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Sinto-me culpada

Eu confesso: meu nome é Sigrid. Eu tenho um grave problema de consciência que me persegue há vários anos que se tornou uma obsessão e quero me livrar dele de vez, por isso estou neste desabafo. É uma longa estória que preciso contá-la por inteiro, por isso eu não si se ela vai ser publicada por ser muito longa. Eu já procurei alguns psicólogos para ajudar-me a resolver esse problema. Todos eles afirmaram que eu não eu tenho culpa alguma, apenas me antecipei o afloramento daquilo que mais cedo ou mais tarde certamente aconteceria um dia e que essa antecipação não lhe causou trauma algum, mais tarde, mais adulto, poderia vir a causar, disseram que pelo contário, até veio favorecer aquela pessoa que eu julgo ser minha vítima. Mesmo assim ainda me considero culpada porque fui eu que provoquei toda aquela transformação, caso tivesse sido provocada por outra pessoa aí não eu teria nada com isso, mas infelizmente fui eu a causadora do que aconteceu por minha interferência direta, forçando aquilo que acabou dando no que deu. Naquela época eu tinha dezoito anos e minha irmã Ingrid vinte, somos descendentes de suecos. Moramos no Rio de Janeiro, num apartamento em Ipanema, na Avenida Vieria Souto. Tudo começou acontecer numa quinta-feira que antecedia o carnaval, quando pela manhã meus tios Frederic e Sonja com o meu primo Eric chegaram de São Paulo, eles vieram para se unir com meus pais para juntos viajarem para a Europa em férias, passariam lá um mês. Meu primo tinha naquela época treze para quatorze anos ia ficar conosco nesse tempo. Como filho de pais nórdicos, tinha uma altura acima dos nossos padrões brasileiros, pela sua estatura podia passar por um rapaz de dezoito anos, mas não pela sua fisionomia ainda de uma criança. Era um menino muito bonito, cabelos meio longos, louros levemente cacheados enchiam toda a sua cabecinha, olhos azuis, faces naturalmente coradas, um belo tipo escandinavo. Ele demonstrava certa timidez e descrição no falar, era muito bem educado, um ótimo aluno, gostava de esportes, praticava vôlei. Naquele mesmo dia, após o almoço, os quatro foram para o aeroporto levados pela minha irmã Ingrid. Eu fiquei só com ele. Em nossa conversa vai conversa vem eu perguntei se ele gostava de carnaval, ele disse que sim, principalmente agora que pela primeira vez iria passar o carnaval no Rio. Então, lhe disse que eu tinha a nossa turminha muito animada e havíamos programado todo o nosso carnaval; na sexta e no sábado e no último dia nós iríamos ao nosso clube que ficava bem próximo do nosso apartamento, no domingo e na segunda-feira assistir o desfile das escolas de samba na Marques de Sapucaí. Então, disse que havia um problema que tinha que ser logo resolvido. Porque, para entrar no clube durante o carnaval a noite só era permitida à entrada de maiores de dezoito anos, a fiscalização era rigorosa. Mas, ao me surpreender pela sua me estatura de pronto me ocorreu uma idéia e lhe fiz uma proposta. Disse-lhe que eu não gostaria de deixá-lo só esses dias de carnaval, dentro desse nosso apartamento vendo televisão porque as empregadas estavam de folga, sinceramente gostaria que ele nos acompanhasse, mas, a meu ver, a única maneira dele poder entrar era de transformá-lo numa bela mocinha. Ele se recusou ir fantasiado de mulher, apesar de eu insistir muito. Finalmente, dizendo-lhe que não encontrava outro jeito eu perguntei se topava ou não. Depois muito refletir, mostrando se constrangido, acabou dizendo que sim. Falei que todas nós íamos vestidas com a mesma fantasia. E por feliz coincidência; uma garota do nosso grupo resolveu na última hora acompanhar os seus pais numa viagem ao exterior e deixou a sua fantasia completa para quem quisesse