Olá a todos.
Hoje eu gostaria de compartilhar com vocês a história da dança que um dia me encantou, mas que hoje me leva a ter crises de ansiedade sempre que vejo e/ou ouço algo relacionado a ela. Trata-se de nada menos do que a dança do ventre, que, provavelmente, vocês já conhecem da novela “O Clone”, vide vídeos como este:
Agora que vocês puderam ver e/ou relembrar o que é a dança do ventre, vamos à história sobre como começou a minha relação com essa dança e por que atualmente ela me leva a ter crises de ansiedade.
Quando eu, ainda criança, vi pela primeira vez a novela “O Clone”, fiquei encantado com a beleza e sensualidade das dançarinas do ventre dançando esta dança que mistura graciosidade, mistério, sensualidade e tanta coisa mais.
Nisso, passei a nutrir o sonho de, um dia, conhecer uma mulher que soubesse dançar a dança do ventre, para que ela dançasse a dança do ventre para mim entre quatro paredes e, assim, vivêssemos um grande amor, tal qual o da Jade e do Lucas na novela, só que sem tantos os obstáculos como os dois encararam ao longo da trama.
Os anos passaram e, nesse meio-tempo, cheguei a ver duas ou três apresentações presenciais de dança do ventre, o que só acentuou ainda mais esse desejo meu. Nessa mesma época, eu também via muitos conteúdos de dança do ventre na internet, escondido dos adultos, muito embora alguns deles soubessem desse meu gosto (que é muito mais que um gosto, diga-se de passagem). Durante todo esse tempo, sempre que eu me apaixonava, sonhava com a minha amada dançando em particular para mim a dança do ventre (e este tipo de sonho me acomete até hoje).
Para piorar, nesse intervalo, assisti pela primeira vez a um episódio do Pica-Pau, intitulado “Briga em Marrocos”. Nesse episódio, o Pica-Pau tem a missão militar de proteger uma princesa muçulmana contra as investidas do Zeca Urubu. No episódio em questão, o Pica-Pau vê a princesa dançando a dança do ventre dentro de uma cabana, se apaixona por ela e, com isto, se dedica ainda mais a protegê-la. A trama do episódio se desenrola a partir daí. Para conferirem o epísódio, acessem:
Com isto, só se intensificou ainda mais o meu sonho de viver um grande amor com o tipo de mulher citado mais acima.
Passados alguns anos, eu descobri num amor de adolescência o grande amor da minha vida. Pela primeira vez na vida, deixei de pensar apenas em mim e meus próprios desejos, priorizando cuidar dela e protegê-la.
Ela despertava em mim um impulso jamais sentido antes, no qual eu me sentia motivado a me tornar a cada dia uma versão cada vez melhor de mim mesmo. Pela primeira vez em anos, o elemento dança do ventre perdeu a relevância para mim! 😱 E, para minha surpresa, ela mesma me contou que sabia dançar a dança do ventre, o que aumentou enormemente o meu amor por ela.
Mas logo veio o banho de água fria. Meses depois, ela começou a namorar outro rapaz, o que me desmoronou por dentro.
Para além da problemática do grande amor não recíproco, eu sofria ainda mais em sentir que havia chegado tão perto de ter uma parceira afetiva que soubesse dançar a dança do ventre e que fosse dançar para mim em particular, e agora, além de todo o sofrimento característico de um homem que teve um grande amor não correspondido, eu sofria ainda mais em pensar que, enquanto eu estava ali sofrendo, talvez ela estivesse dançando sua dança do ventre para o outro e não para mim.
Passou-se mais algum tempo e, para preservar o resto de saúde emocional que eu ainda tinha, resolvi me afastar dela. Nesse meio-tempo, entrei para a faculdade e conheci algumas moças da minha idade, mas, ao menos pelo que pude constatar na época, só uma era solteira, mas não houve nada entre nós.
Cerca de dois anos e meio depois, decidi tentar me reaproximar do meu amor de adolescência. Mas, meses depois, soube por terceiros que ela estava namorando
Isto me fez conhecer, literalmente, o significado da expressão “ficar sem chão”. Eu caminhava e sentia como se meus pés não tocassem o chão, como se não houvesse em que sustentar meu corpo, uma sensação física mesmo, somada a uma tristeza devastadora, que seria equivalente à dor de ter os testículos arrancados sem anestesia, só que elevada à milésima potência e multiplicada pela massa da Via Láctea inteira.
