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A depressão é a felicidade brincando de matar.

Se não for problema, gostaria de dar um tom menos direto. Se assim o fizer, não me expressarei direito e, de novo, farei o papel de patética que define parte da minha vida.

Sim. A depressão é a felicidade brincando de matar. Não importa em qual nível se discuta, a depressão não passa de seus instrumentos de felicidade se transformando em assassinos. Talvez seus pais, que deveriam lhe dar apoio e te amar e se tornam pesadelos em sua vida, de alguma maneira. Talvez seus colegas de escola, que deveriam crescer contigo e te usam para crescer às custas da sua diminuição. São muitos os exemplos.

E hoje, olá. Estreio à mim mesma, alguém que já superou um bullying leve na escola e um pesado relacionamento abusivo. Eu, aos 18 anos (sim, já consegui arranjar um namorado que se achou no direito de me agarrar os pulsos, machucar as costas e dizer que não posso fazer tal coisa repetidas vezes – tenha medo desse futuro).

E isso mesmo, superei. Deixei pra trás. Passei por cima. E de novo, aqui estou eu. Chorando pelos cantos e sendo incompreendida, pela primeira vez tão fraca, e por quê? Porque o mundo me disse que é preciso ser assim. Porque o mundo me diz que eu PRECISO me contentar com duas horas por semana de lazer e todo o restante voltado aos desejos capitalistas das fábricas e capitalismos medrosos de meus pais. Óbvio que eu tenho que ser alguém na vida. Todo mundo tem que ser alguém. Eu tenho que ser comum e igual, tenho que ligar o foda-se para meus sonhos e viver do que eles querem. E pior, tem que ser rápido. Aos 18, deveria estar na faculdade. Passei sim. Larguei. Não sei o que faço com os deveres da vida nem com os olhares de desgosto da família. Não sou pouco capaz de passar no que eles querem. Mas será que sou pouco capaz de fazer o que eu quero? Porque veja só, o mundo num geral parece conspirar contra qualquer corrida em direção aos meus sonhos. Hoje mesmo, achei que iniciaria aulas de dança, tão sonhadas duas horas por semaba e deu tudo errado. Nem as malditas duas horas eu tenho.

Não tenho mais nada pra escrever não. Não entendo o que Deus está tentando me dizer. Não tenho mais vontade de dançar também, por isso corri atrás de uma aula. Pra nascer de novo. Mas o mundo não quer. Meu pai não quer. O trânsito não quer. Os ladrões talvez queiram. A própria escola de dança não quer. Que serei eu? Uma cidadã comum e sem graça, sem conquistas a nível espiritual nem habilidade de me envolver. Serei normal.

Ou não. Escrever essas coisas me faz levantar o dedo do meio e perceber que o que eu quero é mais importante. E se eu precisar viver uma loucura oara fazer dar certo, então talvez o faça. Obrigada por ler até aqui.

(Vejam só a ironia, não tem a categoria "sonho" aqui)

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Escrito por Anônimo

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