eu nem quero isso para mim. Até consigo me imaginar morando junto, mas não queria perder a liberdade e ser escravo da vida cotidiana por isso. Eu quero algo maior. Acho que a vida é curta demais para fixar residência numa cidade e viver uma vida pacata comum. Eu quero conhecer o mundo e não viver uma vida de formiga, que é uma operária que trabalha em função de algo pré determinado. O problema que a própria sociedade fica te pressionando a seguir o rumo da vida comum. Talvez porque exista todo um mercado em volta disso e isso alimente o sistema. Ou por algum motivo que desconheço.
Sabe aquela música do Chico Buarque “Cotidiano”? Aquilo me desespera. E o ruim que aquilo nos persegue. As vezes acho que prefiro morrer pulando no meio de tubarões do que viver assim, pois pelo menos no caso dos tubarões, eu estarei morrendo fazendo algo diferente.