Alguns dias depois da notícia tão devastadora, percebi que uma moça do meu círculo social começou a me dar mole, só que eu simplesmente não conseguia me envolver com ela, porque 1 – eu ainda estava sofrendo demais pelo meu amor de adolescência e não conseguia ter mais nada com ninguém em decorrência disso (nunca levei jeito para cafajeste) e 2 – a dança do ventre me levou a um estado de “seletividade” (se é que assim se pode chamar) no qual, se a moça em questão não souber dançar a dança do ventre e/ou se souber dançar a dança do ventre e não estiver disposta a dançar em particular para mim, ela automaticamente se torna desinteressante para mim, precisando, assim, “compensar” esta falta sendo mais carinhosa, mais atenciosa, etc., se quiser alguma chance comigo.
Depois disso, passou-se quase um ano e eu conheci uma outra moça, bem bonita, por meio de um conhecido em comum. Fiquei encantado pelo cabelo, pelo rosto e pelo sorriso dela, mesmo sem saber se ela sabe ou não dançar a dança do ventre, muito menos se ela estaria disposta a dançar em particular para mim. Mesmo assim, sonhava direto com ela dançando em particular para mim a dança do ventre. Tentei conquistá-la e, num primeiro momento, me pareceu que ela correspondeu, mas, com o tempo, percebi o interesse dela diminuindo. Uma lástima, pois o rosto e corpo dela são maravilhosos.
Nesse meio-tempo também, eu tive muitos sonhos em que sonhei com uma outra moça que conheci anos antes. Eu sempre a achei muito bela e atraente e, em decorrência disso, já sonhei várias vezes com ela dançando para mim a dança do ventre
Pouco mais de dois anos depois, eu vi que, nesse meio-tempo, ela dava abertura para as investidas de um outro rapaz, até que um dia eu disse “chega” e cortei contato com ela. Cerca de 3 meses depois, eu comecei a seguir perfis de dançarinas do ventre no Instagram, assim como já seguia no Facebook anos antes. E foi aí que eu vi algumas coisas que foram contribuindo para o meu estado atual em relação a esta dança:
1 – As moças sabiam dançar a dança do ventre, mas já tinham um namorado, noivo ou esposo;
2 – As moças sabiam dançar a dança do ventre, mas não estavam dispostas a dançar em particular para um parceiro afetivo, porque isto “objetifica a mulher”, “profana a história sagrada desta dança”, etc.;
3 – As moças sabiam dançar bem a dança do ventre, eram solteiras, estavam dispostas a dançar a dança do ventre para algum possível parceiro afetivo (ou, ao menos, não demonstravam nada contrário a isso), mas não tinham um tipo físico que me atrai (falarei mais sobre isso ainda neste desabafo);
4 – As moças eram solteiras, estavam dispostas a dançar a dança do ventre para algum possível parceiro afetivo (ou, ao menos, não demonstravam nada contrário a isso) e tinham um tipo físico que me atrai, mas não sabiam dançar muito bem a dança do ventre;
5 – As moças sabiam dançar bem a dança do ventre, eram solteiras, estavam dispostas a dançar a dança do ventre para algum possível parceiro afetivo (ou, ao menos, não demonstravam nada contrário a isso), mas eram de outro país e/ou viviam em outro país, o que dificultaria um relacionamento meu com alguma delas por razões geográficas;
6 – As moças sabiam dançar bem a dança do ventre, eram solteiras, estavam dispostas a dançar a dança do ventre para algum possível parceiro afetivo (ou, ao menos, não demonstravam nada contrário a isso), mas abandonavam a prática da dança do ventre depois de algum tempo, por quaisquer razões (inclusive, no Instagram, eu já vi dois casos desse tipo).