e eu creditava que ela iria servir bem em nele e fiz com que ele experimentasse a fim de poder fazer alguns ajustes a tempo. A fantasia era muito simples; um corpete tomara que caia e um saiote cheios de babados multicoloridos, nos pés tamancos brancos, na cabeça cada uma levava uma peruca, cada uma de uma cor diferente e colares, brincos e pulseiras. Ele vestiu a fantasia que ficou certinha sem precisar de ajuste, até os tamancos serviram justinho. Havia uma segunda fantasia que foi usada no ano anterior, era de grega, uma camisola com um ombro só, coroa de louros prateada na cabeça e sandálias rasteiras que tinha um cadarço que era entrelaçado nas pernas até os joelhos, um dia íamos com uma no outro com a outra. Resolvida a questão da fantasia eu lhe disse que no dia seguinte todas nós iríamos reunir no nosso apartamento a fim de fazer a maquilagem e duas manicures e uma pedicure iam fazer as unhas nossas e de minhas amigas. Quando minha irmã retornou do aeroporto contei aquilo que havia combinado com o nosso primo e ela gostou da idéia. Naquela tarde de verão, como frequentemente faziamos, nossa turminha se reunia num barzinho frequentado por nós, o grupinho foi chegando aos poucos, meu primo foi então apresentado era o único garoto na turma e todas gostaram muito dele. No dia seguinte, por volta das três horas chegaram duas manicures e a pedicure e as nossas seis amigas, algumas vezes aparecia umas das mães das meninas, bem como minha mãe Ula que era sempre a última a ser atendida depois que chegava do seu emprego como diretora de RH de um grande laboratório farmaceutico suiço, por isso a presença semanal de duas manicures e uma pedicure para atender toda aquela freguesia certa. Entre minhas amigas estava a Dulce que era maquiladora profissional que trabalhava na equipe da maior televisão do país. Pedi a ela que transformasse o meu primo numa gata, mas ela depois de bem observá-lo impôs uma condição: não queria palpites de ninguém inclusive dele para que ela pudesse assim transformá-lo numa mocinha de vinte e poucos anos. Na vez dele fazer as unhas, minha amiga maquiladora mandou que antes de pintá-las colocasse unhas postiças de tamanho médio, mesmo assim depois de coladas verifiquei que elas ficaram bem compridinhas, depois apontou para a cor do esmalte; um vermelho bem escuro e levemente cintilante tanto para as mãos e para os pés. Depois que todas estavam de unhas feitas resolvemos descer para comer uma pizza. O meu primo falou constrangido que não iria descer assim de unhas pintadas e preferia ficaria onde comeria alguma coisa no apartamento. Eu então o chamei no meu quarto e lhe disse que o carnaval para ele já havia começado. Mandei que ficasse só de sunga e fui vestindo nele um meu vestidinho branco de alçinhas bem curtinho, um colarzinho e um par de brincos e calcei-lhe minha rasteirinha prateada de dedo em forma de v coberta de stras e ele acabou deixando que eu lhe passasse um batonzinho rosa. Assim ele nos acompanhou. Na pisaria eu e minha irmã nós passamos ver o seu comportamento, parecia uma bela garota, ele na parava de admirar as suas unhas escuras, ora olhava para as mãos ora para os seus pés a todo instante. Uma de nossas amigas disse que nós tínhamos que arrumar um nome feminino para ele, e então eu disse é só colocar um a no fim, e todas concordaram e daí todas começamos a chamá-lo de Érica durante aquele carnaval. Na manhã seguinte depois do banho, meu primo apareceu na copa para o café da manhã estava só de shorts com que havia dormido e com a rasteirinha prateada que havia saída na noite anterior, volta e meia ele não parava de examinar as suas belas unhas das mãos, abrindo e esticando os dedos e volta e meia olhava para os seus pés. A noite, após um lanche, começamos a nos maquiar para ir ao nossa primeira noite de carnaval. Dulce iniciou o seu trabalho em transformar um garoto de treze anos numa moça de vinte anos, base no rosto, depilou quase toda suas sombrancelhas fazendo outra com o lapis próprio marrom, fez sombras azul nas palpebras, sombra nas bochechas para afiná-las, cílios enormes, batom vermelho escuro como as suas unhas, na cabeça uma peruca vermelha. Eu me encarreguei de vesti-lhe a fantasia; corpete, saia, colares e pulceiras e fiz com ele calçace os tamancos. Quando Eric se apresentou ao grupo foi um único oh!