A história dos sete anões de Auschwitz é uma das mais intrigantes e sombrias da Segunda Guerra Mundial. Esses sete irmãos, membros da família Ovitz, da Roménia, sobreviveram ao campo de concentração nazi graças ao médico Josef Mengele, conhecido como o Anjo da Morte. A sua sobrevivência, paradoxalmente, deveu-se a um dos homens mais perversos da História.
A família Ovitz, composta por dez irmãos — sete deles nascidos com nanismo e três de estatura normal — era conhecida pela sua herança genética, transmitida pelo pai, o rabino Shimshon Eizik Ovitz, também anão. Viviam em Rozavlea, uma aldeia romena com uma numerosa população judaica. Apesar das dificuldades em encontrar trabalho devido à sua condição, a família encontrou na arte a forma de garantir o sustento, formando a trupe Jazz Band of Lilliput, que realizava espectáculos itinerantes pela Europa Central.
Durante a Segunda Guerra Mundial, ao perceberem a ameaça dos nazis, a família Ovitz escondeu os seus bens e tentou passar despercebida. Contudo, em Março de 1944, quando os exércitos de Adolf Hitler invadiram a região da Roménia, foram capturados e levados para o campo de concentração de Auschwitz.
Lá, enfrentaram as experiências brutais de Mengele, que os escolheu para as suas ideias científicas macabras. Conhecido por realizar testes horríveis com prisioneiros — especialmente gémeos, anões e pessoas com condições físicas distintas — Mengele viu na família Ovitz uma oportunidade de estudar o nanismo. Manteve-os vivos para continuar as suas experiências, que incluíam extracção de fluidos da espinal medula, testes invasivos e procedimentos extremamente dolorosos.
A obsessão de Mengele pelos anões foi a razão da sua sobrevivência — algo quase impensável para outras vítimas das suas experiências. Durante sete meses, os Ovitz sofreram torturas físicas e psicológicas, mas, quando o Exército Vermelho libertou Auschwitz em Janeiro de 1945, a família foi uma das poucas a sobreviver ao regime de terror imposto por Mengele.
Após a libertação, os Ovitz regressaram a Rozavlea, encontrando a cidade em total desordem. Com o dinheiro que haviam escondido, emigraram para Israel, onde continuaram a actuar com a sua trupe até 1955, ano em que encerraram as apresentações devido ao desgaste físico.
Os membros da família Ovitz viveram longas vidas, apesar das sequelas deixadas pelos experiências. Avram faleceu em 1972, seguido por Micki no mesmo ano, Frieda em 1975, Franzika em 1980, Rozika em 1984, Elizabeth em 1992, e Perla, a última sobrevivente, faleceu em 2001.
A história dos Ovitz é uma combinação de resistência, sobrevivência e de um destino cruel forjado pela curiosidade mórbida de um dos homens mais temidos da História. Para quem desejar saber mais, a leitura do livro Gigantes do Coração: A Emocionante História da Trupe Lilliput e filmes como O Médico Alemão e O Anjo de Auschwitz podem trazer mais informações sobre as atrocidades cometidas por Mengele e o impacto que a sua crueldade teve na vida destas pessoas.
Ainda hoje, a história da família Ovitz é lembrada como um símbolo da luta pela sobrevivência em meio ao horror mais indescritível, e como um testemunho da força do espírito humano diante da adversidade extrema.
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Minha nossa 😬.
Desconhecia isso.