Carlos se queixava no site Meus Desabafos.
—Tá cada vez mais difícil encontrar um macho pauzudo que queira me enrabar.
Ele era uma cdzinha enrustida, casado há 15 anos.
Sua esposa, Maricélia, ralava no trampo, como faxineira diarista e não imaginava que seu marido passava o dia na internet, xingando petistas e usando aplicativos de encontros, tentando encontrar algum roludo que topasse fodê-lo.
—Eu perco muita chance quando digo que sou bolsonarista.
O Joca, por exemplo.
—Um gato. Negro, atlético, caralho do tamanho de um braço de criança. Mas é biólogo e só quer saber de quem vota na esquerda.
Carlos toca o áudio da mensagem dele no zap.
—Vai se fuder, gado maldito! Viado que vota no bozo é muito brochante. Não te como nunca. Morra!
Carlos sorria tristemente. Ninguém o compreendia.
—É por isso mesmo que eu voto no Imbrochável.
O fato é que ele estava há vários meses sem tomar gostoso no cu.
Decidiu que não ia mais passar vontade.
Entrou no mercado livre, na sessão de produtos adultos, e começou a pesquisar plugs anais, vibradores e calcinhas de aquendar.
Sempre que entra na vibe erótica, envolvendo putaria gay, ele assume sua feminilidade e se transforma em Carluchinha Cross. Começa a ter trejeitos femininos, a falar em falsete agudo e a dizer as coisas no diminutivo.
—Coisa mais fofinha essa coleção temática de vibradores.
Os motivos eram inspirados na Disney.
—Mickey, Pluto e Pateta… ai! que bonitinho!
Outros produtos tinham recursos musicais.
—Ainnn… Esse plug aqui conversa com o Spotify.
Carluchinha Cross era fã do Supla.
—Será que toca o Charada Brasileiro?
Ela ia clicando no site.
—Ainnn… são tantos… tão lindinhos… cada um parece mais gostoso que o outro. É mais difícil de escolher do que deputado federal.
Até que…
—Ainnn… olha aqui… que lindoooossss! E tem a coleção completa.
Os modelos eram numerados.
–Número Zero, número Um, número Dois… vou comprar todos. Pago com o dinheiro da Maricélia e digo pra ela que doei essa quantia para o comitê da campanha. Ela vai brigar, mas nem vai desconfiar…hihihi
A encomenda chegou em poucos dias.
Veio num pacote de luxo, a caixa, depois de aberta, podia ser desmontada e transformada em um poster para colocar na porta do guarda-roupa pois havia estampado no interior dela o retrato do veio davan e a frase “PAREÇO UMA PIROCA!”
Carluchinha Cross não se importou com isso. Maricélia nunca ia deixar ele pendurar o poster dentro de casa. Ansiosa e excitada desembrulhou a coleção.
–Ainnn…. olha que gracinha… O mitinho vem enrolado em uma faixa verde-amarela. Patriota mesmo. Vou meter no meu cuzinho agora.
Os vibradores e plugs mostravam alto grau de imbrochabilidade.
–Ainnn… olha só… o número Dois é um pluguesinho bem pequeno mesmo. Serve para passar o dia, andando por aí, com ele enfiado no meu rabinho. Só sinto ele qdo contraio o cu. Delicinha.
Veio de brinde uma calcinha especial para cdzinhas. Era rosinha.
–Meninas vestem rosa…hihihi. Essa aqui é para usar como se eu fosse mocinha, lembrando da fraquejada… hihihi.
Carluchinha Cross experimenta tudo, mas acaba gozando gostoso com o capitão todo metido no rabo. Feliz, agora nem liga mais para quem vai ganhar ou perder as eleições.
–Xingar petistas foi perda de tempo e não deu certo. O ladrão ganhou. Bóra xingar os ciristas e apoiar o padre Kelmon para as próximas.


Aí ai ai indoidou