… de admiração ninguém jamais poderia se lembrar daquele garoto. Era uma linda gata. Dulce foi comprimentada por todas pela sua obra de arte. À noite por volta das onze horas o nosso grupinho fantasiado se reuniu na porta do nosso edifício e fomos a pé para o clube que estava bem perto. O meu primo assim fantasiado ia passar pelo teste; bem maquiado, com cílios postiços, batom vermelho escuro, encima daqueles tamancos que ele ainda ficava mais alto, assim ele entrou tranquilamente, parecia ter uns vinte anos, brincamos todo o carnaval sem nenhum problema. Na quarta-feira de cinzas, nós todos levantamos mais tarde. No café da manhã eu o lembrei que naquela tarde por volta das quatro horas como havia ficado combinado, a manicure viria somente para tirar o esmalte das suas unhas e apará-las. Então, ele perguntou se ela viria só para isso e eu disse que sim, então, para minha surpresa ele me pediu suspendesse a vinda dela, que ele esperaria muito bem até na sexta-feira. Eu comecei ficar preocupada, meu primo parecia outro, havia mudado muito, mostrava-se destimido, determinado nas suas atitudes e demonstrava que estava gostando de estar se passando por uma garota. À tarde, para não deixá-lo só, eu perguntei se ele queria ir conosco até a Rua Visconde de Pirajá, pois tinhsmos que fazer umas compras e ele de pronto disse que sim, vestiu logo o vestidinho de alças, as sandalinhas prateadas, óculos escuros para cobrir as sombracelhas depiladas, ele me pediu uma bolsinha a tira-colo emprestada e pôs nela o seu cartão de crédito e assim saímos. Enquanto eu e minha irmã entramos numa loja, ele disse que iria espiar algumas vitrines por ali. Ao sairmos da loja o procuramos e custamos muito para encontrá-lo, finalmente nós o vimos cheio de sacolas. No apartamento ele nos mostrou o que havia comprado: dois baby-dolls, um penhoar, dois biquínis, uma saída de praia, duas mini-saias, uma camiseta colorida outra de linho toda bordada as duas de barriga de fora, Três sandálias e uma com saltinho um par de tamacos vermelhos para praia, comprou dois pares de brincos, colares e pulseiras, dois batons, e esmaltes de unhas, um lilás e um estojo completo de maquiagem. No dia seguinte fomos a praia, assim ele pode estrear o seu biquini vermelho e sua saida de praia branca com seus tamancos vermelhos e o seu bonezinho branco que trouxera de São Paulo, sem dúvida era uma bela garota. Na sexta-feira a nossa turminha se reuniu em nosso apartamento para com de costume fazer as unhas e bater papo, um vozerio só. Quando chegou a vez do meu primo ele pediu a manicure pintasse as suas unhas das mãos e dos pés com aquele esmalte lilás que havia comprado. Minhas amigas naturalmente devem ter estranhado, em silêncio trocavam olhares interrogativos. Eu fiquei preocupadíssima com tudo que estava acontecendo comecei daí então a me sentir muito culpada. Chamei particularmente a minha irmã e comentamos a mudança repentina que havia acontecido com o nosso primo em tão poucos dias de tímido passou a ser expansivo e resoluto. Ingrid então lembrou que uma de nossas amigas tinha uma tia psiquiatra e também psicóloga muito competente que era também professora dessa matéria numa das faculdades do Rio, então pedimos a