Eu me sinto mt envergonhada e injustiçada, me sinto envergonhada por contar e por terem que me ver dessa forma, e injustiçada por ter que viver isso sendo que ninguém viveu.
Eu vou te contar a história da minha vida, é um pouco longa e marcante, mas eu quero que você leia e pense pelo menos 5 minutos em mim, já que ninguém pensou.
Ao longo dos anos, eu cresci sendo uma criança muito sensitiva e esperta, tinha grandes deduções, e ao mesmo tempo que eu cresci, minha mãe se aproveitou disso.
Ela sempre comprou coisas pra mim, me ajudou financeiramente, mas isso não paga o que ela criou na minha cabeça, esse sentimento de ira e rancor.
Ela sempre me agrediu, por qualquer motivo que viesse na cabeça dela, e com isso, ela me ensinou, com todas as agressões, de que a agressão sempre vence o diálogo, de que sempre é preferível agredir do que dialogar.
Ela sempre me bateu e de preferência chinelo, ela se sente uma pessoa muito além do que ela é, é iludida. Eu nunca pude recorrer ao meu pai porque ele simplesmente me despreza, não me vê importância, e se eu contasse para as minhas avós, elas simplesmente iriam rir da minha cara, iriam dizer que eu cuspo no prato que eu comi, que eu tenho tudo o que eu quero e que sempre tive.
Economicamente eu tive, mas do que adianta se eu sempre fui desprezada e pisada? As vezes eu só penso em me matar, porque eu nunca conseguiria fugir de casa e me dar bem, ela sempre iria conseguir me pegar depois e quase me matar de tanta porrada, e eu não sei o que fazer.
Eu nunca tive muita amizade, algumas garotas tinham medo de vir na minha casa por causa da minha mãe, ela fazia questão de me bater por qualquer motivo e na frente das minhas colegas de classe, e elas viviam fofocando sobre isso, e eu via nelas um olhar de estranheza e pena, e eu nunca vou esquecer uma pergunta que uma delas fez pra mim quando eu avia contado de um tênis usado que minha mãe tinha me emprestado, "- você gosta da sua mãe?".
Essa pergunta é tão traumatizante quanto o ato em si, a garota me olhou com tanta estranheza que eu me senti um sapo feio e cheio de nós da garganta, eu queria dizer que não, queria dizer socorro, mas pela força do momento e o silêncio da sala, eu menti.
não consigo pensar que mãe é algo pra vc amar, eu vejo em filmes ou pessoas comemorando o dia das mães sempre se amando, dizendo coisas bonitas, se abrindo, contando o que sentem, e as mães sempre ajudam as filhas, mas eu não consigo compreender, não entendo como é esse amor de mãe.
Eu me tornei uma jovem depressiva, agressiva, podre como posso dizer, perdi todo o brilho e a lápide que eu tinha, e eu sempre quero sair com várias pessoas diferentes, não quero namoro, quero carinho, e sempre com vários, eu nunca consigo preencher esse vazio que ela criou em mim.
Acho que a negatividade que ela criou em mim foi tanta que afastou muita gente de perto, eu cresci sozinha porque nem meus irmãos queriam brincar comigo, minhas colegas de escola me achavam tosca e me tratavam como se eu tivesse problemas mentais, e eu nunca consegui voltar ao que eu era, a garota que era excelente em matemática, tirava altas notas e era super esperta e especial.
Isso foi bem antes das agressões começarem, eu só sei que ela destruiu até o último fio de cabelo meu.

