Ao longo de 15 anos, o quase 16 anos, pouco tempo, mas a minha vida inteira, eu aprendi e desaprendi muita coisa.
Aprendi a amar, a odiar, ou será que a gente já nasce amando? Enfim, desaprendi também a chorar por pequenas coisas, a ter medo do incerto, de arriscar, das pessoas, de muita coisa das quais hoje em dia até sinto falta. Também aprendi a me odiar, muito mais do que aprendi a me amar, porém estou tentando desaprender isso também. Nem sei ao certo quando me dei conta de quanto eu era estranha, ou feia, e durante longos anos que não querem sair da minha cabeça ao travei uma batalha contra mim mesma, contra meu corpo, meu cabelo, contra minha pele, unhas, tudo o que eu tinha e que era só meu e de mais ninguém. Travei uma batalha incansável, que dura até agora, nesse exato momento, por motivos tão confusos que nem eu mesma posso explicar. Ninguém, absolutamente ninguém é capaz de me entender. As vezes me sinto bem e nova, e esqueço do que passou, finjo que o passado nunca existiu, mas é só acordar de novo pra ver que tudo aconteceu, que eu me transformei em uma pessoa totalmente diferente do que queria ser, e me serve de consolo acreditar que um dia, talvez, eu irei me realizar. Ser feliz já não é mais uma opção de vida, é o que eu busco e para o que eu vivo, nada mais me importa depois que 4 longos anos da minha vida foram transformados, e hoje, agora mesmo, também não me reconheço. Se as minhas lágrimas, ou as lágrimas dos outros adiantassem, quem sabe hoje eu não estaria assim, mas a dor, assim como todos os sentimentos, também é passageira, ela fica longe, por algum tempo, e depois volta, com um motivo novo, ou o mesmo motivo de sempre e te faz sofrer…
Se lembranças não fossem tão maravilhosas, eu com certeza apagaria aquelas que eu quero esquecer, quando foi que eu mudei? Quando deixei de gostar de todo mundo? Honestamente, queria me recordar desse dia, e se possível, não vive – lo. Porque machuca demais saber quem você era e comparar isso, é pior ainda. Melhor mesmo é não pensar, é ignorar de verdade todas as coisas e lembranças que te fazem voltar para aqueles dias melhores, aqueles dias que você era absolutamente feliz do seu jeito, e que nada em você fosse motivo de tristeza. Pena que há coisas na vida que não podemos mudar, e se algo pudesse ser feito, com certeza escolheria voltar no tempo, bem atrás, quando eu ainda era Eu, quando ainda tinha muita vida pela frente e imaginava aquele mundo cor de rosa, um mundo diferente, pessoas diferentes, tudo era tão diferente…
Não estou sozinha, há muita gente que pensa como eu, muita gente correndo atrás de coisas que nem sabe ao certo o que é, muita gente procurando um ideal, eu procurei, e achei, pena que achei o ideal errado, lutei pela coisa errada e acabei saindo perdedora na minha luta. Hoje me conformo em sonhar, sonhar muito, viver de sonho, de vontade, de esperança. Queria mesmo que tudo fosse pelo menos metade do que eu imaginei.
Não é fácil viver cheio de incertezas, e o medo me persegue, tenho medo dos resultados do amanhã, esse futuro incerto, que pode me revelar muita coisa, e pelo que o meu passado diz, não trará boas noticias. Estou esperando, aquele dia que eu vou acordar e ver que tudo isso, não passou de um pesadelo, aquele dia em que eu vou levantar da cama com o mesmo pensamento que tinha há 4 anos atrás, o mesmo pensamento que foi embora e que nunca mais voltou, aquela menina diferente que tinha outros objetivos, outras metas, outros sonhos.
Agora meus sonhos são limitados, e parte deles, nunca realizei, talvez não saiba correr atrás deles, ou corra atrás dos sonhos errados. Talvez eu sonhe mais do que deva, ou talvez deixei de sonhar quando eu deveria ter fechado os olhos e respirado,ahhh eu tomei tanta decisão por besteira… hoje só posso dizer que o que parecia ser uma fase, deixou de ser a muito tempo, e faz parte do meu dia a dia, queria mesmo que fosse uma crise, uma coisa passageira, mas a cada dia tenho mais certeza que é a minha eterna rotina, o meu karma, a minha luta diária por tentar fingir que eu ainda sou quem era antes, mesmo tendo cada vez mais certeza de que nada mudou nesses 4 anos, e que o meu antigo eu , está mais longe do que deveria estar. Nunca é tarde para mudar, mas hoje eu quero dizer, que joguei a bandeira branca para mim mesma, eu só quero acabar com tudo isso que me faz sofrer diariamente, quero dizer que desisto, não desisto de mim, jamais vou desistir, mas desisto da minha luta, das minhas razões, só quero voltar a reencontrar em paz o meu verdadeiro eu.