nossa amiga que providenciasse uma consulta com ela. A consulta foi marcada. Antes da consulta eu e minha irmã nós estivemos com a psicóloga e eu lhe contei como tudo havia começado; que quando ele chegou demonstrava ser um tanto tímido, discreto, reservado, mas assim que ele aceitou lhe pintasse as unhas e assim que passou a se vestir como uma garota ele mudou repentinamente de personalidade, de comportamento, mostrou-se mais comunicativo, independente, falando o que sentia, mostrando-se mais adulto para a sua idade, fazendo compras sem pedir nossa opinião. Lembro-me bem de tudo isso. Nós ainda muito assustadas, perguntamos a ele, sérias, o que estava acontecendo, porque o carnaval já havia acabado. Ele respondeu com firmeza impressionante que pretendia andar assim até o fim das suas férias, depois emendou dizendo que não pretendia mais deixar de se vestir assim e andar como andam os homens que não tinham nenhuma graça e que estava curtindo muito estar sendo passando por uma garota. Nós, então, lhe dissemos que havíamos tomado a iniciativa de marcar uma consulta para ele com uma psicóloga, porque a sua transformação havia sido rápida demais. Ele achou ótimo que nos fizemos e falou que precisava também dizer tudo a ela o que sentia. Ele teve algumas sessões de analise, após a terceira a psicóloga nos deu o seu primeiro parecer. A analista, falou que aquele acontecimento era inédito para ela de com se deu aquela mudança repentina. Disse haver procurado algo parecido na literatura especializada, mas, não encontrou nada parecido. Acrescentou que mente humana, não raro, às vezes surpreende até os psicólogos e psiquiatras mais experimentes, como o caso dele que em poucos dias ou mesmo em poucas horas pudesse repentinamente adquirir de repente uma mentalidade feminina, sabendo que é na puberdade as vezes, uma criança poderia vir a revelar a sua preferência sexual mas não com tamanha rapidez. A psicóloga concluiu que por ser um pré- adolescente a sua mentalidade ainda estava em formação e tudo poderia vir acontecer. Ele disse a ela que não havia sentia vontade de praticar sexo, afirmou que nunca havia se masturbado. Concluiu dizendo descontraidamente sorrindo: — “Ele provou e gostou de se passar por uma garota, curtiu, mostrou ter bom gosto, viva nós mulheres, ser homem é de fato muito sem graça, só é bom quando se presta para nos satisfazer em tudo, em tudo mesmo”. Eu reuni as minhas amigas e contei o drama que eu estava passando e pedi a elas que guardassem esse segredo que presenciaram para sempre, a fim de não prejudicá-lo futuramente, elas juraram que guardariam esse segredo sempre; e cumpriram. Nos dias que se seguiram meu primo, quando não ia a praia conosco, passava quase todo o seu tempo diante do computador fazendo pesquisas. Certo dia nos chamou e disse resoluto que estava resolvido mudar de sexo o mais breve possível. Nós levamos outro susto, nos passamos a nos sentir responsável pela sua decisão e dissemos que ele não poderia tomar essa decisão assim, porque se tratava de coisa muito séria e irreversível, que não tinha volta e por que de tanta pressa. Ele contou que tinha feito uma pesquisa pela internet e soube que a mudança de sexo e para sair perfeita tinha que ser feita naquela sua idade. E dentro de poucos meses sua voz poderia começar mudar, penugens no seu rosto e pelos nos seus órgãos genitais se avolumariam, e fazendo logo a cirurgia logo sua voz não mudaria continuaria sopranino, os pelos no rosto e no corpo não iam crescer e fazendo um tratamento hormonal na sua idade, os seios começariam a crescer e seu corpo se arredondaria e os seus músculos ficariam mais flexíveis e os braços mais finos e os quadris mais volumosos e arredondados. Nós ficamos admiradas com o conhecimento que o primo adquirira