Eu confesso que Fumei maconha durante 9 anos. Comecei a fumar com 20 anos e hoje, logicamente, tenho 29. Iniciei o uso de maconha no primeiro ano da faculdade de direito. Como a maioria dos usuários, em princípio, fumava com meus amigos. Costumavamos nos reunir na casa de um deles toda sexta para fumarmos juntos. Com o tempo passou a ser sexta e sábado. Depois de algum tempo, sexta, sábado e domingo, até que quando dei por mim estava a fumar todo dia. Na sala em que eu estudava, tinha um colega meu que fumava maconha, bebia muito e até cheirava! No entanto, ele continuava indo bem nas aulas, tirava as notas mais altas da sala, tinha namorada, trabalho, enfim, tudo normal e podem acreditar, ele levou dessa forma até o final do curso e nunca reprovou. De todos que eu conhecia e que fumavam maconha, este colega de faculdade era o que mais me impressionava e, em razão disso, pensava que poderia levar as coisas como ele: usar drogas e continuar a vida normalmente. Confesso que pensei de forma imatura, pois hoje vejo que com 20 anos minha personalidade não estava totalmente formada e segura e acredito que isso seja normal nesta tenra idade, por isso cuidado jovens!. Pensamos que já somos homens, maduros, independentes, com o vigor fisico a mil, mas qualquer um sabe que um jovem de 20 anos ainda tem muito o que amadurecer. Continuando; o que eu não sabia naquela época era que eu fazia parte dos 10% que experimentam maconha e se tornam dependentes, viciados mesmo no negócio. De fato, a personalidade aditiva pode se manifestar em qualquer droga ou atividade, ou seja, voce pode se tornar viciado facilmente em café, chocolate, coca, internet, sexo entre outros. Para isso basta voce ter a personalidade voltada para o vício(fazer parte dos 10%). Aquele colega de faculdade que mencionei claramente não tinha tendência ao vício. Hoje entendo como ele conseguia conciliar maconha, bebida e outros com uma vida social e acadêmica normal: ele consumia eventualmete e por não ter personalidade aditiva, só usava quando era oportuno(é claro que não estou falando de crack e cocaina pois são drogas extremamente viciantes PARA QUALQUER UM, independentemente da personalidade).
Enquanto isso meu consumo de maconha aumentava cada vez mais e para piorar comecei a beber também, porém, nunca me tornei dependente de bebida(graças ao Altíssimo). Por outro lado, fumava maconha ao acordar, depois do almoço, antes de ir para o trabalho, depois que saia do trabalho, fumava um para conseguir dormir, enfim, qualquer coisa que eu fosse fazer: um passeio, cinema etc, tinha que ser antecedido por um baseado. Meu círculo de amizades ficou limitado, pois era formado quase exclusivamente por maconheiros. Pessoas que não fumavam eram amigos “café com leite” se é que me entendem. Chegou a um ponto em que eu comecei a fumar sozinho pois o vicio era tanto que não queria dividir mais minha maconha com quem não tinha. Foi nesse momento que percebi que estava muito viciado, porque ou eu estava fumando maconha, ou indo até as “bocas” comprar mais ou me recuperando dos efeitos da droga, ou seja, eu ficava “chapado” 24 horas por dia. Apesar de tudo, consegui me formar mas não sem antes perder o prazo para entregar meu TCC..(tirei 9,5 apesar de tudo) a platéia estava lotada pois todos sabiam que eu fumava e queriam ver como me sairia na apresentação, porém, eu entendia tudo do meu tema que no caso era a Lei de drogas kk(sabia tudo da lei e dos “bastidores” do tráfico pois vivi pessoalmente a realidade do que eu disse, foi como se fosse uma espécie de laboratório igual ao que os atores fazem para incorporar um personagem, por exemplo, na novela salve jorge, as atrizes frequentaram prostíbulos para representarem com fidelidade a realidade, a diferença foi que o meu “laboratório” não foi planejado, me viciei de verdade no bagulho. Pelo menos eu consegui canalizar toda aquela experiência com drogas em algo válido e produtivo, e que me rendeu uma boa nota e também fez com que meu trabalho ficasse exposto na estante de exibição da faculdade(trabalho-modelo). No mesmo ano em que me formei passei no exame de ordem(OAB) na primeira tentativa. Nesse dia, acordei cedo e fumei uns 3 baseados no período da manha(a prova era a tarde). Passei só por Deus mesmo. Não consigo ver lógica em passar numa prova dessas chapadaço, só com ajuda Superior mesmo, ainda mais porque eu não dormi direito na noite anterior pois estava muito ansioso, e quando o maconheiro esta ansioso o que ele faz?fuma maconha claro, isso mesmo que eu fiz, se não bastasse ter fumado antes da prova fumei muito na noite anterior e para piorar não estudei praticamente nada, fui apenas com a “bagagem” adquirida na faculdade. Que não sirva de exemplo o que eu fiz viu! Pois foi Deus que me ajudou nessa prova e também foi generoso com meu QI(132, nota obtida no teste da cerebrals society, sociedade que reune pessoas com alto QI, acima de 145, com minha nota sou aceito apenas pela MENSA).
Hoje sou formado, tenho registro profissional e até então não estava trabalhando, sabem por que? cheguei ao estágio de ficar só em casa fumando maconha, vegetando e com uma depressão profunda. Distante da família, quase sem amigos, sem namorada, sem expectativas, planos, nada. Cheguei ao fundo do poço mesmo. Por sorte, quanto mais me afundava no vício mais aumentava a minha FÉ EM DEUS. Comecei a ler a Bíblia toda noite antes de dormir e mais do que apenas ler, passei a meditar nos ensinamentos do Altíssimo e também a praticar o que aprendia.
Gostaria de ressaltar que a evolução do meu vício foi gradativa como voces podem perceber, ou seja, demorei 9 anos para chegar ao fundo do poço. Portanto, se voce que é jovem e esta lendo meu depoimento(os velhos tbm rsrs, estamos em uma sociedade democrática), não pense que isso só aconteceaconteceu comigo.
Não espere 9 anos para cair na real como eu cai agora, não pense que voce é inatíngivel, inabalável, que é melhor do que eu, nem que é inteligente suficiente para uar e não cair nessa (até porque QI acima de 130 é superior a 98% da população mundial) e mesmo que voce diga que tem 145, 150 de QI, nem mesmo alto QI isentará voce dos riscos e consequências advindos do uso de drogas. Ufa! acabei o relato galera e só para terminar, esse é o meu segundo dia de abstinência. Estou plenamente decidido a parar de fumar maconha. Estou lutando muito e com a felicidade e conforto de ter Deus ao meu lado nesta empreitada. Que o Senhor abençoe e ajude a todos nós!”

