Eu confesso que gostaria de entender por que a religião e o tema religião, desperta tanta emotividade e animosidade. Ainda há pouco tive uma discussão com minha mãe, que é católica. Eu estava lendo um texto sobre absurdos bíblicos e comentei um trecho. Ela teve uma reação emocional forte, me chamou de “burro”, disse que eu não acreditava na “vida”, não acreditava na “mãe”, no “pai”, meu pai de fato, não acreditava em “deus”. Que é deus que me protege por causa das orações dela. Perguntei por que temos que ficar implorando para deus… Se ele é bom porque temos que ficar pedindo para ele nos proteger? Ela disse que deus só faz mal a quem é mau. Eu perguntei por que então pessoas boas, que às vezes estão até saindo da igreja depois de terem “louvado à deus” morrem em acidentes? Fiz várias perguntas. Ela apontou o dedo na minha cara “tu tem que acreditar em deus sim!”. Eu disse: “Se eu não quiser acreditar nele o que ele vai fazer, me matar, me destruir?”. Ela disse: “Vai sim!”. Eu falei: “Não entendo então que deus bom é esse… Imagina se eu vou matar e destruir uma pessoa porque ela não concorda comigo, porque ela não acredita em mim.. Imagina se eu fosse bom assim, eu seria preso..”. Em fim, paramos a discussão. Ela disse que lê a Bíblia todo dia e vê que “tem uma coisa diferente da outra, que uma hora lê uma coisa depois lê outra”, mas que não se importa.. Não esperava uma reação tão passional, ofensas de “burro”, “morte”, acusação de não “acreditar” nos meus progenitores.. Mas esse não é problema só da minha mãe, é um fenômeno social, a herança cultural monoteísta bíblica, a meu ver, canaliza emoções negativas fortes. Não sei se é a causa, mas parece que estão ligadas. Religião só é algo pacífico quando você não fala nela.