em tão pouco tempo. Comportando-se como um adulto, pela internet sem falar nada para nós ele marcou uma consulta com conhecido cirurgião especializado em mudança de sexo. Ficamos sabendo posteriormente pelo médico, que ele ficou surpreso, quando soube da sua idade e do conhecimento que ele adquirira corretamente sobre a mudança de sexo, por isso pediu que ele na próxima consulta trouxesse seus responsáveis. Assustadas, preocupadíssimas com a iniciativa por ele tomada resolvemos ir com ele o quanto antes ao cirurgião. O médico falou que realmente o garoto estava certo, que ele estava muito bem informado sobre esse assunto. Lembrou das leis brasileiras exigem que uma mudança de sexo só possa ser realizada após os dezoito anos depois de uma série preparatória hormonal. Mas, em sua opinião de deveria ser feita na puberdade, pelas razões já conhecidas, mas apesar da proibição legal, o médico deu uma leve esperança, dizendo que iria estudar o assunto depois de conversar com a psicóloga que atendeu o meu primo e daí uma semana então daí daria uma resposta definitiva. No dia marcado voltamos lá, meu primo estava cheio de esperança. O médico disse que o assunto era sigiloso e contava com a discrição de todos nós, porque se houvesse a denuncia poderia perder a sua licença de exercer a sua profissão pelo Conselho Nacional de Medicina. Falou que na verdade ele estava esperando há muito tempo por esta oportunidade de operar um pré-adolescente a fim de futuramente após uns dez anos, quando ele estivesse com uns vinte poucos anos completar a operação, então fazendo o transplante do útero e do ovário para que se tornasse uma perfeita mulher. O cirurgião disse que estava disposto a correr esse risco a fim de realizar o seu objetivo científico. Mas, o garoto tinha que se comprometer a fazer a experiência até o fim. O doutor apesar de se especializar em mudança de sexo, ele diariamente fazia outras cirurgias que nada tinha a ver com sexo, quanto à operação em si ela seria oficialmente para tirar um tumor da próstata, ele sabia que podia contar com sua fiel equipe, porque todos eles sabiam havia muito tempo dos seus reais objetivos. Disse por se tratar de um experimento, ele e a sua equipe não cobrariam nada, a família ficaria apenas com as despesas hospitalares. O médico perguntou quando ele queria começar o tratamento o prévio que deviam durar alguns meses. Eu disse que os seus pais por estarem viajando ainda não sabiam de nada e somente após a sua chegada poderia dar uma resposta. Mesmo assim nosso primo estava radiante, confiante que seus pais dariam a autorização. Chegado o dia do regresso, nós três fomos recebê-los no aeroporto. Apesar do nosso constrangimento, nosso primo fez questão de nos acompanhar até o aeroporto. Agora com cabelos mais longos, porque parou de cortá-los, mas bem penteados porque semanalmente ele não deixava de ir ao cabeleireiro. Vestiu-se como sempre; de vestidinho amarelo de alças, sandálias de dedo, brincos colares, pulseiras, maquiado e com as unhas das mãos e dos pés pintadas de vermelho vivo. Ao aparecerem na porta de desembarque nós corremos para abraçá-los, abraços daqui, beijos de lá, seu pai perguntou quem era aquela garota e onde estava o seu filho. Ele abrindo os braços disse sorrindo: “Papai a sua filhinha está aqui”. Foi um choque, os quatro ficaram estatelados, imóveis, quase tiveram um troço não acreditando no que estavam vendo. Eu disse que fossemos para van que na volta eu ia explicando tudo àquilo que acontecera. No carro eles não paravam de olhar para ainda aquele garoto vestido de mocinha. No dia seguinte, ainda não acreditando no que estava acontecendo os seus pais resolveram logo ir primeiro até a psicóloga e depois o cirurgião. Meu primo estava resoluto, nada o demovia, queria porque