Eu confesso que odeio o que eu sinto pelo os meus pais. Esse sentimento que me atormenta pode ser por causa da minha idade, talvez esta seja uma das respostas… Só sei que cultivo um rancor, uma raiva por estas pessoas que me gerou, desde de criança. Devo admitir que ela nunca me maltratou como fisicamente da maneira que se é visto em depoimentos que se passam na televisão, porém agressões um tanto quanto mais “leves” já foram acometidas a mim. Sem falar nas psicológicas que marcam e atormentam qualquer indivíduo que as sofram. Eu que sempre me esforcei (e me esforço) para ser uma boa filha e principalmente uma boa amiga. Fico indignada com o tratamento que recebo dela e do meu pai. Me assusta o descaso que eles tem comigo. Para o meu pai pagar as minhas roupas, escola e comida já é o suficiente para expressar todo o amor que ele sente por mim… Ele está enganado! Uma relação filial não se baseia em favores e muito menos em algo material, se baseia em conversas, em afeto, no próprio amor que um sente pelo o outro. Muitas vezes sinto uma indiferença tão grande da parte dele… Sinto meu coração quebrar em mil pedaços. Tantas vezes ele me olha com ódio, eu percebo. Xingamentos, humilhações já se tornaram cotidianas, e isso é errado, não pode acontecer. Ele fala muitas coisas como se estivesse no “direito” de me chamar a atenção em relação ao meu distanciamento em relação a família, fala muitas vezes que temos que melhorar a situação, que as coisas não devem ficar assim. Ok, eu concordo! Mas e você pai? E você? Cade o seu comprometimento com as coisas que fala? Eu não vejo, e to aqui esperando. Já a minha mãe é agressiva, bipolar, inconstante comigo. Ela me diz que desde de criança a minha vó a tratava mal, a espancava quando ela era criança. Qual o objetivo dela? Ser assim também? Ela tem uma doença psicológica e desdo começo eu tento a ajudar a se estabilizar, dando todo o apoio e o carinho que ela “necessita. Lembro de muitas vezes dela chorando comigo, se lamentando de muitas coisas, principalmente de não ter um emprego. Eu nunca fui muito religiosa, mas ela sempre me pedia pra rezar e para pedir para que as coisas melhorassem. Eu fiz isso, mesmo não tendo muita fé. Resolvi rezar todos os dias, deixei de pedir coisas para mim (Como passar na faculdade de medicina que é o meu maior sonho) e comecei a pedir saúde e que ela arrumasse um emprego. E assim se fez, depois de um tempo que eu estava rezando constantemente por ela, vem o emprego que ela tanto esperava. Não falam que Deus escuta com mais facilidade as crianças/adolescentes? Assim se fez, acredito eu. Mas voltando ao tempo que ela não possuía tal emprego, eram inúmeras as vezes em que ela conversava comigo, chorando, e me prometendo fundos e mundos, e eu acreditando… Tola! Aquelas lágrimas, promessas eram verdadeiras? Eu me comportava como uma adulta, dava conselhos, escutava, me segurava para não me mostrar frágil. Para que? Para no final das contas ela desdo começo do ano me ignorar, humilhar com mais frequência e intensidade. O que eu fiz pra ela? Tenho percebido que o meu irmão de 8 anos tem cada vez se distanciado mais de mim, por conta da influencia desta mulher, que devo chamar de mãe, por convenções sociais. Ela vive botando caraminholas na cabeça de uma criança contra mim. Nossa diferença de idade já é grande, o que nos afasta e ainda por cima ela fala mal de mim pra ele, fala para ele não falar, não olhar para mim, diz que eu sou um monstro, um capeta, um demônio. Isso machuca! Você ouviu? Isso me machuca! Desde de que me entendo por gente ela me xinga de tudo quanto é nome. Já me “acostumei”. Não sei o que dá na cabeça dela, mas tudo o que acontece de ruim