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A Proibição

"Desprezo qualquer espécie de proibição. Não creio na mais ínfima eficácia, seja lá em que local repouse seus objetivos. Na infância, a tentativa escancarada na educação pretendida pelos genitores não passa de uma imposição estranha por comportamentos e idéias pré-concebidas, que não guardam quaisquer requisitos com a formação de indivíduos probos, livres e pensadores. Os adultos são meras conseqüências de proibições e idiotices ditadas por legisladores escritos, falados ou qualquer outra estirpe, mas sempre se caracterizam como imposições, que de tamanha ineficácia moral (ou imoral), não permitem o raciocínio livre, o desfazimento das redes pesqueiras do pensamento.
Pois bem. Em uma republiqueta pré-salina, variadas proibições têm sido ditadas por mandatários pouco acostumados com a retidão de raciocínios, com as especificidades e simplicidades inerentes à liberdade. Consigo até perceber, nas ordens de vossas excelências, uma aura permissiva das verdades abrasivas judaico-cristãs. Nesta toada, permito-me algumas sugestões de novas proibições, visando à manutenção de nossa querida e desejada ordem social (moral).
Para chacoalhar a venda de produtos pirateados (ou falsos), proíba-se a fabricação dos originais.

Para combater as doenças sexualmente transmissíveis, proíba-se o ato sexual com mais de um parceiro, este devidamente pré-cadastrado no ministério da saúde.
Para extirpar os crimes sexuais na rede mundial de computadores, proíba-se, irrestritamente, o acesso a ela.
Para evitar os confrontos entre torcidas organizadas, proíba-se a realização de disputas esportivas.
Para viabilizar o livre trânsito de indivíduos por vias públicas, proíba-se a utilização de veículos motores.
Para zelar pela saúde dos indivíduos (e finanças dos governos), na busca por uma vida saudável, proíba-se a venda de refrigerantes, alimentos em conservas, com agrotóxicos, gorduras, e por aí vai.
Para deixar um ambiente sustentado, proíba-se viver as "benesses" (ao menos à população não dirigente) de um modo de vida amplamente desejado pelo capitalismo.
Para acomodar a economia mundial (longe de qualquer ameaça de nova crise), proíba-se quaisquer necessidades de prestação de contas pelos empresários (proibir o nascimento de pobres também seria eficaz).
Para desafogar o judiciário, proíba-se a entrada de novas ações por um período de vinte anos.
Para dizimar as ações relacionadas às relações de trabalho, proíba-se qualquer relação entre patrão e trabalhador que não seja no regime escravocrata.
Para acabar com a criminalidade, proíba-se o cidadão comum de ausentar-se de sua residência, em qualquer dia e horário. Para terminar com o tráfico de substâncias entorpecentes, proíba-se o uso da moeda corrente no país.
Para exterminar a imbecilidade humana, proíba-se seu nascimento.

Creio que a partir de tais proibições, devidamente amparadas por leis, teríamos um mundo mais humano, mais belo, mais igualitário, mais justo, mais libertário. Relativamente às defasagens aparentes e irremediavelmente concernentes à saúde pública, transporte público, segurança pública, cultura irrestrita, educação irrestrita, lazer irrestrito, liberdade, igualdade, justiça, verdade, livre trânsito de idéias e ideais, bem como às irremediáveis usurpações das finanças públicas, corrupção, intolerância generalizada, desigualdades extremas, podridão de um sistema e modo de vida falido, não se preocupe, tudo isso faz parte de um mundo que você não vive. Este mundo pertence unicamente aos pobres e miseráveis, aos ricos e milionários. Qualquer um deles sequer precisa de proibições, pois a própria vivência plena já lhes é proibida, ou lhes é plenamente permitida. Exatamente nesta ordem."

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Escrito por Anônimo

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Minha Amiga está agindo estranho

Odeio Deus.Ele é sadico e mal.