queria mudar de sexo. Ele disse que seus tios aceitassem, ele continuaria morando com eles, e que não queria voltar para São Paulo por motivos óbvios e que queria que fosse transferido para o colégio onde eu havia estudado. Seus pais acabaram se convencendo tanto pela psicóloga como pelo médico o ocorrido e autorizaram que o tratamento com hormônios fosse iniciado, a cirurgia ficou marcada para o inicio das férias de julho. No segundo semestre a tranferência foi feita, no novo colégio, fora a diretora que foi informada de tudo, ninguém mais; professores e alunos jamais poderiam imaginar tudo aquilo que havia acontecido na vida da nova aluna Érica. Continuou sendo como sempre fora “uma boa aluna”, muito comunicativa fez amizades com suas novas colegas. Enquanto isso eu perdia noites de sono, perdia o apetite, eu me sentia culpada por tudo aquilo que estava acontecendo, dizia para mim mesma; por que eu o forcei vestir aquelas fantasias? O meu remorso era muito grande. No dia da cirurgia, ele foi vestido como se ele fosse para uma recepção, com os cabelos agora bem mais longos por não tê-los cortado há cinco meses, bem maquiado, com vestido de alcinha, sandálias rasteiras, unhas pintadas e batonzinho, seus seios haviam começado a brotar como meia laranja por isso todo contente passou a usar sutiã. O médico entrou no quarto do paciente que aguardava pela cirurgia e perguntou: — “Então, quer mesmo fazer esta operação? Pensou bem? Ainda a tempo de desistir. Porque é uma ida sem volta.” Ele respondeu com firmeza: — “Minha resolução já foi tomada há muito tempo, eu sei que não tem volta e é isto que eu mais quero. Hoje, assim que eu acordei pensei; finalmente chegou o dia que tanto eu esperava, que bom.” — “Sendo assim a enfermeira vai processar a anestesia geral, lhe asseguro que tudo vai correr muito bem”. A anestesia foi feita em segundos o paciente passou a sentir os seus efeitos iria durar umas quatro horas. Eu pedi ao doutor se nós podíamos assistir a operação ele disse que sim, mas, apenas um parente podia estar presente e teria que ficar distante um metro e meio atrás dele. Eu consultei aos seus pais aos seus tios e a minha irmã se eles queriam assistir; disseram que não, não tinham coragem. Então, curiosa, eu resolvi ver como é que é feita a mudança de sexo. A sala de cirurgia estava pronta quando o paciente chegou, ele foi deitado nu na mesa cirúrgica própria para parturientes, um lençol azul cobria o seu corpo da cintura até o pescoço, suas pernas foram postas nos apoios que ficaram bem abertas até a altura dos olhos do cirurgião. A cirurgia foi iniciada. O médico massageou de leve o pênis que ficou bem ereto, duro, pela última vez, isto foi feito para facilitar a operação, para deixar a glande expostas, o médico baixou o prepúcio e tomou o bisturi e começou a cortar logo abaixo com todo cuidado a fim de evitar o menor sangramento possível à pele que envolvia a pele o pênis que logo amoleceu, e foi continuando a cortar pelo o meio de todo o escroto. Uma vês aberto apareceram os dois testículos. O cirurgião tomando na mão esquerda o testículo maior começou a desbastar com extremo cuidado o canal por onde passa o sêmen até soltá-lo depois procedeu da mesma forma com testículo menor, gotas de sêmen começaram a escorrer pelo canal seccionado. A castração estava feita. Eu senti um arrepio, passei a minha mão na minha testa e senti que estava suando frio, minha visão começou a escurecer a minha pressão caiu e pensei que podia desmaiar a qualquer momento, então me firmei numa mezinha de apoio que estava ao meu lado com material cirúrgico para não cair, respirei fundo varias vezes e a minha pressão foi voltando aos poucos ao normal. Atentos com a operação ninguém da equipe percebeu pelo sufoco que eu passei. Mais