Eu confesso que por tudo que passei nessa vida até hoje, jamais aceitaria ser desprezada dessa forma. Eu sai do fundo do poço, da sarjeta, sozinha. Pra compreender o tamanho do meu amor e devoção por este homem, só sabendo exatamente quem eu sou. E no que eu me tornei por ele. Leandro é o seu nome. Por ele eu fiz (e continuo fazendo) tudo. Leandro, minha eterna obsessão. Eu conheci o Leandro na pior fase da minha vida. Eu havia começado a trabalhar na Rua Guaicurus, logo após eu ter feito 18 anos e ter me assumido travesti, e com isso fui expulsa de casa pela minha família que é mórmon. Naquela época eu era inexperiente, e estava desesperada pra arrumar um jeito de me sustentar, então aceitei o primeiro “trabalho” que apareceu. Conheci meu cafetão, o Edvalderson, por meio de uma amiga da faculdade. Ele agenciava ela há sete meses, e parecia que a coisa toda ia bem porque ela sempre andava bem vestida, morava sozinha num apartamento em Cidade Jardim e o mais importante: tinha um Samsung Galaxy S4. Se isso não é sinal de status, não sei o que mais poderia ser. O fato é que na minha situação tudo aquilo parecia convidativo demais, e eu não pensei duas vezes quando ele pediu pra me agenciar. O Edvalderson providenciou tudo pra me transformar numa bela fêmea, de próteses de silicone a roupas novas. Antes de ir pra rua, eu passei por uma espécie de “pré-estreia”, onde o Edvalderson tratou de me mostrar tudo e qualquer coisa que os clientes poderiam querer fazer comigo, talvez para que eu me preparasse e não me assustasse tanto na hora de fazer de verdade. Ficamos por 8 horas naquele quarto…
Continua…