No caso das moças que sabem dançar a dança do ventre, têm um tipo físico que me atrai e que não aceitam dançar a dança do ventre em particular para um parceiro afetivo, o meu consolo nessas horas, quando via que tinham um parceiro, era pensar que eles não estariam em melhor situação do que eu, afinal, assim como eu, eles só veriam suas amadas dançando profissionalmente.
Por outro lado, dançarinas do ventre solteiras, com o tipo de corpo que me atrai e com altas habilidades na dança do ventre, mas que não dançam em particular para parceiros afetivos, me faziam sentir triste, pois a minha vida inteira eu sonhei com uma parceira afetiva que soubesse dançar a dança do ventre e dançasse para mim em particular, de modo que este posicionamento das dançarinas dificulta em muito a realização do meu sonho.
De acordo com estas profissionais, algumas delas só dançam em particular para um parceiro afetivo se ele for “o cara” no relacionamento, pois elas querem se assegurar de que o parceiro não está com elas apenas por causa da dança, mas pela pessoa delas.
(Enfim, se um homem for entrar num relacionamento com uma moça apenas para vê-la dançando uma dança sensual para ele com o mínimo de roupa possível, hoje em dia tem dançarinas de TikTok e Kwai com suas inúmeras dancinhas, nem de dançarina do ventre ele precisa, só se for um homem com fetiche específico nisso mesmo, no mais é como estou explicando.)
É como se a dança do ventre delas para eles fosse uma forma de recompensá-los por serem parceiros afetivos excepcionais, uma forma de presenteá-los com um momento especial a dois e evitar ao máximo “confundir dança do ventre com putaria”, uma preocupação de inúmeras dançarinas.
O curioso é que, geralmente, essas dançarinas são fortemente influenciadas por outras dançarinas mais experientes, que pregam coisas extremas como “não se deve profanar uma dança sagrada como a dança do ventre usando-a para fins profanos como o da mera sedução/satisfação do desejo masculino/etc.”, fora outros “mantras” do tipo. A lógica dessas “influenciadoras” é mais ou menos assim: a dançarina do ventre é livre para fazer o que quiser do próprio corpo e da própria dança, mas, se ela usar essa liberdade para dançar entre quatro paredes para um homem pelo qual ela tem sentimentos, essa liberdade acaba na hora.
O fato é que, toda vez que vejo essas dançarinas do ventre com namorado, noivo ou até casadas, me pergunto o que esses homens têm que eu não tenho, para eles conseguirem um relacionamento com uma dançarina do ventre e eu não.
Inclusive, neste ano eu vi no Instagram uma dançarina do ventre chamada Georgina Toutunji (@giodalisca, no Instagram), e ela consegue dançar usando até 3 espadas ao mesmo tempo! 😱 Nem a Jade da novela “O Clone” nunca fez isso, e olha que eu assisti essa novela até o fim.
Para piorar as coisas, eu sou curioso, então fui fuxicar os perfis dessa dançarina que dança com 3 espadas, acabei descobrindo que ela é venezuelana, tem uma filha e, ao menos no que consta nas redes sociais dela, tem um relacionamento (que, provavelmente, é com o pai da menina). Vendo as fotos dela no Facebook, dá pra ver que ela e o cara namoram desde quando eram adolescentes!
Imagina quão rabudo um cara não tem que ser, para conseguir a sorte de ter um relacionamento com uma dançarina de dança do ventre que consegue dançar usando 3 espadas ao mesmo tempo! E eu não consigo nem um relacionamento com uma dançarina do ventre “meia boca”.
O tipo de corpo feminino que me atrai é um tipo de corpo tal qual os corpos das dançarinas de dança do ventre Zusmar Ramírez e Nailah Fadel, ambas venezuelanas, como vocês podem conferir abaixo:
Vídeo da Zusmar Ramírez dançando, para vocês terem uma ideia do tipo de corpo dela e das habilidades dela na dança do ventre:
Aqui um vídeo da Nailah Fadel, para vocês conferirem o tipo físico dela e as habilidades dela na dança do ventre:
E aqui um vídeo da Georgina dançando, para vocês conferirem o tipo físico dela e as habilidades dela na dança do ventre (façam login com o Instagram, senão vocês não conseguirão ver):
https://www.instagram.com/p/Cy3oP35rf8P/
Hoje em dia, tendo em vista os fatos que citei anteriormente, não posso mais nem ouvir música árabe sem ter uma fortíssima crise de ansiedade somada de pensamentos catastróficos, nos quais o primeiro pensamento que me vem à mente é justamente o de nunca conseguir o que tanto sonhei em minha vida: um relacionamento afetivo no qual viverei um grande amor com uma mulher que saiba dançar a dança do ventre e dance em particular para mim.