uma vez me sentia culpada por tudo aquilo que estava acontecendo. Depois tomou o pênis e começou descolar toda a pele que o envolvia e o tomando na mão foi até o nervo que ia se afinando o lugar certo ele sancionou o nervo deixando uma parte exposta, depois eu fiquei sabendo que o fim era de vir servir de clitóris depois de cicatrizado, um dreno foi colocado para a urina se escoar, em seguida fez a retirada da próstata. Parte da cirurgia estava concluída, agora, com a pele que envolvia o pênis e o escroto o cirurgião passou a dar forma à vagina suturando-a, que ficou perfeita que foi depois protegida contra infecção por uma bandagem reforçada. Eu saí da sala de cirurgia exausta. De volta ao quarto do pós-operatório, agora já a paciente ainda estava sob o efeito da anestesia, onde o médico anestesista continuava acompanhando a pressão como a temperatura. Depois de três horas ela foi levada para o seu quarto. Lá de avental e mascara cirúrgica, eu e seus parentes a esperavam que ela acordasse. Finalmente ela acordou meio zonza, abriu os olhos e sussurrou baixinho com voz de sopranino: — “Como foi, correu tudo bem?” Todos levantaram o polegar para cima em sinal de sucesso. Logo chegou o cirurgião e o anestesista. Mais um vês, meio ainda grogue a pergunta foi feita agora para eles. A resposta foi: — “Melhor, impossível, tudo correu como o planejado, o sangramento foi mínimo, nem precisou de transfusão de sangue, por ser você novinha facilitou muito, agora é preciso ter todo o cuidado para não haver infecção hospitalar, porque a região operada é muito perigosa. Ela, agora garota, passou a mão sobre a volumosa bandagem que protegia o curativo. — O cirurgião prosseguiu: — “Você deve permanecer internada por mais um dia depois, uma vez em casa pode alternar a cama dando algumas caminhadas pela casa sempre no plano. Daqui a uma semana venha ao meu consultório para a retirada do curativo. Pela primeira vez ela pode ver com um espelho do espelho com as pernas abertas a sua vagina, sentiu-se feliz. O cirurgião disse: — “A cicatrização completa vai durar entre vinte a trinta dias dependendo a reação do seu organismo, durante esse tempo de sete a sete dias vá ao meu consultório para ver como você está; sexo só daqui a seis meses”. Os anos se passaram agora minha prima com dezoito anos se tornou uma linda mulher, alta, esguia, corpinho de manequim, sempre muito vaidosa sem ser futil, simpática, uma boa amiga de todas aquelas que presenciaram a sua transformação em que acabou se tornou uma mulher como era o seu desejo. Èrica estuda publicidade, também se tornou modelo fotográfico ganhando um bom dinheirinho com isso. Ela sempre sempre se comportou com muita feminilidade mas, sem nenhuma afetação continuando com sua voz delicada de sopranino, sempre muito natural. Ela apesar de ser muito espontânea, expansiva, brincalhona, é uma moça muito educada, além de ter uma ótima educação familiar ela tomou a iniciativa de fazer um curso de etiqueta, sabia se comportar em qualquer ambiente, mesmo nos mais exigentes como em qualquer corte da monarquia européia. Como minha confidente Érica disse que permanecia virgem e pretendia assim se manter por muito tempo, porque nunca se interessou por homem algum apesar de se muito paquerada, ela só pensava na sua carreira, não tinha tempo para namorar e não queria se comprometer com ninguém por enquanto. Ela nunca se esqueceu do compromisso que teve com o seu cirurgião, eles mantinham sempre contato, porque ela tinha o maior interesse de um dia de ser uma mulher completa. Mas, eu continuo com meu sentimento de culpa que se tornou uma obsessão. Quem alguém puder que me ajude.

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Escrito por Anônimo

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