é culpa minha. Tenho percebido que ela faz alguma coisa errada, uma besteira, quebra algo e bota a culpa em mim. Eu me defendo, mas não adianta. Ela usa dos seus artifícios para convencer Deus e o mundo de que fui eu… E não foi. Um dia eu cheguei a conclusão que 99% das coisas ruins que eu senti e cultivei dentro de mim são provenientes dela! Nunca contei isso pra ninguém… Mas eu já tentei me matar 3 vezes, entre meus 12 e 17 anos. Não considero isso normal, já me convenci de que devo viver, mas é doloroso falar sobre isso. Ela sabe que já tentei me matar uma vez quando tinha 12/13 anos. Lembro até hoje das palavras delas “Se você for se matar mesmo, se mate no boxe do banheiro para eu não ter que limpar a sujeirada que você vai fazer”. Nossa como isso dói. Ela sabe que sou sensível, e quando tocam nesse assunto sou mais ainda. Em jantares de família ela sempre comenta sobre o fato o ironizando na frente de todos comigo do lado, muitas vezes tive que engolir o choro e me retirar para não demonstrar a todos que aquela “brincadeira” era séria. Porque ela fez isso sabendo que me machucava tanto? Eu já pedi pra ela não fazer, mas ela sempre fazia… Lembro de muitas coisas que me marcaram (de forma ruim) na infância . Uma vez ela me obrigou a descer e a falar com todos, eu devia ter uns 9 anos. Eu não queria já era tarde e eu estava com sono, eu sentei na beira da cama com os pezinhos encostados no chão e ela pisou tão fortemente neles que eu fiquei uma semana com o peito do pé roxo como se tivesse levado um pancada. Tive desde de pequena que inventar mentiras para disfarçar as marcas pelo corpo. Arranhões, marcas de unha, de cinta e chinelo pelo corpo eram comuns. Quando criança já levei um tapa na cara, pois estava com saudades do meu pai. Aos 16 anos tudo piorou, ela me tratava (trata) como uma estranha de rua, a qual são remetidos violência e xingamentos, ela já partiu pra mim várias vezes, nunca revidei, pois ainda me sobrou um pouco de respeito que me impede de fazer qualquer coisa contra esse ser. Já desejei tantas vezes que ela morresse… Acho triste uma filha desejar isso a mãe, mas o estranho é que eu não sinto remorso em relação a isso. Sabe aquela relação que vem da alma? Aquela ligação de outras vidas? Um amor incondicional que supera a tudo e a todos? Eu nunca senti isso. Juro que não é drama, nem coisa de momento. Já refleti sobre isso em momentos de paz interior, e cheguei a conclusão que eu nunca senti isso na vida. Nunca senti uma ligação com eles. Nos poucos momentos de paz que vivencio em casa, nos quais nos falamos e nos tratamos de maneira amigável, eu não sinto amor por eles, no máximo uma apreciação ou um momento de alegria que logo se calará. Será que um dia eu irei amar alguém de todo o coração? De verdade, uma amor que não cabe no peito, que não se expressa em palavras? Eu espero, espero mesmo. Não criar meu filho da maneira que eles me criaram. Tenho medo de ser para os meus filhos, o que os meus pais são pra mim. Tenho medo de não conseguir amar. Eu tenho que fingir para todos que sou feliz com a minha família, que os amo, enquanto na verdade nada disso acontece ou é real. Me sinto envergonhada por muitas vezes, quando um professor ou amigo expressa carinho por mim… Eu me sinto tão feliz, querida. Aquilo que eu não tenho em casa me faz falta. Um abraço as vezes faz o meu dia valer a pena. Percebo que desconto tudo na comida, me sinto feia, forço vomito, tomo laxantes, engordo emagreço, tenho nojo de olhar pra mim,choro de ficar com a cara inchada, me comparo a todos e me sinto inferior. Quero que isso melhore, que me sentir melhor. Quero ter fé em Deus, ter fé na vida. Quero “tentar” outra vez…