“Ah, mas dança do ventre não é para seduzir homem, é uma dança histórica, que surgiu no Egito Antigo, não deve ser reduzida a uma mera fonte de sedução, etc., além do que não é ético/correto/etc. buscar uma mulher para um relacionamento tendo em vista o tipo do corpo dela e/ou detalhes como este.”
Aí é que tá: o meu lado racional sabe de tudo isso, mas o meu lado passional “quer porque quer” se envolver amorosamente da forma que descrevi ao longo deste desabafo. E o que mais me dói é esse embate interno entre o meu lado racional e o passional.
Não pensem que me sinto bem com tudo isso. É horrível pensar que, se uma mulher não se enquadra nos critérios que citei um tanto mais acima, ela não me sirva como parceira afetiva, por eu sentir que jamais serei plenamente feliz num relacionamento com ela em decorrência dos traços que sinto que faltam, além da tentação que eu sentiria de trocá-la por uma mulher nesses “moldes” assim que fosse possível.
Com tudo isso, me sinto “sujo” por dentro, uma sensação horrível. Não pensem que isto me faz bem, porque não faz.
Me dá vontade de escrever à Glória Pérez e contar toda a minha história a ela e mostrar o quanto me prejudicou ter conhecido a dança do ventre através da novela que ela escreveu. Me dá vontade de abandonar de uma vez por todas a minha fé em Deus por ele ter deixado que acontecesse o que aconteceu entre mim e o meu amor de adolescência, me dá vontade de morrer, enfim, só coisa ruim mesmo.
Além disso, o esforço feminino de “dessensualizar” a dança do ventre a todo custo é tão vão quanto o esforço da FIFA em querer que torcedores de futebol se comportem nos estádios como se estivessem num cinema ou num teatro. Futebol é um esporte para lá de passional, logo, a manifestação da torcida também é, mesmo que um jogo ou outro não sejam dos melhores. Dança do ventre é uma dança com um altíssimo DNA de sensualidade, então, por mais profissional e “folclórica” que seja a coreografia e/ou apresentação, ela despertará um olhar “diferente” do público, em especial o público masculino.
Não estou aqui justificando, de maneira alguma, o assédio e/ou a importunação sexual de dançarinas do ventre em razão de sua dança (e, inclusive, se isto acontecer, a dançarina tem todo o direito de recorrer às autoridades em defesa dos seus direitos), mas querer “dessensualizar” uma dança naturalmente sensual é tão vão quanto querer fazer o sol ficar escuro (descartando-se os eclipses, claro).
Se eu posso dar um conselho aos pais de filhos menores de idade e que estejam vendo este desabafo, eu diria o seguinte: tomem cuidado, muito cuidado mesmo, com o que seus filhos acompanham na TV, no rádio, nos jornais, nas revistas, nos gibis, na internet, etc. Mesmo as coisas mais “inofensivas” podem causar estragos irreversíveis na vida deles.
Vejam só o meu exemplo: fui assistir à novela “O Clone” ainda menino, vi as cenas de dança do ventre, alimentei o sonho de ter uma parceira afetiva que soubesse dançar a dança do ventre e dançasse para mim em particular, e, para piorar, ainda agravei as coisas vendo mais e mais conteúdos de dança do ventre na internet quando ainda era apenas um pré-adolescente, a ponto de sentir que, se uma mulher não tiver o tipo de corpo que me atrai, não souber dançar a dança do ventre e não dançar em particular para mim, ela não me serve como parceira afetiva. Isso tudo me prejudicou demais.
Enfim, espero não ter deixado nada faltando nesse relato… me perdoem se fui rude, inconveniente, etc., em algum momento, pois não foi o meu intuito, que era só o de desabafar mesmo.
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