Eu confesso que sempre fui boa aluna, embora também, sempre tenha tido problemas na escola. Bullying. Já ouviram falar? Pois é, tudo começo na quinta série até a oitava. E você pode imaginas de tudo um pouco, de xingamentos básicos até a violência física. Se alguém me bateu? Sim. Se alguém ficou sabendo? Não! E não me julguem por não falar nada a ninguém, mas só o fato, de ser humilhada para toda a turma e a professora não fazer nada, já era o suficiente para não voltar nunca mais. Mas no outro dia, eu voltava e só desejava que aquele inferno acabasse, ou, que a morte me levasse. Mais triste e sozinha impossível! Uma dor tão grande, que as vezes penso que no final de tudo, vou correr, correr e ser humilhada de novo. As vezes, eu não aguentava conter toda aquela vergonha, então, eu me cortava. Cada vez mais fundo. Mais fundo… Até que, o tempo passou e sem perceber, já estava na minha terceira tentativa de suicídio. Como das outras vezes? Faca e água sanitária, se é que me entendem.. E eu sempre soube, que nunca seria aceita, por eles ou elas. Que eu sempre seria a estranha do colégio, a filha de um homem poderoso que assim que ele virava as costas nem todo o poder e dinheiro iria impedir a minha humilhação. Porque eu nunca era competente o suficiente, mesmo que eu tirasse a nota mais alta, mesmo que eu ensinasse o professor o que realmente era certo. Nada era o suficiente. E mais uma vez eu era comparada ao lixo. Afinal, eu me sentia como um. E o ódio crescia. E a dor aumentava. Quanto mais fui crescendo, mais as pessoas falavam o quão diferente eu era. Não tenho nenhuma deficiência física ou mental. Mas eles me olhavam como se eu fosse um animal, prestes a ir ao abatedouro. Quando meus pais souberam. Poxa! Minha mãe chorou. E eu chorei por dentro. Me pai chorou por dentro e eu gritei. Nunca conte a eles porque sempre soube o que aconteceria. Meu pai, foi a casa de todos os que mexiam comigo. Todos! E armado. Sim, com revolve e punhal. Meu pai era do exercito e agora trabalhava na policia federal. Graças a Deus, meu pai não encontrou ninguém, porque se não, sabe deu o que ele faria. E vocês estão se perguntando o porque de não falar para os professores. Porque elas sabiam e fingiam que não sabiam. Eu era humilhada empurrada da escada e elas não falavam nada, porque no fundo, elas não estava nem ai, porque não era a filha delas. 🙂 Agora, tenho 18 anos e não tem um dia que eu não me lembre. Não tem um dia, que eu não olhem para o céu procurando respostas. Se é mimizinho de uma adolescente fresca? Não sei. O que você pensa sobre, bipolaridade, começo de esquizofrenia, bulimia, anorexia e panico de pessoas. Eu me cortava e me sentia mal, então, me cortava de novo. Elas me chamava de gorda e feia. Fui eleita dois anos consecutivos a mais feia das turmas. Rabiscavam meus cadernos e eu ainda tinha que chegar em casa e sorrir e falar que estava tudo bem. E agora, caminho a faculdade, onde estou quase desistindo de tudo. E se tudo começar de novo. E se eu não resistir e deixar meus pais? As vezes, ainda penso que seria melhor ter me atirado em frente ao ônibus. Bom, esse é o meu desabafo!

